domingo, 18 de fevereiro de 2018

Novos dados de satélite confirmam o aumento acelerado do nível do mar


Vinte e cinco anos de dados de satélites provam que os modelos climáticos estão corretos na previsão de que o nível do mar aumentará a uma taxa crescente.
A reportagem é de Tina Meketa, publicada por University of South Florida, e reproduzida por EcoDebate, 14-02-2018. A tradução e edição são de Henrique Cortez.
Em um novo estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores descobriram que, desde 1993, as águas oceânicas subiram a costa em quase 1 milímetro por década. Isso está em cima do aumento anual constante de 3 milímetros. Essa aceleração significa que ganhamos um milímetro adicional por ano para cada uma das próximas décadas, potencialmente dobrando o que aconteceria ao nível do mar até 2100 se a taxa de aumento fosse constante.
“A aceleração prevista pelos modelos já foi detectada diretamente das observações. Eu acho que isso é um trocador de jogo até a discussão sobre mudanças climáticas “, disse o co-autor Gary Mitchum, doutorado , decano e professor da University of South Florida College of Marine Science. “Por exemplo, a área de Tampa Bay foi identificada como uma das 10 áreas mais vulneráveis do mundo ao aumento do nível do mar e a crescente taxa de aumento é uma grande preocupação”.
Dr. Mitchum é parte de uma equipe liderada pelo professor de Boulder da Universidade do Colorado Steve Nerem, PhD, que usou análises estatísticas para aprimorar estudos anteriores com base em dados de marés, o que também sugeriu aceleração ao longo do século passado. No entanto, os satélites dão uma visão melhor do aumento do nível do mar, porque as amostras são coletadas ao longo do oceano aberto, ao invés de apenas ao longo do litoral.
Como continua, a próxima geração experimentará uma paisagem muito diferente do que hoje.
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/576040-novos-dados-de-satelite-confirmam-o-aumento-acelerado-do-nivel-do-mar)

Como destruição do Cerrado ameaça ‘floresta de cabeça para baixo’ e abastecimento de aquíferos


Segundo maior bioma da América do Sul, o Cerrado tem papel central na distribuição das águas que abastecem boa parte do Brasil. É nele que nascem vários dos rios que integram seis das principais bacias hidrográficas brasileiras - ParnaíbaParanáParaguaiTocantins-AraguaiaSão Francisco e Amazônica -, e mais de cem espécies diferentes de frutas, das quais apenas 40 são exploradas comercialmente.
A informação é publicada por BBC Brasil, 08-02-2018.
O equilíbrio desse ecossistema, contudo, está ameaçado pelo avanço da agricultura em larga escala.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 20% das espécies de plantas e animais exclusivas ao bioma já foram extintas, e ao menos 137 espécies de animais da região correm o risco de desaparecer.
"A gente não tem mais aquele habitat natural, porque esse tipo de vegetação deu lugar às lavouras: à soja, ao milho, ao feijão, ao arroz - e eles não têm a mesma função ecológica do Cerrado", alerta Mauro Alves de Araujo, técnico agrícola especializado na identificação de espécies vegetais.
Boa parte das últimas áreas de Cerrado se encontra na região conhecida como Matopiba (que engloba trechos do MaranhãoTocantinsPiauí e Bahia) - considerada uma das últimas fronteiras agrícolas do país.
"A gente está trocando árvore por herbácea, e isso na matemática (da ecologia) é cruel", acrescenta Araujo.
Cerrado é um dos biomas mais antigos e biodiversos do mundo. Começou a se formar há pelo menos 40 milhões de anos e abriga centenas de espécies de animais e plantas que só existem lá.
Para sobreviver às longas secas que ocorrem na região, muitas árvores locais desenvolveram sistemas de raízes extremamente profundas e ramificadas.
Graças a essas raízes, várias espécies do bioma jamais perdem as folhas, nem mesmo no auge da estiagem.
As raízes podem ser muito mais extensas que as copas das árvores, o que faz com que o Cerrado seja conhecido como "floresta de cabeça para baixo".
Árvores presentes no bioma - entre as quais buriti, pequi, jatobá e baru - garantem ainda uma dieta rica para os habitantes da região.
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/576093-como-destruicao-do-cerrado-ameaca-floresta-de-cabeca-para-baixo-e-abastecimento-de-aquiferos)

Juízes são uma casta especial no Brasil e na Argentina

Texto escrito por José de Souza Castro:

“Além do teto, tem cobertura, puxadinho e sei mais lá o quê”, diz o jornal na abertura da reportagem publicada neste fim de semana. A frase é da presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, que nada fez ainda para acabar com essa desmoralização do poder que dirige desde o dia 12 de setembro de 2016.Um apanhado feito pelo “El País”, maior jornal espanhol, sobre a situação salarial dos juízes no Brasil, Argentina, Itália, França e Alemanha, mostra que os brasileiros são os mais bem remunerados. O teto salarial da magistratura brasileira é mais de 15 vezes o rendimento médio mensal da população (de apenas R$ 2.139 reais, conforme o IBGE), enquanto os juízes europeus ganham cerca de quatro vezes a mais que a média salarial de seus países.
A jornalista Helena Chagas, que foi ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República durante todo o primeiro mandato de Dilma Rousseff, mostra que nem sempre um presidente do Supremo foi conivente com essa situação. Lembra que em 2005 o presidente do STF, Nélson Jobim, convenceu o presidente Lula a enviar ao Congresso Nacional um plano de reestruturação de carreira para os magistrados, “justamente para acabar com o auxílio-moradia”.
Quando foi conversar com Lula no Planalto, naqueles idos de 2005, escreve Helena Chagas, na época colunista de “O Globo”, Jobim abriu o jogo: o auxílio-moradia, um “abacaxi”, era de fato uma gambiarra que servia como complementação salarial para os juízes, que ganhavam em torno de R$ 12 mil. “O justo era acabar com isso, reestruturando a carreira, aumentando o salário e preservando o auxílio apenas nos casos de transferência de magistrados para lugares distantes,” defendeu Jobim. Lula concordou, o Congresso aprovou a proposta “e a República achou que tinha ficado livre do auxílio-moradia dos juízes – até que ele voltou a ser universalizado, por decisão do ministro Luiz Fux, do STF, em 2014”, conclui Helena Chagas.
Por acaso, a desembargadora Marianna Fux, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, filha do ministro, recebeu auxílio-moradia de R$ 4,3 mil mesmo tendo dois apartamentos no Leblon, bairro nobre, que valem por baixo R$ 2 milhões.
Mais grave parece ser o caso do juiz Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Lava Jato no Rio (foi ele quem condenou a 43 anos de prisão o presidente da Eletrobrás, almirante Othon Pinheiro, principal responsável pelo programa nuclear brasileiro). Diz “El País”:
“O juiz federal foi à Justiça pedir para que ele e a mulher, também juíza federal, recebessem dois auxílio-moradia. Uma resolução do CNJ proíbe o pagamento do benefício a casais que morem sob o mesmo teto, mas o juiz ganhou sua causa. Ele se explicou no Twitter com sarcasmo: “Pois é, tenho esse ‘estranho’ hábito. Sempre que penso ter o direito a algo vou à Justiça e peço”, afirmou o juiz. “Talvez devesse ficar chorando num canto, ou pegar escondido ou à força. Mas como tenho medo de merecer algum castigo, peço na Justiça o meu direito”.
Bretas é evangélico e diz se inspirar na Bíblia ao proferir suas sentenças. É dele as penas mais altas aplicadas até agora nos processos da Lava Jato – uma que condenou o governador Sérgio Cabral a 45 anos e  outra que levou à prisão o almirante Othon Luiz Pinheiro, acusado de irregularidades na construção da usina nuclear de Angra 3.
Se o almirante cometeu irregularidades, o que dizer desse trecho da reportagem do “El País” sobre os próprios juízes brasileiros?:
“Com esses complementos, o teto constitucional de 33.763 reais, criado em 1998 e aplicado aos ministros do Supremo Tribunal Federal para limitar os salários de todos os funcionários públicos, é apenas uma formalidade. Na prática, 71,4% dos magistrados dos Tribunais de Justiça dos 26 Estados e do Distrito Federal somam rendimentos superiores acima do teto graças a auxílios e benefícios. Conforme o levantamento do diário O Globo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dos mais de 16.000 juízes e desembargadores, 11.600 ultrapassaram o teto. A remuneração média, segundo a pesquisa, chega a 42.500 reais. Benefícios, auxílios, gratificações e pagamentos retroativos chegam a representar um terço do rendimento mensal.” (…) “O colega de Bretas em Curitiba, Sergio Moro, também recebe auxílio-moradia apesar de ser proprietário de um apartamento de 256 metros quadrados na cidade, revelou a Folha nesta sexta. O jornal também destacou que 26 ministros de tribunais superiores em Brasília recebem auxílio-moradia mesmo tendo imóvel próprio na capital”.
Não passaram despercebidos ao “El País” outros benefícios recebidos pelos juízes que ficam de fora do teto remuneratório estabelecido pela Constituição da República, “sem contar os 60 dias de férias aos quais os magistrados têm direito: auxílio-moradia, auxílio-alimentação, gratificações por acúmulo de varas, auxílio-saúde, desembolsos por produtividade, por aulas em escolas da magistratura, auxílio pré-escolar e auxílio-educação para os filhos. Há também gratificação por cargos de direção, por integrarem comissão especial, por serem juízes auxiliares, licenças especiais, gratificações relacionadas ao magistério, Bolsa Pesquisa, ajuda de custo para se instalarem em outra cidade…”
Definitivamente, considerando-se a realidade salarial média no Brasil, os juízes são uma espécie de marqueses de nossa República. Como se sabe, no Império, marqueses tinham muitos privilégios de toda ordem. Um dos novos marqueses é o desembargador José Antonio de Paula Santos Neto, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele tem salário de R$ 30.471,11 e recebe auxílio-moradia apesar de possuir 60 imóveis em seu nome, que afirma ter recebido em herança dos pais. À “Folha de S.Paulo”, ele disse que recebe o auxílio-moradia por falta de “um salário digno, proporcional à responsabilidade do magistrado”.
Vamos agora à comparação que “El País”faz com a situação dos juízes em outros países:
Na Argentina um juiz de primeira instância com 15 anos de carreira recebe cerca de 25.800 reais brutos e 21.700 reais líquidos. Um juiz com 20 anos de carreira, num cargo comparável ao dos ministros do Tribunal Superior de Justiça, ganha aproximadamente 32.300 reais brutos. Os ministros da Corte Suprema chegam a quase 48.500 reais. Já o salário do presidente argentino, Mauricio Macri, foi de 33.600 reais brutos por mês no  ano passado ou 21.000 reais líquidos. Os salários dos governadores não superam os 16.000 reais.
“Na Argentina”, esclarece o jornal, “os juízes não têm auxílio-moradia. Por outro lado, não pagam o equivalente ao Imposto de Renda no Brasil. É o próprio Poder Judiciário que decide seus salários, sem que o Governo possa intervir. Os magistrados têm um mês e meio de férias — um mês inteiro em janeiro e 15 dias em julho –, enquanto a maioria dos trabalhadores comuns começa com 15 dias de férias e somam mais sete dias a cada cinco anos trabalhados na empresa”.
Na Itália, o salário médio de um magistrado com ao menos 15 anos de carreira chega a R$ 41.116 por mês. São os mais bem remunerados do serviço público italiano. É o Conselho Superior da Magistratura que determina os salários dos juízes, sem a intervenção do Governo. Nos últimos anos, a parte fixa do salário se manteve congelada e inclusive vem sofrendo cortes, o que não tem impedido que o montante médio anual venha aumentando graças à parte variável. A média salarial dos magistrados passou de 120 mil euros em 2007 para 142 mil em 2014. “O dado escancara, como no Brasil, o peso da parte variável”, diz “El País”. Desde 2015, as férias dos magistrados foram reduzidas de 45 dias por ano para 30 dias.
Na França, os salários dos juízes estão regulados como servidores públicos e não existe nenhum grande debate em torno de seus privilégios. Os juízes que mais recebem, que são poucos, têm um salário base de cerca de R$ 27.500. O primeiro presidente da Corte de Cassação (uma espécie de STF) ganha R$ 34.600, já incluídos todos os benefícios que lhe correspondem como juiz de máxima categoria. O salário médio de um juiz, no entanto, beira os R$ 17 mil. Alguns médicos e professores universitários ganham mais que um juiz no serviço público. Os magistrados franceses contam com alguns complementos que dependem do lugar onde residam. Para os destinados em Paris, por exemplo, que é uma cidade cara, há um complemento de apenas 3% do salário.
Na Alemanha, para garantir sua independência, os juízes não são funcionários públicos, mas têm direito ao sistema de pensões que ampara os funcionários. Um servidor público recebe quando se aposenta aproximadamente 70% do último salário. O salário dos juízes na Alemanha está regulado por uma escala autorizada pelos governos regionais, enquanto a remuneração dos juízes federais é fixada pelo Governo federal. O rendimento mínimo de um juiz alemão é de cerca 3.700 euros brutos (14.600 reais) e pode quase dobrar, na escala mais alta. O salário médio alemão é de 1.500 euros.
Os juízes federais recebem cerca de R$ 47.365 brutos por mês, enquanto os juízes do Tribunal Constitucional superam os R$ 55.200. O Presidente do Tribunal Constitucional recebe o mesmo salário que um ministro federal, pouco mais de R$ 59.000 por mês. “A modo de comparação, a chanceler Angela Merkel, a chefe de governo que melhor ganha da Europa, recebe cerca de 71.000 reais mensais”, diz o jornal espanhol. “Os magistrados do Tribunal Constitucional também têm direito a viajar de graça na primeira classe da rede ferroviária da Deutsche Bahn, mas as viagens privadas devem ser declaradas à Fazenda”, conclui.
(fonte: https://kikacastro.com.br/2018/02/05/juizes-casta-especial/)

Estamos caminhando para a volta da ditadura militar? 10 passos preocupantes

#1 Primeiro, grupos conservadores da elite saíram às ruas batendo panelas e exigindo o fim de um governo de esquerda, (re)eleito por maioria de votos, acusado de corrupção.
#2 Depois, houve um impeachment baseado num motivo no mínimo frágil (alguém se lembra das pedaladas?), questionado por entidades internacionais de peso.
#3 Em seguida, um vice assumiu contestadamente o poder, promovendo várias medidas que representaram grande retrocesso para o país.
#4 Vários direitos dos trabalhadores, garantidos desde os tempos de Vargas, foram estraçalhados por esse grupo no poder.
#5 O país foi ficando cada vez mais polarizado, dando margem ao fortalecimento de figuras patéticas como Jair Bolsonaro, fã confesso do coronel Ustra, único militar brasileiro declarado torturador pela Justiça até o momento.
#6 Foi ganhando força, também, discursos reacionários que pregam censura a expressões artísticas, que já se tornaram inclusive projetos de lei.
#7 Um ex-presidente foi julgado e condenado até em segunda instância em tempo recorde, com base em provas também frágeis e, de novo, contestadas por seu caráter político (que, muitas vezes, fez lembrar processo quase idêntico sofrido por JK nas mãos dos militares).
#8 Agora, um general do Exército é nomeado interventor de segurança no Estado do Rio de Janeiro, ganhando “poderes de governo“, nas palavras do ministro da Defesa, pelo menos até o dia 31 de dezembro de 2018. Por meio de um decreto já questionado por juristas, e também por políticos à esquerda e à direita.
#9 Esse general poderá tomar decisões apenas referentes à segurança pública, mas segurança pública pode significar muito mais que tanques andando pelas ruas do Rio: pode resvalar nas escolas e na saúde pública, como bem desenhou Renato Rovai.
#10 Pior: podemos nos preparar para, nos próximos meses, assistir a notícias incríveis mostrando como o Rio se tornou um Estado pacífico e maravilhoso depois da intervenção do Exército sob batuta de Temer. Isso deve ser tão martelado que, daqui a pouco, outros Estados que estiveram recentemente embebidos em violência urbana, como Espírito Santo e vários do Nordeste, poderão, quem sabe, ganhar uma ajudinha de um interventor do Exército. E, se essa moda pega, logo teremos um chefe do Exército em cada uma das 27 unidades da Federação.
(fonte: https://kikacastro.com.br/2018/02/16/volta-ditadura-militar-preocupa/)

Chuva no sertão. cobiça sobre as águas

No Nordeste, os reservatórios rurais voltam a se encher.  Mas a oligarquia internacional da água vai reunir-se em semanas em Brasília, para tentar ampliar seu controle sobre um dos Comuns essenciais da humanidade
Roberto Malvezzi (Gogó)
Depois de longos anos com chuvas abaixo da média, agora chove por todo sertão do Semiárido Brasileiro. Como cantava Gonzaga: “rios correndo, as cachoeiras tão zoando, terra molhada, mato verde que riqueza e a asa branca à tarde canta, ai que beleza, ai, ai o povo alegre, mais alegre a natureza”.
Os grandes reservatórios ainda estão secos ou muito baixos, mas os reservatórios médios, pequenos e micros, como as cisternas, já estão todos cheios. São eles que importam realmente no cotidiano de nosso povo. As grandes obras têm pouca serventia à população difusa do semiárido. Por isso, o problema da água hoje é mais grave no meio urbano que no meio rural nordestino.

O ciclo das águas é fundamental para todos os mananciais de superfície e subterrâneos. São as chuvas que repõem os rios, lagos e aquíferos. Sem renovação constante do ciclo a vida se interrompe.
É esse alerta dramático que pessoas sábias, cientistas e movimentos sociais fazem ao mundo predador do capitalismo, particularmente ao agro e hidronegócios. Sem Amazônia e sem Cerrado o ciclo de nossas águas estará interrompido, com a extinção dos grandes aquíferos que se localizam no Cerrado e abastecem perenemente rios como o São Francisco, Araguaia e Tocantins.
A Oligarquia Internacional da Água, rótulo que lhe atribui Ricardo Petrella, vai se reunir em Brasília no mês de março. São as grandes transnacionais da água, que querem sua privatização geral, sua mercantilização e sua transformação em um produto comercial qualquer. Essas empresas elaboraram o novo discurso da água, com sua teoria de escassez, valor econômico, privatização e mercantilização como soluções para os problemas hídricos do mundo inteiro.
Ao mesmo tempo se reunirá o Fórum Mundial Alternativo da Água (FAMA) para contrapor ao discurso do capital os valores da água como o biológico, social, ambiental, paisagísticos, etc., recusando a sua privatização e garantindo a água como direito fundamental de toda pessoa humana e de todos os seres vivos.
Essa é uma das guerras mais insanas da humanidade. Num país caoticamente político como o nosso, Temer está realizando a entrega de nossos aquíferos, particularmente o Guarani, para grandes empresas como a Coca-Cola, Nestlé e outras transnacionais da água. Uma tragédia cruel e anunciada.
O golpe chegou também à água.
OBS: Viva a politizada Tuiuti! Nem toda consciência dorme.
(fonte: https://outraspalavras.net/brasil/chuva-no-sertao-cobica-sobre-as-aguas/)

Ninguém conhece os “cientistas da Coca-Cola”

Corporação não quis revelar quais os estudos financiados. Nos Estados Unidos, foram US$ 140 milhões desde 2010. Nestlé, Unilever, Danone e Ajinomoto também não divulgaram informações
Envolvida desde a fundação em controvérsias devido à fórmula secreta do principal produto, a Coca-Cola está habituada a financiar pesquisas científicas que busquem promover benefícios ou deslegitimar efeitos negativos. Nos Estados Unidos, frente a pressões da imprensa, a corporação revelou recentemente a lista de organizações e pessoas que tiveram trabalhos patrocinados.

Aqui, a Coca-Cola Brasil optou por não tornar disponível a O joio e o trigo a lista de pesquisadores que tiveram estudos financiados nesses trópicos. Entramos em contato com a assessoria de imprensa no final de junho de 2017, solicitando uma entrevista a ser feita pessoalmente. Dez dias mais tarde, recebemos a informação de que a conversa seria por telefone. Passadas mais três semanas, tivemos de encaminhar as perguntas por e-mail.

1. Quais são as principais motivações da Coca para financiar pesquisas científicas?
2. Quais os critérios utilizados para definir quais trabalhos receberão apoio da empresa? Via de regra, é a Coca quem escolhe os temas ou os pesquisadores que procuram a Coca? Quais têm sido os temas prioritários? 
3. Quais pesquisadores já receberam apoio da empresa no Brasil? É possível saber o montante de recursos destinados a apoio científico?
4. Como a empresa se relaciona com o ILSI Brasil? E como avalia o papel da organização? É possível saber qual o montante investido no ILSI ou qual o percentual total do orçamento anual do instituto que corresponde à Coca?
5. Nos Estados Unidos, alguns veículos de comunicação têm contestado a relação da Coca com pesquisadores. Como a empresa vê essas críticas? Isso provocou alguma mudança na atuação da empresa no Brasil?
6. Há artigos de revisão indicando que estudos financiados pela indústria de refrigerantes tiveram tendência a não indicar o papel desses produtos na epidemia de obesidade. Qual a opinião da empresa sobre esses artigos?
7. Alguns autores afirmam que pesquisas com ênfase em atividade física buscam desviar o foco sobre as verdadeiras causas da obesidade. Como a empresa tem se posicionado em relação a essa crítica?

Questões parecidas também foram apresentadas a Nestlé, Danone, Unilever e Ajinomoto. Nenhuma delas quis responder.

A Coca-Cola chegou a encaminhar, um mês depois, uma nota curta, mas que ignorava todas as nossas questões.

A Coca-Cola Brasil segue parâmetros rigorosos para patrocínio de pesquisas científicas e apoio a pesquisadores. Nosso interesse na literatura científica se reflete na preocupação de embasar todas as nossas decisões em evidências científicas – principalmente relacionadas à formulação de nossos produtos e ingredientes. Dessa forma, asseguramos que estamos oferecendo bebidas de qualidade às pessoas que escolhem consumir nossos produtos.
Para isso, temos uma relação de franco diálogo com os principais interlocutores envolvidos com as questões alimentares e a educação nutricional no Brasil. Buscamos estar atentos às críticas e às oportunidades da nossa atuação nessa área. Hoje estamos mais focados nas melhorias que podemos fazer em nosso portfólio e comprometidos em oferecer mais escolhas para as pessoas.

A postura da empresa revela um duplo padrão. Nos Estados Unidos, após uma série de revelações feitas pela imprensa, a corporação decidiu divulgar os investimentos desde 2010 não apenas em pesquisa, mas em organizações da sociedade civil. Foram US$ 140 milhões, em torno de R$ 430 milhões. Historicamente, atividade física é um assunto preferencial, ao lado das pesquisas que tentam atenuar os efeitos negativos do açúcar e dos adoçantes, dois elementos básicos da fórmula dos produtos vendidos pela Coca.

Apesar dos escândalos, o interesse da empresa pelo tema não diminuiu. Nomeada em 2017 por Donald Trump, a nova chefe do Centro para o Controle de Doenças (CDC), Brenda Fitzgerald, teve trabalhos financiados pela Coca, a quem considera uma aliada na luta contra a obesidade. Após sucessivas polêmicas, Brenda deixou o cargo com a revelação de que comprou dezenas de milhares de dólares em ações de empresas de tabaco, justamente um tema central na atuação do CDC.
Trata-se do principal centro de saúde pública dos Estados Unidos, localizado justamente em Atlanta, sede da Coca. Antes do caso de Brenda, a imprensa abordou a relação entre o então assessor especial de Saúde Global do centro, Michael Pratt, e a corporação dos refrigerantes. Ele era um dos propulsores do ISCOLE, Estudo Internacional de Obesidade, Estilo de Vida e Ambiente na Infância, que buscava realizar uma pesquisa em toda a América Latina, justamente uma das áreas com maior evidência de correlação entre aumento do consumo de bebidas açucaradas e obesidade.

Entre 2010 e 2014, o ISCOLE recebeu US$ 6,4 milhões, o que inclui o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), comandado por Victor Matsudo e criador do Agita São Paulo. Ele é próximo ao International Life Sciences Institute (ILSI), criado pela Coca na década de 1970 e que, como mostramos, busca influenciar a agenda regulatória de saúde no Brasil.

Sabemos que, após o fim do ISCOLE, os recursos da Coca se direcionaram a uma iniciativa similar. O Estudo Latino-americano de Nutrição e Saúde (Elans) é encabeçado pelo brasileiro Mauro Fisberg, coordenador da Força-Tarefa Estilos de Vida Saudáveis do ILSI, e Irina Kovalskys, do ILSI Argentina. “São 12 mil casos avaliados entre adolescentes, adultos e sênior. É um estudo caríssimo. São amostras representativas, e amostra representativa é uma coisa complexa, especialmente em países grandes”, conta Fisberg.

Os resultados ainda não foram publicados e a coleta de algumas informações está em curso, mas o professor adianta uma parte: “Tem um gap mostrando que a obesidade se deve mais ao sedentarismo. É difícil fazer essa afirmação. Eu não gostaria. Mas os números mostram que a gente tem muito menos gente comendo mais do que deveria do que gente fazendo atividade física.”

Em 2002, alguns cientistas acordaram de manhã com um brinde na caixa de correios: “O uso de refrigerantes e a saúde humana” é um artigo de revisão, ou seja, um trabalho que revisa as evidências acumuladas sobre determinada questão. Neste caso, refrigerantes. Os autores, Mauro Fisberg e Olga Amâncio, da Unifesp, e Ana Maria Pitta Lottenberg, da USP, acusavam haver preconceito contra a bebida, “pouco compreendida pelos profissionais da área de saúde”. “Inúmeros alimentos artificiais, industrializados há anos, têm livre trânsito nas clínicas, consultórios e ambulatórios ou são pouco combatidos por estes mesmos profissionais, que rechaçam de forma cabal o uso de uma bebida que, na realidade, é utilizada para seu uso próprio, sem qualquer restrição.”

À época havia vários estudos jogando a responsabilidade para a gordura. E para os obesos, acusados de preguiça, de maneira que uma solução apontada pelos autores era o programa Agita São Paulo, coordenado por Victor Matsudo. Alguns dos estudos citados na bibliografia foram financiados pela indústria de refrigerantes.
Não sabemos quanto Matsudo recebe pelas palestras que dá a comunicadoras na sede da Coca. O mesmo vale para a professora Maria Cecília de Figueiredo Toledo, aposentada da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. Em outubro de 2014, ela deu palestra a blogueiros no Rio de Janeiro. Um encontro desse tipo tem resultado garantido para a corporação, já que vários deles saem reproduzindo as informações divulgadas pelos especialistas convocados. É uma aposta nos microinfluenciadores digitais, cenário que se abriu e consolidou nos últimos anos. “A marca mostra que sim, é possível beber o refrigerante com moderação, desde que você faça sua parte e corra atrás para manter sua saúde”, resumiu um dos blogueiros presentes.

Na ocasião, Maria Cecília gravou um bate-papo com uma das comunicadoras para divulgar uma espécie de resumo do que havia sido a palestra. “A partir de 12 semanas a criança pode consumir adoçante. E realmente é uma questão de cultura, de hábito alimentar. A uma criança obesa pode ser recomendado que consuma.”
A indústria de refrigerantes faz um esforço constante por conter danos relacionados à divulgação de informações sobre adoçantes. No começo de 2017, o ILSI realizou um encontro no qual Maria Cecília adotou o tradicional tom assertivo contra a ideia de que esses aditivos provocam danos à saúde. Na ocasião, ela falou que é preciso levantar dados sobre consumo entre crianças e que o ILSI estaria disposto a financiar esse estudo. “Se vocês souberem quem possa fazer essa pesquisa…”

(fonte: http://outraspalavras.net/ojoioeotrigo/2018/02/transparente-nos-eua-coca-cola-adota-segredo-sobre-relacao-com-pesquisadores-no-brasil/)

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Novo número da Revista Espaço Acadêmico

Revista Espaço Acadêmico acaba de publicar o número mais recente em http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico.

Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.

Agradecemos seu interesse em nosso trabalho,
Antonio Ozaí da Silva
UEM, Maringá
Fone 44 - 3011-4288

Revista Espaço Acadêmico
v. 17, n. 201 (2018): Revista Espaço Acadêmico, n. 201, fevereiro de 2018
Sumário

direito
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Quando a filosofia pode ser entrave à resolução de problemas
eminentemente jurídicos (01-10)
Amaral Roque Bueno

educação
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A importância da diversidade na educação: um olhar sobre a cultura afro-brasileira (11-20)
Moises Daniel de Sousa dos Santos

ensino em história
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Cinema, cultura e ensino de História: considerações sobre o uso do recurso cinematográfico em sala de aula (21-30)
Rodrigo Luis dos Santos

geografia
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As transformações socioambientais na bacia hidrográfica do Utinga: agravantes para os lagos Bolonha e Água Preta (31-42)
Fabrício César da Costa Rodrigues, Lidiane Oliveira Matos

As renitências das escalas geográficas: descentralização, regionalismo e o sistema de governança da nova PNDR para a gestão do território (43-55)
Ricardo Nagliati Toppan

história
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Intermitências entre velhice e memória (56-67)
Josiane Nava, Samuel Klauck

O acervo documental na escola: preservando o passado (68-76)
Simone Aparecida Dupla

letras
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A retórica da sedução e do poder em "O casamento do céu e do inferno" de William Blake (77-89)
Dênis Sebastião Ramos Firmino

linguística
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Aquisição da linguagem e aspectos fonológicos e socioculturais (90-100)
Luzia Klunk

sociologia jurídica
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Vedetismo e partidarismo no poder judiciário: os olhos abertos do Direito Penal (101-111)
Renato Nunes Bittencourt

resenhas & livros
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Meios segredos da Constituinte (112-115)
Cássio Augusto Guilherme

Nova tradução brasileira dos "Manuscritos econômico-filosóficos", de Karl Marx (116-118)


José Francisco Lopes Xarão