domingo, 14 de janeiro de 2018

Para especialista, conceito de alimentos ultraprocessados confronta a indústria, que insiste em negar seus malefícios à saúde

Baixo custo e pouco valor nutricional são receita de ultraprocessados.
A reportagem é publicada por Jornal da USP, 08-01-2018.
Salgadinhos, refrigerantes e biscoitos: alimentos ultraprocessados feitos com ingredientes de baixo custo e pouco valor nutricional – muito açúcar, sódio, aditivos e sal. Produzidos com o intuito de serem “irresistíveis” e consumidos facilmente, esses alimentos oferecem riscos à saúde ao promover a obesidade, diabete e outras doenças crônicas relacionadas à alimentação.
Estudos sobre esses produtos e sua influência na saúde humana foram apresentados na revista científica Public Health Nutrition (volume 21, 2018), editada pela Sociedade Britânica de Nutrição. O número especial é dedicado à classificação criada pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USPsobre o grau de processamento industrial de alimentos.
“É uma proposta metodológica que tem impacto no primeiro mundo”, afirma o professor Carlos Augusto Monteiro da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e membro do Nupens. Para ele, os artigos confirmam a hipótese sobre os ultraprocessados não serem saudáveis. Mais do que isso, o professor acredita que a classificação possui dimensão política, pois confronta a indústria alimentícia, que insiste em negar os malefícios desses alimentos à saúde. A maioria das embalagens dos ultraprocessadosverificados em um estudo na Austrália, por exemplo, trazia declarações nutricionais enganosas e os apresentava como “saudáveis”, apesar da alta prevalência de adição de açúcares adicionados e do questionável valor nutricional. Para a autora do estudo, o grau de declarações inadequadas ou imprecisas presentes é preocupante, particularmente em embalagens destinadas a atrair crianças.

Origem

A classificação denominada “Nova” foi proposta pela primeira vez em um artigo publicado em 2009 pela mesma revista. Desde então, vem sendo utilizada em estudos sobre sistema alimentar, dieta e saúde, em documentos técnicos de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Pan-Americana de Saúde, na orientação de políticas públicas em alimentação e nutrição e na construção de guias nacionais para a promoção da alimentação saudável e sustentável.
O conceito é fruto do projeto temático Consumo de alimentos ultraprocessados, perfil nutricional da dieta e obesidade em sete países e se divide em quatro classificações. A primeira categoria é composta de alimentos in natura, que devem ser a base da alimentação, como frutas e hortaliças. O segundo grupo é formado por ingredientes relativos à preparação culinária, o óleo, sal e açúcar, por exemplo. Já o terceiro são os alimentos preparados com adição de sal, açúcar ou outras substâncias do grupo dois, são eles: queijo, pães, legumes em conserva, entre outros. A última categoria se refere aos ultraprocessados.
A publicação traz 26 artigos assinados por pesquisadores de universidades e centros acadêmicos de vários países, incluindo ArgentinaAustráliaBrasilCanadáChileColômbiaEstados UnidosFrançaInglaterraMéxico, Nova ZelândiaLíbano Uruguai.
Os artigos publicados na revista Public Health Nutrition podem ser conferidos no site Cambridge Core.
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/575067-para-especialista-conceito-de-alimentos-ultraprocessados-confronta-a-industria-que-insiste-em-negar-seus-maleficios-a-saude)

Nós, a História e as redes sociais

Por Jaime Pinsky, historiador e editor, doutor e livre docente da USP, professor titular da Unicamp.

Olhar para trás é humano. Com a laicização do mundo ocidental e o fim das certezas reveladas, antes garantidas pelas religiões, fomos ficando cada vez mais inquietos sobre o sentido de nossas vidas neste planeta. Com relação ao futuro, restou apenas o medo, no máximo uma esperança difusa. Restava fuçar nossas origens: levantamos histórias de aldeias perdidas nos Apeninos ou nas alagadas planícies da Europa Oriental e alimentamos a esperança de que memórias da família ou apenas recordações esparsas que coletamos com o auxílio dos mais velhos seriam capazes de nos tranquilizar em relação às nossas raízes. Líamos, estudávamos. Queríamos confirmar que éramos alguém.
Raízes sonhadas, raízes temidas. Poucos temos o despojamento de um famoso historiador brasileiro, oriundo de família supostamente aristocrática, que, perguntado sobre como seus ancestrais haviam amealhado fortuna, revelou que, ao contrário dos mitos de origem em voga, tratava-se de ladrões de cavalos e muares na Feira de Sorocaba, ainda na primeira metade do século XIX. Isso nunca teria acontecido com os nossos, é claro. Nossos avós eram intelectuais que não conseguiram estudar por terem que trabalhar para sustentar os irmãos mais novos, ou nobres que, por motivos políticos abandonaram uma situação privilegiada na Europa para se transformarem em camponeses de café no Brasil. Na pior das hipóteses era gente comum, mas séria, trabalhadora, tipos agregadores, daí as famílias tão bem estruturadas…
Nas festas o pessoal se juntava para compartilhar o peru, ou o leitão, o arroz de forno com legumes e carne moída (que comida é esta, meu Deus, de onde veio?) ou a massa quase afogada em molho de tomate ralo. Em famílias oriundas do Vêneto costumava-se preparar uma polenta para guarnecer o ossobuco. Aos poucos, as mulheres foram cedendo aos homens o direito – e a obrigação – da comida nas comemorações e o churrasco substituiu quase tudo. A linguiça barata para “encher a pança” dos mais famintos, a costela pingando gordura, a asinha ressecada de frango e, para os pacientes, a picanha, essa glória dos churrasqueiros tupiniquins, assada lentamente, deixada para o final, para os entendidos. Sempre havia reclamações. A Michelle, que virou vegetariana, não se conformava em se alimentar apenas de saladas em datas especiais e  lembrava saudosa da maionese da vó. O Marcos, primeiro da família a entrar na universidade – e logo em Medicina, um talento –, que pedia o retorno da família às origens italianas, afinal, um vinhozinho não faria mal a ninguém e era melhor do que a cervejinha “aguada”. E tinha também o tio Ricardo que, para não perder a fama de espírito de porco, reclamava de tudo e ainda levava de volta pra casa um fundinho de sorvete de creme barato que ele trazia em pote de dois litros. Mas, no geral, o ambiente era muito gostoso, família. Começava e acabava com abraços e beijos, reservados no começo, calorosos no final. Ninguém se importava com o cheiro de carne que perseguia os diferentes ramos familiares na volta para casa: ele só se fazia notar em um ou outro adolescente avesso ao banho, sporcaccione nato.
De pouco tempo pra cá as histórias de família não têm mais tido o mesmo sucesso. Não só a garotada dá um rosnado de insatisfação ao ter sua atenção chamada para ouvir o tio com suas velhas histórias “que não têm nada a ver”, mas mesmo a Cotinha, de solteirona cordata e generosa (ajudou a montar o enxoval de várias sobrinhas, e tudo com cretone de qualidade), transformou-se em uma militante do Facebook. A partir de suas próprias fontes de informação formula opiniões sobre tudo, de buracos da cidade (cavoucados durante a noite por inimigos do prefeito atual) à guerra civil na Síria (o Fuad da Kibelândia me disse que foi provocada por Trump junto com o primeiro-ministro de Israel), não esquecendo de problemas sociais (aborto é coisa do demo), esportivos (Brasil não ganha mais a Copa enquanto não acabarem com os terreiros de umbanda por aqui) e culturais (não é uma pouca vergonha uma mãe mandar a filha botar a mão em homem pelado, inda mais em público?).
Tia Cotinha lidera um grupo que rachou a família: ela se recusa a confraternizar com alguns “devassos” que, segundo ela, nem parecem ser da mesma família. Para não se encontrarem, uns e outros não vão mais aos churrascos. Mesmo porque, dizem, tem gente de lá que fez algumas escolhas esquisitas, do tipo viver com gente do mesmo sexo. E, pior que tudo, tiveram o descaramento de colocar fotos no Face.

A solução para a Terra não cai do céu


“A era ezóica representa uma restauração do planeta mediante uma relação de cuidado, respeito e reverência face a esse dom maravilhoso da Terra viva. A economia não é da acumulação mas do suficiente para todos de modo que a Terra refaça seus nutrientes”, escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.

Eis o artigo.

O que vou escrever aqui será de difícil aceitação pela maioria dos leitores e leitoras. Embora o que diga seja fundado nas melhores cabeças científicas, que há quase um século, vêm pensando o universo, a situação do planeta Terra e seu eventual colapso ou um salto quântico para outro nível de realização, não penetrou, no entanto, na consciência coletiva nem nos grandes centros acadêmicos. Continua imperando o velho paradigma, surgido no século XVI com NewtonFrancis Bacon e Kepler, atomístico, mecanicista e determinístico como se não tivesse existido um Einstein, um Hubble, um Planck, um Heisenberg, um Reeves, um Hawking, um Prigogine, um Wilson, um Swimme, um Lovelock, um Capra e tantos outros que nos elaboraram a nova visão do universo e da Terra.
Para iniciar cito as palavras do prêmio Nobel de biologia (1974) Christian de Duve que escreveu um dos melhores livros sobre a história da vida: ”Poeira vital: a vida como imperativo cósmico” (Campus 1997): ”A evolução biológica marcha em ritmo acelerado para uma grave instabilidade. O nosso tempo lembra uma daquelas importantes rupturas na evolução, assinaladas por grandes extinções em massa” (p.355). Desta vez ela não vem de algum meteoro rasante como em eras passadas que quase eliminou toda vida, mas do próprio ser humano que pode ser não só suicida e homicida, mas também ecocida, biocida e por fim geocida. Ele pode pôr fim à vida no nosso planeta, deixando apenas os microorganismos do solo que se contam em quatrilhões de quatrilhões de bactérias, fungos e vírus.
Em razão desta ameaçada montada pela máquina de morte fabricada pela irracionalidade da modernidade, se introduziu a expressão antropoceno, uma espécie de nova era geológica na qual a grande ameaça de devastação se deriva do próprio ser humano (antropos). Ele interveio e continua intervindo de forma tão profunda nos ritmos da natureza e da Terra que está afetando as bases ecológicas que os sustenta. Segundo os biólogos Wilson e Ehrlich desaparecem entre 70 a 100 mil espécies de seres vivos por ano devido a relação hostil que o ser humano mantem com a natureza. A consequência é clara: a Terra perdeu seu equilíbrio e os eventos extremos o mostram irrefutavelmente. Só ignorantes como R.Trump negam as evidências empíricas.
Em contrapartida, o conhecido cosmólogo Brian Swimme que na Califórniacoordena uma dezena de cientistas que estudam a história do universo se esforçam para apresentar uma saída salvadora. En passant se diga que B. Swimme, cosmólogo e o antropólogo das culturas Thomas Berry, publicaram, com os dados mais seguros da ciência, um história do universo, do big-bang até os dias atuais (The Universe Story, San Francisco, Harpert 1992) conhecido como o mais brilhante trabalho até hoje realizado. A tradução foi feita mas a tolice dos editores brasileiros predominou e até hoje não foi lançado. Criaram a expressão a era ecozóica ou o ecoceno, uma quarta era biológica que sucede ao paleozóico, ao mesozóico e ao nosso neozóico. A era ecozóicaparte de uma visão do universo em cosmogênse. Sua característica não é a permanência mas a evolução, a expansão e a auto-criação de emergencias cada vez mais complexas que permitem o surgimento de novas galaxias, estrelas e formas de vida na Terra, até a nossa vida consciente e espiritual. Não temem a palavra espiritual porque entendem que o espírito é parte do próprio universo, sempre presente mas que num estágio avançado da evolução se tornou em nós autoconsciente, percebendo-nos como parte do Todo.
Esta era ezóica representa uma restauração do planeta mediante uma relação de cuidado, respeito e reverência face a esse dom maravilhoso da Terra viva. A economia não é da acumulação mas do suficiente para todos de modo que a Terra refaça seus nutrientes.
O futuro da Terra não cai do céu mas das decisões que tomarmos no sentido de estarmos em consonância com os ritmos da natureza e do universo. Cito Swimme: ”O futuro será determinado entre aqueles comprometidos com o Tecnozóico, um futuro de exploração crescente da Terra como recurso, tudo para o benefício dos humanos e aqueles comprometidos com o Ecozóico, um novo modo de relação para coma Terra em que o bem-estar de toda a comunidade terrestre é o principal interesse”(p.502).
Se esse não predominar conheceremos possivelmente uma catástrofe, desta vez efetuada pela própria Terra, para se livrar de uma de suas criaturas que ocupou todos os espaços de forma violenta e ameaçadora das demais espécies, que, por terem a mesma origem e o mesmo código genético, são seus irmãos e irmãs, não reconhecidos mas maltratados e até assassinados. Temos que merecer subsistir nesse planeta. Mas isso depende de uma relação amigável para com a natureza e a vida e uma profunda transformação nas formas de viver. Swimme ainda acrescenta: ”Não poderemos viver sem aquele insight especial que as mulheres têm em todas as fases da existência humana”(p.501).
Essa é a encruzilhada de nosso tempo: ou mudar ou desaparecer. Mas quem crê nisso? Nos gritamos.
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/575047-a-solucao-para-a-terra-nao-cai-do-ceu)

Lixo eletrônico representa ‘crescente risco’ ao meio ambiente e à saúde humana, diz relatório da ONU

O crescente volume de lixo eletrônico, incluindo produtos descartados com bateria ou tomada, tais como celulareslaptopstelevisoresrefrigeradores e brinquedos eletrônicos, representam uma importante ameaça ao meio ambiente e à saúde humana, alertaram as Nações Unidas em dezembro (13).
A reportagem é publicada por ONU Brasil, 05-01-2018.
Em 2016, foram gerados 44,7 milhões de toneladas métricas de resíduos eletrônicos, um aumento de 8% na comparação com 2014. Especialistas preveem um crescimento de mais 17%, para 52,2 milhões de toneladas métricas, até 2021.
O crescente volume de lixo eletrônico, incluindo produtos descartados com bateria ou tomada, tais como celulareslaptopstelevisoresrefrigeradores e brinquedos eletrônicos, representam uma importante ameaça ao meio ambiente e à saúde humana, alertaram as Nações Unidas em dezembro (13).
“A proteção do meio ambiente é um dos três pilares do desenvolvimento sustentável (…). A gestão do lixo eletrônico é uma questão urgente no mundo digitalmente dependente de hoje, onde o uso de aparelhos eletrônicos está aumentando”, disse Houlin Zhao, secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT).
O relatório “Global E-Waste Monitor 2017”, lançado por UITUniversidade da ONU e Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA, na sigla em inglês), enfatiza os crescentes volumes de lixo eletrônico e seu descarte e tratamento impróprios por meio de queimadas ou lançamento em lixões.
Em 2016, foram gerados 44,7 milhões de toneladas métricas de resíduos eletrônicos, um aumento de 8% na comparação com 2014. Especialistas preveem um crescimento de mais 17%, para 52,2 milhões de toneladas métricas, até 2021.
Em 2016, apenas 20%, ou 8,9 milhões de toneladas métricas, de todo o lixo eletrônicoforam reciclados.
“O Global E-Waste Monitor serve como uma fonte valiosa para governos desenvolverem suas necessárias estratégias políticas, de gestão e padronização para reduzir os efeitos adversos do lixo eletrônico para a saúde e o meio ambiente”, disse Zhao.
Com 53,6% dos domicílios globais acessando a Internet, as legislações e políticas nacionais de lixo eletrônico têm importante papel em governar as ações dos atores envolvidos no tema.
Atualmente, 66% da população mundial, vivendo em 67 países, está coberta por leis nacionais de gestão do lixo eletrônico, um aumento significativo frente aos 44% de 2014.
As baixas taxas de reciclagem podem ter impactos econômicos negativos. Em 2016, foi estimado que o lixo eletrônico continha depósitos de ouro, prata, cobre, paládio e outros materiais recuperáveis, cujo valor total era estimado em 55 bilhões de dólares.
(fonte: http://www.ihu.unisinos.br/574984-lixo-eletronico-representa-crescente-risco-ao-meio-ambiente-e-a-saude-humana-diz-relatorio-da-onu)

É fácil e indolor matar ao longe

Novo livro narra rotina macabra dos operadores de drones, homens suaves que eliminam os “inimigos” dos EUA. Mais de 6.300 já foram assassinados — centenas de crianças. Mas, não sendo brancos, serão humanos?
Por Nuno Ramos de Almeida

Vamos relatar isto com um ambiente feliz, misturado com torradas, de uma família dos EUA, como naqueles filmes com uma estética dos anos 50, em que o marido está impecavelmente vestido e às crianças é servida, pela solícita e loura mulher da família, a mais importante refeição do dia. Vamos esclarecer um pequeno ponto prévio: aqui, quando falamos em europeus, não incluímos as pessoas de várias cores que vivem do Atlântico aos Urais, mas, regra geral, falamos dos brancos, vivam na Áustria ou na Austrália, nos EUA ou até em Israel, porque, aqui, europeus são os descendentes da cultura e dos povos que habitaram o Velho Continente desde meados da Idade Média, excluindo os árabes que andaram pela península Ibérica.Mas voltemos ao café da manhã: ovos, café, suco de laranja. Finda a feliz refeição no lar, seguem-se as despedidas consagradas pelo sagrado matrimônio e pela paternidade; a esposa vai levar as crianças à escola de carro; e o marido segue responsavelmente, de carro, para o trabalho.Passa por uma cancela eletrônica, entra num edifício em que se identifica com um cartão e uma espécie de relógio de ponto com impressões digitais. Muda de roupa no vestiário das instalações, guarda o terno e a gravata no respectivo armário. Dirige-se, agora com sua farda militar, para o turno de trabalho, numa espécie de contêiner junto ao edifício principal. É um orgulhoso membro da força aérea dos EUA, um piloto com centenas de missões, feitas em turnos de meia dúzia de horas, e milhares de “inimigos” dos EUA abatidos. Nunca voou, ele próprio, para fora do seu país, mas as suas missões são executadas em todo o globo terrestre.A conversa que se segue é oficial, está gravada e registada pelos próprios militares para uma avaliação contínua da sua performance. 

O conteúdo faz parte da introdução do livro Theorie du drone, do filósofo francês Grégoire Chamayou. É uma descrição de vários operadores de um desses aparelhos. Por uma questão de economia de texto – dura um capítulo inteiro –, vou resumir o que é dito, mas sem alterar um substantivo sequer de seu conteúdo.180110-DroneEra de noite no Afeganistão e, antes que o sol se levantasse para o dia começar, os drones tinham observado um comportamento “anormal” no terreno. A noite acabava e um grupo de pessoas preparava-se para viajar num conjunto de veículos. “Dá pra fazer um zoom para se ver melhor?”, pedia o oficial. “São pelo menos quatro que estão entrando na picape”, diz um deles; “repare que um deles, que está mais ao norte, parece pressionar alguma coisa contra o peito”, acrescenta outro. “É o que ultimamente eles andam a fazer: metem a merda das armas dentro da roupa, para que não possamos fazer uma identificação positiva.” O piloto e o operador vigiam a cena num monitor, estão vestidos com uma farda militar cáqui, têm sobre os ombros o símbolo da sua unidade, usam fones, estão sentados lado a lado diante de painéis onde se observam várias luzes de aparelhos eletrônicos, mas não estão exatamente no cockpit de um avião. As imagens captadas no Afeganistão pelo drone armado (um aparelho voador não tripulado) são enviadas via satélite para a base de Creech, não muito distante de Indian Springs, no Estado norte-americano de Nevada.Esta base é descrita, com orgulho, pelos próprios militares, como “a casa dos caçadores”. O trabalho é normalmente entediante, noites inteiras de vigilância para alguns momentos de ação, entre  uma barra de chocolate e outra; até que serão rendidos na manhã seguinte por um outro turno de homens.

Encerrado o expediente, o piloto e o operador voltarão de carro para as suas famílias e casas nos arredores de Las Vegas, depois de uma viagem de 45 minutos. Neste dia e neste momento registrados no livro de Chamayou, têm de tomar uma decisão. Os passageiros dos três veículos, que partiram há poucos minutos da pequena aldeia da província afegã de Daikundi, não sabem que estão sob observação aérea. Para a decisão da sua eliminação estarão presentes, não só o piloto e o operador, mas um coordenador de missão, um “observador de segurança”, uma equipe de analistas de vídeo e “um comandante das forças terrestres”, que dará a luz verde ao morticínio. Pelo caminho vão comentando: “Não consigo identificar armas, mas devem estar escondidas.” “O caminhão vai dar um excelente alvo, é um Chevy Suburban”, diz descontraidamente o observador, com o assentimento do piloto. O coordenador da operação repara que pode haver “pelo menos uma criança, perto da viatura”. “Merda”, exclama o operador, “não me pareceu ver alguma coisa assim tão pequena, não será um adolescente?” “Temos de verificar”, anota com enfado o coordenador. “Estão a rezar. Parecem adolescentes”, nota um. “Adolescentes? Isso já se pode eliminar.”Passadas umas dezenas de minutos, monitorados e alimentados por dados do drone, tratados por um algoritmo que permite calcular percentagens de cenários, baseadas num conjunto de estereótipos que aponta decisões, é dada, depois da oração das vítimas, ordem de ataque. Nesta operação, porque está presente um único drone, este vai ser auxiliado por dois helicópteros de ataque. Quatro horas depois do início da observação e minutos depois da destruição dos três veículos, faz-se o balanço. Operador: “Quem são estes? Eles estavam no veículo do meio”. O coordenador: “São mulheres e crianças”. O observador: “Parece uma criança, aquele que agita uma bandeira”. O operador: “Neste momento não me sinto à vontade para disparar sobre ele.” “Não”, concorda o coordenador.

Para minorar estes pequenos enganos, as estatísticas militares dos EUA passaram a considerar combatentes de guerra toda pessoa do sexo masculino, esteja ou não armada, “reduzindo” assim em muito as baixas colaterais.No entanto, de acordo com The Intercept, as estimativas oficiais em 2017 apontam para cerca de 3 mil mortes através de ataques conduzidos por aviões não tripulados (drones) em quatro países (Afeganistão, Iêmen, Paquistão e Somália). O Centro de Direitos Humanos da Columbia Law School (EUA) e o Centro de Estudos Estratégicos de Saná (Iêmen) denunciam a falta de transparência no que toca à divulgação do número de vítimas. As estimativas oficiais reconhecem apenas 2.935 vítimas mortais, enquanto The Bureau of Investigative Journalism (TBIJ), uma organização de jornalistas investigativos sem fins lucrativos, indica entre 6.382 e 9.240 mortos por ataques com drones desde 2004.O número de civis assassinados é estimado pelo TBIJ entre 739 e 1.407, a que se somam entre 240 e 308 crianças. 

De acordo com The Intercept, os dados podem esconder um número ainda maior de vítimas civis, já que os EUA têm conduzido ataques com drones sobre “homens em idade militar” nas zonas onde operam – inclusivamente durante “casamentos, funerais e outras ocasiões comunitárias”.O mais interessante é que, embora haja organismos que aprovam e se responsabilizam por estas operações, muitas delas em países com os quais os EUA não estão oficialmente em guerra, nem os deputados norte-americanos foram chamados a pronunciar-se sobre estas agressões. Grande parte das decisões são tomadas por dados recolhidos pelos próprios drones e avaliados a partir de conclusões que os computadores dessas máquinas voadoras considerem “padrões mais prováveis”. Há gente assassinada devido ao “pensamento” e conclusões dos computadores de drones, que assassinam pessoas que, pelo visto, os europeus e os seus descendentes julgam não ser gente que pense o suficiente para merecer viver. Aliás, tecnicamente, já é possível programar essas máquinas para executarem diretamente pessoas, sem intervenção e decisão humana, apenas por uma tomada de decisão baseada na existência de determinados padrões que configurem a existência de uma “atividade terrorista”.

Do ponto de vista da escala de valores, teríamos em primeiro lugar os “europeus” capazes de pensar; em segundo lugar, as máquinas, criadas por eles, capazes de assumir a liquidação de “sub-humanos”; e, em terceiro lugar, todos os bípedes não brancos e não pertencentes às monarquias do Golfo. Nas cidades da Europa e dos EUA, a lógica repete-se: ser cidadão depende muito da cor da pele e do bairro onde se habita.Para isto acontecer com os drones, e como acontece no dia-a-dia em países como Israel, é preciso uma filosofia sobre o outro que o torne desumano. Só isso pode justificar que sejam presos menores e condenados a penas de dezenas de anos de cadeia. Isto só é possível porque há uma ideologia, não publicamente assumida, de que há humanos e que há outros bípedes que podem ser agredidos, detidos, torturados e mortos.O caso da prisão da adolescente palestina Ahed Tamimi é um símbolo dessa ideia de uma raça superior que tem o direito de matar tudo o resto. A jovem de 16 anos tentou agredir soldados israelenses minutos depois de o seu primo de 15 anos ter recebido um tiro no rosto, à queima-roupa, de uma bala de borracha, ficando à beira da morte. Foi detida juntamente com os seus familiares e arrisca-se, segundo a imprensa local, uma pena de prisão que ultrapassa os dez anos. Não consta que o militar israelense que disparou contra o primo tenha qualquer problema em continuar a fazê-lo. A legislação de Israel prevê a prisão de crianças a partir dos 12 anos. O caso que acontece todos os dias na Palestina ocupada só teve um maior destaque porque as redes sociais viralizaram o sucedido e a jovem, que já se tinha oposto, com 12 anos, à derrubada da sua casa, é loura e tem os olhos azuis, como uma europeia.
A pergunta retirada de Hamid Dabashi “Os Não Europeus Pensam?” serve para nos esclarecer duas coisas: a base do massacre dos pobres e dos povos explorados deste mundo começa numa operação ideológica em que lhes é retirada a sua humanidade. E, bem vistas as coisas, é mais provável que os carrascos ditos europeus não pensem do que as suas vítimas não sejam humanas. O sofrimento é humano, a violência dos carrascos é inumana.
(fonte: https://outraspalavras.net/destaques/e-facil-indolor-matar-do-longe/)

Chamada para artigos na Revista Brasileira de História

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A Anpuh-Brasil e a Revista Brasileira de História convidam você a mandar uma colaboração inédita, resultante de pesquisa original.

Chamadas de artigos/ Call for papers:

1 - História dos arquivos e da arquivologia (prazo: 22 de janeiro de 2018)

2 - Por escravos e libertos (prazo: 05 de março de 2018)

3 - Rios e sociedades (prazo: 30 de junho de 2018)

4 - Fronteiras amazônicas (prazo: 23 de novembro de 2018)



1- Dossiê: História dos arquivos e da arquivologia

Organização: Renato Pinto Venancio (ECI-UFMG)

As pesquisas sobre a história dos arquivos e da arquivologia são pouco desenvolvidas no Brasil. Há muito ainda a ser explorado. Como se organizavam, na Época Moderna, os arquivos no reino português, principalmente aqueles que também exerciam funções de controle no ultramar? Como se organizavam e se organizam atualmente os arquivos civis e religiosos, locais e regionais? Quais foram os modelos e as adaptações necessárias no processo de constituição do Arquivo Nacional do Brasil? Como ocorreu a formação da arquivologia no Brasil, enquanto área de conhecimento científico e conjunto de procedimentos técnicos de gestão documental? Quais foram as primeiras iniciativas de educação patrimonial em arquivos e quais são seus atuais desafios? Uma história dos serviços arquivísticos e de suas funções (produção, classificação, avaliação, aquisição, conservação, descrição e difusão) é possível? Quais são os riscos atuais de destruição dos arquivos brasileiros? Quais foram e quais são os usos abusivos da microfilmagem e da digitalização? Enfim, quais são os dilemas da arquivologia brasileira no tempo presente?
Este dossiê se propõe a responder essas perguntas. Trata-se, sem dúvida, de um grande desafio. Entretanto, torna-se necessário enfrentá-lo imediatamente, uma vez que as instituições arquivísticas e o patrimônio documental brasileiro estão ameaçados pela não preservação dos documentos nato-digitais ou por uma compreensão equivocada da reformatação digital dos documentos gerados em suportes tradicionais.

Os interessados devem submeter seus manuscritos, resultado de pesquisa histórica original, até o dia 22 de janeiro de 2018 por meio do site http://www.scielo.br/rbh. Os textos devem obedecer rigorosamente as normas para publicação, disponíveis em http://www.scielo.br/revistas/rbh/pinstruc.htm.
A Revista Brasileira de História estimula a que se submetam resenhas de livros com a temática do dossiê, nos mesmos prazo e condições acima.

Authors shall submit their manuscripts, resulting of unpublished historic research, or book reviews, before January 22nd, 2018, through http://www.scielo.br/rbh. Texts shall rigorously respect the publication guidelines available in http://www.scielo.br/revistas/rbh/iinstruc.htm.

Los autores deben someter sus manuscritos, resultantes de investigación histórica original, o reseñas de libros, hasta el 22 de enero de 2018 por el site http://www.scielo.br/rbh. Los textos deben seguir rigurosamente las normas de presentación disponibles en http://www.scielo.br/revistas/rbh/einstruc.htm.



2 - Dossiê: Por escravos e libertos

Organização: Silvia Hunold Lara (Unicamp)

Os estudos sobre a escravidão e a liberdade floresceram nas últimas décadas e há um grande volume de pesquisas sobre o comércio de cativos, as relações entre senhores e escravos, as formas de alforria, a religiosidade, os dilemas do pós-abolição, entre outros temas relevantes. Mas ainda sabemos pouco sobre o que escravos e libertos pensavam a respeito da escravidão e da liberdade e como enfrentavam os desafios que ambas lhes impunham. Como índios, africanos e seus descendentes escravizados e submetidos a outras formas de trabalho compulsório percebiam o mundo em que viviam? A partir de quais valores e ideias agiam para modificar suas vidas e as de seus familiares e companheiros? O que significava ser escravo, forro, aldeado ou administrado? Como agiam os que buscavam a liberdade? Quais os perigos enfrentados quando obtinham a alforria ou passavam a viver como livres? Quais os significados do cativeiro ou da liberdade para eles?
Este dossiê se propõe a enfrentar o desafio de responder a essas perguntas e, ao mesmo tempo, discutir questões teóricas e metodológicas envolvidas na abordagem da história da escravidão e da liberdade no Brasil do ponto de vista dos escravos e dos libertos.

Os interessados devem submeter seus manuscritos, resultado de pesquisa histórica original, até o dia 05 de março de 2018 por meio do site http://www.scielo.br/rbh. Os textos devem obedecer rigorosamente as normas para publicação, disponíveis em http://www.scielo.br/revistas/rbh/pinstruc.htm.
A Revista Brasileira de História estimula a que se submetam resenhas de livros com a temática do dossiê nos mesmos prazo e condições acima.

Authors shall submit their manuscripts, resulting of unpublished historic research, or book reviews, before March 5th, 2018, through http://www.scielo.br/rbh. Texts shall rigorously respect the publication guidelines available in http://www.scielo.br/revistas/rbh/iinstruc.htm.

Los autores deben someter sus manuscritos, resultantes de investigación histórica original, o reseñas de libros, hasta el 5 de marzo de 2018 por el site http://www.scielo.br/rbh. Los textos deben seguir rigurosamente las normas de presentación disponibles en http://www.scielo.br/revistas/rbh/einstruc.htm.



3 - Dossiê: Rios e sociedades

Organização: José Augusto Pádua (UFRJ) e Rafael Chambouleyron (UFPA)

O território brasileiro veio sendo construído em um espaço marcado por enormes e complexas redes de milhares de rios agrupados em doze grandes bacias hidrográficas. A vida social aqui existente, em toda a sua diversidade geográfica, econômica e cultural, interagiu de maneira acentuada com esse movimento incessante das águas, seja em termos de mobilidade, de processos de territorialização, de práticas culturais ou de dinâmicas de exploração econômica. Os rios também estiveram muito presentes nos conflitos armados e nas disputas por domínio político, assim como na própria construção objetiva do estado nacional e de suas instituições.
Amazonas, São Francisco, Paraná e Tietê, entre tantos outros rios, se tornaram ícones no imaginário do Brasil.  A interação com os rios, que já era essencial para as sociedades indígenas, tornou-se um aspecto muitas vezes inescapável da vida concreta das sociedades na América portuguesa e no Brasil enquanto país, inclusive nos espaços litorâneos.  Mas quanto de fato os historiadores se debruçaram sobre a história das intricadas relações entre rios e populações na história do Brasil?  Talvez, uma historiografia muito centrada no litoral e na sua oposição ao sertão, como matriz fundante de uma ideia de nação (notadamente, a partir de finais do século XIX), tenha subestimado essa temática. O objetivo deste dossiê é o de apresentar pesquisas inéditas sobre a presença  dos rios na história do Brasil. Aceitam-se trabalhos que abordem quaisquer aspectos das interações históricas entre rios e sociedades,  sejam ambientais, socioeconômicos, culturais etc.  Desejamos assim incentivar um debate mais profundo e complexo sobre o papel das dinâmicas fluviais na compreensão do passado.
Apesar de centrar-se no caso brasileiro, o dossiê também aceitará contribuições que abordem outros contextos geográficos.

Os interessados devem submeter seus manuscritos, resultado de pesquisa histórica original, até o dia 29 de junho de 2018 por meio do site http://www.scielo.br/rbh. Os textos devem obedecer rigorosamente as normas para publicação, disponíveis em http://www.scielo.br/revistas/rbh/pinstruc.htm.
A Revista Brasileira de História estimula a que se submetam resenhas de livros com a temática do dossiê nos mesmos prazo e condições acima.

Authors shall submit their manuscripts, resulting of unpublished historic research, or book reviews, before June 29th, 2018, through http://www.scielo.br/rbh. Texts shall rigorously respect the publication guidelines available in http://www.scielo.br/revistas/rbh/iinstruc.htm.

Los autores deben someter sus manuscritos, resultantes de investigación histórica original, o reseñas de libros, hasta el 29 de Junio de 2018 por el site http://www.scielo.br/rbh. Los textos deben seguir rigurosamente las normas de presentación disponibles en http://www.scielo.br/revistas/rbh/einstruc.htm.



4 - Dossiê: Fronteiras Amazônicas

Organização: Gabriel Becerra (Universidad Nacional de Colombia) e Sidney Lobato (Unifap)

A Amazônia é uma região cuja área abrange vários países da América do Sul e abriga diferentes territorialidades e modos de vida. Sua história foi marcada por conflitos, incompreensões e negociações em torno do uso e do significado da terra. Experiências protagonizadas por colonizadores europeus, povos indígenas, quilombolas, migrantes, grandes projetos de exploração agro-mineral e outros, que conformaram fronteiras cada vez mais estudadas pelos historiadores. O objetivo deste dossiê é, portanto, reunir estudos sobre experiências fronteiriças amazônicas (adstritas ou não aos marcos delimitadores dos territórios nacionais) para possibilitar o alargamento de nossa compreensão das várias formas de construção social do espaço existentes na Amazônia ao longo do tempo.

Os interessados devem submeter seus manuscritos, resultado de pesquisa histórica original, até o dia 23 de novembro de 2018 por meio do site http://www.scielo.br/rbh. Os textos devem obedecer rigorosamente as normas para publicação, disponíveis em http://www.scielo.br/revistas/rbh/pinstruc.htm.
A Revista Brasileira de História estimula a que se submetam resenhas de livros com a temática do dossiê nos mesmos prazo e condições acima.

Authors shall submit their manuscripts, resulting of unpublished historic research, or book reviews, before November 23rd, 2018, through http://www.scielo.br/rbh. Texts shall rigorously respect the publication guidelines available in http://www.scielo.br/revistas/rbh/iinstruc.htm.

Los autores deben someter sus manuscritos, resultantes de investigación histórica original, o reseñas de libros, hasta el 23 de Noviembre de 2018 por el site http://www.scielo.br/rbh. Los textos deben seguir rigurosamente las normas de presentación disponibles en http://www.scielo.br/revistas/rbh/einstruc.htm.
, seguindo as orientações gerais e as normas de formatação.


EXPEDIENTE

Informativo Eletrônico da ANPUH
Expediente: Francivaldo Alves Nunes (editor) e Pablo Serrano (secretário)
Todos os direitos reservados. www.anpuh.org
Fale conosco: secretaria@anpuh.org

domingo, 7 de janeiro de 2018

Novo numero da Revista Espaço Acadêmico

Revista Espaço Acadêmico
v. 17, n. 200 (2018): Revista Espaço Acadêmico, n. 200, janeiro de 2018
Sumário

antropologia
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Ditos e interditos: violência sexual, aborto e estigma em uma instituição de saúde pública (01-12)
Maynara Costa

direito
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Observação, controle e enfrentamento da improbidade no mundo: dados internacionais de transparência pública e sua relação com o desenvolvimento humano (13-25)
Charlyson Diego Sousa Cutrim

Da flexibilização das relações de trabalho e a consequente violação do mínimo existencial do trabalhador (26-36)
Rocco Antonio Rangel Rosso Nelson

educação
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Educação responsável e integral como bem comum mundial (37-48)
Clodomiro José Bannwart Júnior, Gleiton Lima

Política pública de educação: uma abordagem da extensão universitária na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) (49-62)
Lucas Carneiro Santos Veras

geografia
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Fluxo migratório para a cidade de Santa Cruz do Capibaribe (PE): uma análise no polo de confecções de Pernambuco (63-74)
João Paulo Silva Alencar, Márcio Balbino Cavalcante

literatura
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Masculinidades hegemônicas e subalternas em Lygia Bojunga (75-84)
Rosania Alves Magalhães

marxismo(s)
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Teoria do Estado e estratégia socialista no século XX: Lênin, Gramsci e os eurocomunistas (85-94)
Pedro Felipe Narciso

política
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As influências ideológicas no processo de construção da Constituição “cidadã” de 1988 (95-102)
Kézia Louzada Boa Sorte, Madson Mendes dos Santos

Ponte para o passado ou desordem e regresso (103-110)
Renato Nunes Bittencourt

Adeus à “Nova República”: esboço de mais uma via-crúcis da
democracia brasileira sob o convite do Estado de exceção (111-128)
Wellington Fontes Menezes

psicologia
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Ansiedade de separação: um estudo de caso com a abordagem da análise do comportamento (129-139)
Ana Rodrigues Vasconcellos

sociologia da educação
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Entre a luz e a escuridão: considerações sobre o Iluminismo e a instrução das mulheres (140-152)
Alan Ricardo Duarte Pereira, Camila Silva Cabral

resenhas & livros
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CARDOSO, Lucileide Costa; CARDOSO, Célia (Orgs.). Ditaduras: memória, violência e silenciamento. Salvador: Edufba UFBA, 2017 (670 p.) (153)
REA Editor

CASTRO, Rogério de. Nem prêmio, nem castigo! Educação, anarquismo e sindicalismo em São Paulo (1909-1919). Curitiba: Editora Prismas, 2017 (348 p.) (154)
REA Editor

CUNHA, Elcemir Paço. Marxismo e burocracia de Estado. Campinas: Editora Papel Social; 2017 (204 p.) (155)
REA Editor