quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Vamos de trem de Paris a Versalhes?


Sabe o que é isso?
Incrível! É o novo trem que leva de Paris a Versalhes. Ele foi todo decorado como se cada vagão fosse um aposento do Palácio! Olha só que coisa mais chique!!!




quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Aqui tambem divulgamos novidades literárias



Quero lhes apresentar o livro O INFERNO DE DANTE, voltado para alunos a partir do 5º ano, que tem as drogas como tema. Ele saiu em duas versões: o livro do aluno (literatura) e o livro do professor (literatura + proposta pedagógica). Sendo o tema sabidamente espinhoso para se tratar na escola, a obra oferece uma abordagem sensível e ao alcance dos alunos e dos professores.


Se desejarem contato com um divulgador, é só ligar para a FINO TRAÇO EDITORA:
3212-9444 e 3212-4197. Se optarem por um contato com a autora, é só ligar:
3277-4634 (APCBH) ou 2551-6449 (residência, após as 16:30h).

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A tragédia em Santa Maria (II)

Tragédia no RS: O que a morte não cessa de nos dizer

Vivemos em um mundo onde o direito à vida é, constantemente, sobrepujado por outros direitos. Tragédias como a de Santa Maria nos arrancam desse mundo e nos jogam em uma dimensão onde as melhores possibilidades humanas parecem se manifestar: o Estado e a sociedade, as pessoas, isolada e coletivamente, se congregam numa comunhão terrena para tentar consolar os que estão sofrendo. A morte nos deixa sem palavras. Mas ela nos diz, insistentemente: é preciso, sempre, cuidar dos vivos e da vida. O artigo é de Marco Aurélio Weissheimer.(Agência Carta Maior)

Porto Alegre - A dor provocada por tragédias como a ocorrida neste final de semana na cidade de Santa Maria sacode a sociedade como um terremoto, despertando alguns de nossos melhores e piores sentimentos. Um acontecimento brutal e estúpido que tira a vida de 233 pessoas joga a todos em um espaço estranho, onde a dor indescritível dos familiares e amigos das vítimas se mistura com a perplexidade de todos os demais. Como pode acontecer uma tragédia dessas? A boate estava preparada para receber tanta gente? Tinha equipamentos de segurança e saídas de emergência? Quem são os responsáveis?

Essas são algumas das inevitáveis perguntas que começaram a ser feitas logo após a consumação da tragédia? E, durante todo o domingo, jornalistas e especialistas de diversas áreas ocuparam os meios de comunicação tentando respondê-las. As redes sociais também foram tomadas pelo evento trágico. Os indícios de negligência e falhas básicas de segurança já foram apontados e serão objeto de investigação nos próximos dias. Mas há outra dimensão desse tipo de tragédia que merece atenção.

É uma dimensão marcada, ao mesmo tempo, por silêncio, presença e exaltação da vida. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, disse na tarde deste domingo que o momento não era de buscar culpados, mas sim de prestar apoio e solidariedade às milhares de pessoas mergulhadas em uma profunda dor. Não é uma frase fácil de ser dita por uma autoridade uma vez que a busca por culpados já estava em curso na chamada opinião pública. E tampouco é uma frase óbvia. Ela guarda um sentido mais profundo que aponta para algo que, se não representa uma cura imediata para a dor, talvez expresse o melhor que se pode oferecer para alguém massacrado pela perda, pela ausência, pela brutalidade de um acontecimento trágico: presença, cuidado, atenção, uma palavra.

Quem já perdeu alguém em um acontecimento trágico e brutal sabe bem que o caminho da consolação é longo, tortuoso e, não raro, desesperador. E é justamente aí que emerge uma das melhores qualidades e possibilidades humanas: a solidariedade, o apoio imediato e desinteressado e, principalmente, a celebração do valor da vida e do amor sobre todas as demais coisas. A vida é mais valiosa que a propriedade, o lucro, os negócios e todas nossas ambições e mesquinharias. Na prática, não é essa escala de valores que predomina no nosso cotidiano. Vivemos em um mundo onde o direito à vida é, constantemente, sobrepujado por outros direitos. Tragédias como a de Santa Maria nos arrancam desse mundo e nos jogam em uma dimensão onde as melhores possibilidades humanas parecem se manifestar: o Estado e a sociedade, as pessoas, isolada e coletivamente, se congregam numa comunhão terrena para tentar consolar os que estão sofrendo. Não é nenhuma religião, apenas a ideia de humanidade se manifestando.

Uma tragédia como a de Santa Maria não é nenhuma fatalidade: é obra do homem, resultado de escolhas infelizes, decisões criminosas. Nossa espécie, somo se sabe, parece ter algumas dificuldades de aprendizado. Nietzsche escreveu que muito sangue foi derramado até que as primeiras promessas e compromissos fossem cumpridos. É impossível dizer por quantas tragédias dessas ainda teremos que passar. Elas se repetem, com variações mais ou menos macabras, praticamente todos os dias em alguma parte do mundo e contra o próprio planeta.

Talvez nunca aprendamos com elas e sigamos convivendo com uma sucessão patética de eventos desta natureza, aguardando a nossa vez de sermos atingidos. Mas talvez tenhamos uma chance de aprendizado. Uma pequena, mas luminosa, chance. E ela aparece, paradoxalmente, em meio a uma sucessão de más escolhas, sob a forma de uma imensa onda de compaixão e solidariedade que mostra que podemos ser bem melhores do que somos, que temos valores e sentimentos que podem construir um mundo onde a vida seja definida não pela busca de lucro, de ambições mesquinhas e bens materiais tolos, mas sim pela caminhada na estrada do bom, do verdadeiro e do belo. A morte nos deixa sem palavras. Mas ela nos diz, insistentemente: é preciso, sempre, cuidar dos vivos e da vida.

A tragédia em Santa Maria


TRAGÉDIA EM SANTA MARIA

Jornalismo ou a arte do grotesco?

Por Raphael Tsavkko Garcia em 29/01/2013 na edição 731 do Observatório da Imprensa

O que há em comum entre tragédias como o deslizamento no morro do Bumba, o massacre na escola em Realengo e o incêndio em Santa Maria? A grotesca cobertura midiática. Sensacionalista, sedenta por sangue, louca pelo melodrama, desesperada pelo furo que normalmente consiste em imagens degradantes, cenas de humilhação, desespero e a miséria humana.
O jornalismo de verdade costuma ficar em segundo lugar. Isto quando sequer transparece nas páginas que oscilam entre pingar sangue ou verter torrentes de lágrimas colhidas a dedo para criar um quadro melodramático desnecessário e vergonhoso. A mídia busca respostas fáceis e quando não as encontra repete a história até ser possível encontrar uma brecha para fabricar suas próprias verdades. Não importa se a tragédia está acontecendo ou se é o aniversário dela – de 1, 10 ou mesmo 100 anos: o relevante é apenas espremer todo o sofrimento que puder.
Imagens de corpos carbonizados ou machucados, closes vergonhosos de pessoas sentindo a imensa dor da perda, vídeos com o momento exato de uma execução, a insistência nas perguntas-clichê nos momentos de maior dor de familiares ou mesmo vítimas: “Como você está se sentindo?”, “O que você pensa disso ou daquilo?”, “Qual a sensação?”
Direitos humanos
Sensação, sentimentos ou ideias que, infelizmente, a mídia não tem. A falta de originalidade e o amálgama geral do prazer pelo grotesco permeiam a imprensa brasileira. Quem em sã consciência acredita que mostrar os corpos de centenas de vítimas de uma tragédia é, de fato, jornalismo? Quem acredita que assediar parentes de vítimas em seu momento de dor é fazer jornalismo investigativo? O jornalismo brasileiro despe-se de humanidade seja para noticiar chacinas contra jovens negros das periferias de São Paulo, seja para “denunciar” massacres contra populações indígenas ou sem terras, ou para noticiar e cobrir tragédias de grandes proporções como o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que causou a morte de mais de 230 jovens.
Em um primeiro momento apontaram os dedos midiáticos para os seguranças. Depois, para a “fatalidade” do ocorrido. Para a banda que usou material pirotécnico e começou o incêndio. Depois para teorias mil, comparações e para falhas na legislação, na fiscalização... Mas e os donos do local, estabelecimento que funcionava com permissão judicial provisória, sem estrutura alguma para garantir a segurança de milhares de frequentadores? E o prefeito da cidade, reeleito, responsável direto por fiscais e pela aplicação das leis no município? E o poder público que deveria zelar pela segurança dos cidadãos?
Mas não. Respostas fáceis são melhores. Apontar os dedos para os mortos, para o tempo, o espaço, o acaso, é muito mais fácil do que bater de frente e fazer jornalismo de verdade. O tom é sempre o mesmo. Sensacionalismo puro. A completa desumanização de familiares e vítimas que são mero produto para o entretenimento da massa. A cobertura de TVs e jornais em nada difere dos policialescos de péssima qualidade que diariamente demonstram que direitos humanos é algo a ser desrespeitado, que só serve para “bandido” e que bom mesmo é ver o sangue correr.
Show da vida
E o sangue corre. Sempre corre.
Em algum momento um jornalista questiona timidamente por que vemos tanta desgraça, por que há tanta violência? Mas em momento algum questiona a si e a seus colegas de profissão que, por vontade própria ou pressão dos diretores, vendem a morte, a dor e o sofrimento como itens típicos de mercado de esquina. Não é apenas a violência que aumenta, mas o espaço que ganha a cada dia na TV, nos jornais, nas revistas...
No caso de Santa Maria, convidam especialistas para falar de legislação, de tragédias, de fatos semelhantes... Tudo intercalado com rostos emocionados, vozes que tremem levemente frente às câmeras, um olhar de indignação semelhante ao usado em tragédias anteriores e muitas imagens chocantes, de desespero, de desalento.
É o show da vida, o show da realidade formatada para a audiência acostumada a reality shows e big brothers que não escondem nada, exceto a verdade.
***
[Raphael Tsavkko Garcia é blogueiro e jornalista, formado em Relações Internacionais pela PUC-SP e mestre em Comunicação]

sábado, 26 de janeiro de 2013

Os velhos e os novos pecados – Leandro Karnal

Leandro Karnal é um historiador gaúcho mas residente em São Paulo. Professor da Unicamp, tem vários livros publicados e um currículo invejável. Tive o prazer de conhece-lo pessoalmente e de conviver na comunidade de História do Orkut. Já recomendei um livro dele, que todo professor deveria ler, "Conversas com um jovem professor".
Recebi hoje um email com um link para uma palestra feita por ele.
Recomendo! Aproveitem um fim de semana para ouvir e refletir. É longa, uma hora de duração, fora os debates que se seguem com a plateia. Mas vale a pena!
E, de quebra, alguns bônus: à direita da tela aparecem outras palestras feitas por ele e por outros intelectuais bem conhecidos, que vale a pena ouvir também!

Os velhos e os novos pecados – Leandro Karnal

Os sete pecados capitais da lista consagrada são uma espécie de tratado do comportamento humano. Por séculos,  serviram de guia para o enquadramento  dos indivíduos em padrões morais do certo e do errado. A vida contemporânea ampliou e resignificou estas disposições.  A vaidade passou a ser vista como autoestima e a avareza como própria de pessoas previdentes. O pecado da traição dos superiores (felonia) que Dante condenou ao mais profundo dos círculos do Inferno,  seria visto hoje como mais leve do que a luxúria que a Divina Comédia coloca entre os menos pesados. Assim, a ascensão de valores e o dinamismo da pós-modernidade trabalham esta base moral antiga e colocam um novo homem que, necessariamente, deve produzir novos pecados.

http://www.cpflcultura.com.br/2012/09/21/os-velhos-e-os-novos-pecados-leandro-karnal/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Lincoln está na moda!

Gaças ao filme do Spielberg, Lincoln está na moda. E endeusado como sempre. Nada como uma historiadora para jogar um pouco de cal na fervura! O artigo selecionado foi publicado inicialmente no site da Agência Carta Maior.

Lincoln e a escravidão: Nem tanto ao céu, nem tanto à terra

Sem prejuízo à importância sem igual de Lincoln para o imaginário político dos EUA, durante seu governo se tentou negociar projetos de colonização que pretendiam transferir grandes números de afro-americanos para diversos lugares da América Central, Caribe e Brasil. A análise é da historiadora Maria Clara Sales Carneiro Sampaio, que pesquisa o tema na Universidade de São Paulo

Com o recente lançamento do filme de Steven Spielberg, tem-se aberto mais espaços de discussão e crítica sobre o papel histórico de Abraham Lincoln no processo de abolição da escravidão por via da Guerra da Secessão (1861-1865). Por um lado, tem-se renovado seu potencial simbólico positivo para a história afro-americana. Nesse sentido, podemos usar de exemplo as repetidas menções à memória de Lincoln em diversos momentos da eleição, do mandato e reeleição de Barack Obama, o primeiro presidente afrodescendente a governar os Estados Unidos. Anteriormente, a figura de Lincoln também havia sido apropriada por diversos setores dos movimentos dos direitos civis (entre as décadas de 1950-60) que encerraram as políticas que segregavam homens e mulheres afro-americanos, principalmente nos estados do Sul.

É indiscutível que Lincoln está entre as maiores figuras políticas do século XIX e que seu legado transbordou as fronteiras geográficas de seu país. Foi durante sua administração que os Estados Unidos se reunificaram após uma guerra civil extremamente violenta. Em seu governo também se aprovou a 13ª emenda constitucional, que emancipava todos escravos nos limites do território nacional. Entretanto, o poder representativo de sua figura e de suas conquistas políticas são interpretadas frequentemente sem se levar em conta a complexidade histórica que envolveu o processo de abolição da escravidão e as políticas de integração social dos homens e mulheres afrodescendentes a partir daquele momento histórico.

Sem prejuízo à importância sem igual de Lincoln para o imaginário político dos Estados Unidos, durante seu governo se tentou negociar projetos de colonização que pretendiam transferir grandes números de trabalhadores e trabalhadoras afro-americanos para diversos lugares da América Central, Caribe e para o Brasil, entre outros. Esse “projetos de colonização”, como foram chamados na época, tinham intenções comerciais de caráter abertamente imperialistas. Pretendia-se que companhias norte-americanas adquirissem terras em localidades geoestratégicas para receber afro-americanos que serviriam como mão-de-obra no cultivo de produtos para exportação.

No Brasil, por exemplo, pretendia-se adquirir terras no Vale do Rio Amazonas, a despeito do país contar com inúmeras outras áreas pouco habitadas e exploradas. Essas iniciativas, embora nunca tenham se realizado, alimentaram incômodas negociações diplomáticas que eram recebidas pelas recém independentes repúblicas centro-americanas, por exemplo, com grande temor. Receava-se que a intervenção de companhias norte-americanas em vastas extensões de terra exploradas por mão de obra estrangeira poderia acarretar na perda de controle sobre parte dos territórios nacionais. O outro “lado” dessas negociações, contudo, guarda ainda mais aspectos interessantes que podem contribuir para a discussão sobre o simbologia histórica de Lincoln para homens e mulheres negros não só nos Estados Unidos, mas também em outras sociedades nas Américas.

A intenção desses projetos de colonização não era apenas estabelecer áreas de influência política e econômica na América Latina, mas principalmente se conseguir uma “solução” para o “problema do negro”, ou seja, a convivência inter-racial nos Estados Unidos. Os documentos históricos provenientes dessas negociações nos permitem pensar que ainda que, ao final, a emancipação geral tenha sido um ganho político de seu governo, Lincoln e muitos de seus aliados não acreditavam na convivência pacífica entre brancos e negros em liberdade. Não se reconhecia nos afro-americanos os mesmos direitos sobre a formação nacional que tinham os homens brancos, em especial os de origem inglesa. Os projetos de colonização pretendiam de certa forma livrar o país de um mal que, em algum momento, tinha sido considerado necessário para o desenvolvimento de diversos setores da economia. Ainda que africanos e afrodescendentes tenham estado presentes na grande maioria das regiões de ocupação mais antiga dos Estados Unidos, eles nunca deixaram de ser considerados estrangeiros em alguma medida. Não se reconhecia nas contribuições sociais e culturais deles algo legitimamente nacional.

Lincoln, com sua imensa importância e inteligência, era um homem branco de seu tempo, limitado por uma série de estruturas de pensamento que nem nos permitem endeusá-lo nem crucificá-lo sem preocupação crítica. Os projetos de colonização que eram tão caros a ele não apagam suas contribuições e sequer podem ser considerados como inovações de sua administração. A criação da Libéria dos anos 1820, por exemplo, que pretendia retornar ao continente africano ex-escravos provenientes dos Estados Unidos foi uma espécie de irmã mais velha dos projetos de colonização. A proposta feita para Amazônia, em 1862, também não foi a primeira que incomodou o governo brasileiro, nem a última. Com distanciamento histórico, os projetos de colonização do governo Lincoln expressam mais uma permanência no ideário norte-americano em querer retirar de sua sociedade os afrodescendentes, que um traço particular de sua figura política.

O filme “Lincoln” foi amplamente baseado em um livro feito a partir de uma pesquisa documental séria (“Team of Rivals: The Political Genius of Abraham Lincoln”, de Doris Kearns Goodwin) e é focado na contribuição pessoal dele e de uns outros poucos para a aprovação da 13ª emenda constitucional. Mesmo assim, não se mostrou nada sobre a contribuição dos próprios negros para essa vitória política, que transcende Lincoln e seu governo. Sequer se mencionou a importância que os debates entre ele e o intelectual afro-americano Frederick Douglas, pouco antes de ter sido eleito pelo recém-fundado Partido Republicano. A abolição da escravidão nos Estados Unidos foi um processo fragmentado e violento onde a cotidiana resistência pessoal dos escravos e escravas, as rebeliões organizadas e o ativismo pioneiro de intelectuais afro-americanos formaram a verdadeiras bases para que a emancipação geral se tornasse possível.


*Maria Clara Sales Carneiro Sampaio faz doutorado em História Social na USP e pesquisa os projetos de expatriação de afro-americanos para América Latina e Caribe durante a Guerra da Secessão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Photo-poema






Última canção do beco 

(Manuel Bandeira)                   

Beco que cantei num dístico
Cheio de elipses mentais,
Beco das minhas tristezas,
Das minhas perplexidades
(Mas também dos meus amores,
Dos meus beijos, dos meus sonhos!,
Adeus para nunca mais!

[...]
Beco das minhas tristezas,
Não me envergonhei de ti!
Foste rua de mulheres?
Todas são filhas de Deus!
Dantes foram carmelitas...
E eras só de pobres quando,
Pobre, vim morar aqui. [...]


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

30 anos sem Mané Garrincha


Quase não falo de futebol. 


Tirando uma única exceção quando fui levar meu filho para ver o último jogo do Ronaldo no Mineirão, deixei de frequentar estádios em 1970, logo depois do Tri.

A primeira vez que ouvi falar de "um tal de Garrincha" foi em 1958, ouvindo a copa da Suécia, quando ele surgiu para o mundo do futebol como o mais incrível jogador, feito repetido em 1962 quando ele foi o responsável pela conquista do bi.

Parte de minha adolescência foi passada em Juiz de Fora e o que se acessava em termos de televisão lá eram apenas as emissoras do Rio de Janeiro. E através delas eu vi Garrincha jogar no Botafogo.

Também acompanhei o drama pessoal que ele viveu por conta da irresponsabilidade de dirigentes que, para conseguirem lucros maiores, obrigavam-no a jogar com o joelho arrebentado, à custa de injeções.

Muitas pessoas já escreveram sobre ele, inclusive o nosso grande poeta Carlos Drummond de Andrade que chegou a ver nele uma personagem chapliniana. E é exatamente esse lado humano do Garrincha que o transforma, em minha modesta opinião, no maior jogador de futebol de todos os tempos. 

Maior que Pelé, tão endeusado.

Pelé era máquina. Garrincha era humano. Uma diferença fundamental.

Os jogadores que hoje são chamados de craques, de fenômenos, de jóias e quejandos não chegam aos pés daquele que precisava de três, quatro adversários para tentar marcá-lo. E que ficavam estatelados no chão quando ele os driblava, sempre do mesmo jeito e sempre com sucesso.


Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar
de tudo e de todos". (Carlos Drummond de Andrade


sábado, 19 de janeiro de 2013

Mercantilização na saúde e no ensino superior



Encontrei hoje, no site da Agência Carta Maior, este artigo abordando uma questão fundamental de nosso tempo: a quantas andam a saúde e a educação em nosso país. Como eu concordei basicamente com o que o autor expõe, trago o artigo para que os leitores e leitoras possam emitir seus comentários a respeito.
Boa leitura!


Mercantilização na saúde e no ensino superior

A divulgação recente de más notícias sobre o desempenho de empresas atuantes da área da saúde e do ensino superior traz à tona o necessário debate a respeito da preocupante mercantilização dos serviços públicos em nosso País e dos impactos negativos desta no atendimento à população.

A divulgação recente de más notícias sobre o desempenho de empresas atuantes da área da saúde e do ensino superior traz à tona o necessário debate a respeito da preocupante mercantilização dos serviços públicos em nosso País. À medida que parcela expressiva destes setores passou a ser composta de corporações capitalistas, os impactos negativos se fazem sentir pela maioria da população.

No início do ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) acabou por decidir pela interdição de 225 planos de saúde operados por 28 empresas atuantes no setor. Esse tipo de medida não é uma grande novidade. Antes disso, em outubro passado, esse órgão regulador do sistema havia proibido 301 planos de venderem seus produtos. E ainda em julho de 2012, a lista de proibição contemplava 268 planos. Ainda que tais fatos possam passar a idéia de que o Estado está agindo e fiscalizando, a pergunta que deve ser feita vai em sentido oposto. Como é possível que uma área tão sensível, como a saúde, chegue a tal extremo de descontrole e regulamentação?

Outra decisão que causou grande impacto foi a operação de venda da empresa líder de saúde privada, a Amil. Em novembro de 2011, o Estado brasileiro autorizou que ela fosse comprada por uma das maiores operadoras globais, a norte-americana United Health, pelo valor de R$ 10 bilhões. Além das dificuldades envolvendo a internacionalização do setor, a decisão gerou muita polêmica por afrontar o impedimento legal de que hospitais (também incluídos no pacote) sejam propriedade de grupos estrangeiros.

Ensino superior privado: mercantilização crescente
Na área do ensino superior, em dezembro passado, o Ministério da Educação proibiu 207 cursos de realizarem concursos vestibulares para novos alunos e no início do presente ano comunicou que outros 38 cursos haviam sido punidos com a proibição de expandirem o número de vagas, tal como solicitado pelas instituições proprietárias. A educação universitária também vem sendo objeto de profunda transformação empresarial e corporativa, de modo que o crescimento da parcela de setor privado no conjunto do sistema é bastante expressivo.

De acordo com os dados oficiais do INEP, existem 2.365 instituições de ensino universitário no Brasil. A repartição de tais faculdades e universidades revela que 88% do total são entidades privadas, restando apenas 12% no setor público (considerando o conjunto federal, estadual e municipal). Em termos numéricos: 2081 privadas e 284 públicas. Se a análise for para o total de alunos inscritos, o setor privado oferece 76% do total e o setor público fica com apenas 24%.

Em termos de matrículas, a expansão quantitativa foi expressiva ao longo da última década. Em 2002 havia 3,5 milhões de matrículas no ensino superior e em 2011 atingiu-se o marco de 6,7 milhões de alunos inscritos. Porém, a maior parcela desse crescimento de 75% deveu-se ao setor privado. As matrículas no setor público cresceram 69% ao longo dos 10 anos, ao passo que as do setor privado cresceram 105%.

Esse crescimento expressivo das escolas particulares encontrou na própria formulação de políticas públicas um importante aliado. Por um lado, pelos longos períodos em que a orientação de contenção de gastos públicos provocou um verdadeiro sucateamento do modelo das universidades públicas, em especial as federais. Restrições orçamentárias em seqüência contribuíram para inviabilizar investimentos necessários da rede física e de seus equipamentos, Além disso, a política de recursos humanos não contribuía para atrair e manter pessoal qualificado.

PROUNI: socialização dos custos da baixa qualidade
Por outro lado, o governo criou um programa de apoio a bolsas de estudos para as escolas privadas. Através desse modelo, as empresas do setor passaram a ter praticamente assegurada uma significativa da receita correspondente às vagas oferecidas. O discurso oficial soltava loas a um modelo que parecia agradar a todos, menos a um futuro com educação de qualidade assegurada. A população de baixa renda via finalmente chegar o sonho do diploma de ensino superior. As empresas operantes no sistema de educação privada reduziram de forma significativa o risco em suas operações e nem se preocupavam com os resultados obtidos, pois o Estado assegurava suas receitas operacionais, por meio das bolsas oferecidas.

Atualmente, o PROUNI custeia 1,1 milhão de bolsistas, sendo 740 mil na modalidade integral (100% do valor da mensalidade) e 360 mil na modalidade parcial (50% do valor da mensalidade). Além disso, existe a opção do financiamento a juros subsidiados. O programa FIES oferece recursos para pagamento de despesas com matrículas e mensalidades. As regras existentes prevêem um período de carência durante o curso e o reembolso posterior a juros anuais de 3,4%, quando o beneficiário teoricamente tiver obtido ganhos salariais derivados de sua formação. Com esse incentivo, as empresas que operam na educação universitária passaram a ter um mercado cativo para suas vagas.

Saúde e educação: mercadoria ou direito universal?
Esses dois exemplos evidenciam os impactos negativos do caminho da mercantilização crescente das áreas de serviços públicos. A conversão desses direitos democráticos - acesso à saúde e à educação – em simples mercadorias oferecidas pelas leis de oferta e demanda compromete a qualidade desses importantes pilares de cidadania e de construção de uma sociedade inclusiva e sem desigualdades de natureza social ou econômica.

Dentre as conseqüências do período de hegemonia absoluta do pensamento neoliberal, encontra-se a tentativa de disseminação da idéia de que a ação pública é sempre ineficiente e prejudicial ao conjunto da sociedade. Assim, a melhor solução seria sempre aquela encontrada nos termos das relações de troca, no ambiente determinado pelas leis do mercado. Direitos e serviços públicos, a exemplo da saúde e da educação, passam a ser encarados e tratados como simples mercadorias, a exemplo de todas as demais existentes em uma economia capitalista. Conceitos como oferta, demanda, cliente, preços, taxa de retorno, multa, contrato, inadimplência, valor de prestação, carência, entre outros, passam a fazer parte do dia-a-dia de quem convive com categorias como saúde, doença, vida, morte, educação, pesquisa, ciência, conhecimento. Uma inversão completa de valores!

Ora, parece evidente que esse processo de mercantilização é contraditório com aquilo que se pretende justamente com sistemas de educação e de saúde portadores de qualidade para seus usuários e para o próprio País.

Quando a lógica de operação de um hospital ou de uma universidade passa a ser a da maximização do retorno do investimento realizado a qualquer custo, está comprometida a própria natureza pública do serviço a ser oferecido. As prioridades estratégicas, as áreas de maior urgência social, a distribuição espacial de acordo com necessidades regionais, a remuneração dos trabalhadores nos sistemas, tudo isso passa a ser relegado a um segundo plano nas decisões empresariais.

Serviço público: interesse social ou lógica privada?
A contabilidade fria do modelo capitalista busca a realização do lucro por meio da dinâmica de elevação de receitas e redução das despesas. Essa abordagem favorece o atendimento dos interesses dos proprietários e acionistas da empresa, mas quase nunca satisfaz as necessidades de áreas socialmente sensíveis. Essa é a principal razão, inclusive, que levou boa parte dos países do mundo capitalista à opção por delegar ao Estado a prestação de tais serviços. Ou então, pela constituição de modelos que contam com subsídios públicos destinados a instituições privadas, mas que demonstram efetiva competência e qualidade naquilo que oferecem à sociedade.

No nosso caso, o risco do processo que atravessamos é o de ficarmos com o pior dos mundos. As áreas de excelência do setor público estão, aos poucos, sendo sucateadas e perdendo competência e qualidade. As áreas de expansão do setor privado encontram um potencial de crescimento com baixa capacidade de regulação e fiscalização do Estado. A mercantilização tende a provocar uma segmentação baseada no nível de rendimento dos usuários dos sistemas, com a complementação de recursos públicos sem a correspondente qualidade na prestação dos serviços “públicos” oferecidos. A relação mercantil pressupõe um contrato. E o contrato estabelece a restrição do uso ao pagamento prévio.

Os recursos orçamentários deixam de ser utilizados para reforçar e reconstruir um sistema público à altura das necessidades de nossa população. Na verdade, são drenados para apropriação privada em um sistema onde a lógica predominante é a da remuneração do capital.


Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.


Grandes filmes passam em Portugal hoje!

Recebi da minha amiga Cléria os cartazes de extraordinários filmes que estão sendo vistos na atualidade pelos portugueses. Eu até diria que vale a pena dar um pulinho em Portugal para assistir! Recomendo uma visita ao Google para quem não conhece os atores principais!



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

E o sol se pôs...



Durante anos fotografei o por do sol em BH e adjacências. Não há como negar: é belo o horizonte!







quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O inverno chegou na Holanda


Minha grande amiga Alexia, morando na Holanda, enviou-me hoje este email e estas fotos.

E o finalmente inverno chegou na Holanda.

Ontem 15/01 foi o primeiro dia em que a neve caiu de verdade, as primeiras fotos que estão menos iluminadas foram tiradas ontem por volta de 8:30 da manhã quando eu estava no ponto do ônibus, ônibus esse que desviou da rota principal por causa da neve. Pode isso?  (A neve cai a quinhentos mil anos e eles ainda não aprenderam a se organizar com ela.) Resultado cheguei meia hora atrasada no trabalho, mas em compensação fiz essas fotos.




As duas fotos com vista para prédio, eu as fiz ontem à tarde, e você pode verificar que ainda estava nevando.




As outra fiz hoje 16/01, pois o dia estava lindo, com um sol maravilhoso e eu pude ve-lo nascer por volta das 9:10 da manhã.

Se você publicá-las ficarei muito feliz. Gosto de dividir com seus leitores que sabem apreciar a beleza.




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Discurso subversivo

Do blog da Kika Castro


Texto escrito por José de Souza Castro:
Já que Abraham Lincoln voltou a ficar popular entre nós, pela magia de Steven Spielberg, seria conveniente pregar mais uma vez o fim da escravidão no Brasil. Assim:

O período atual não é de conservação, é de reforma. Tão extensa, tão larga e tão profunda que possa chamar Revolução; de uma reforma que tire esse povo do subterrâneo escuro da escravidão onde ele viveu sempre, e lhe faça ver a luz.

Que reforma é essa? É preciso dizê-lo com a maior franqueza: é uma lei de abolição que seja também uma lei agrária.
Levantando pela primeira vez a bandeira de uma lei agrária, a bandeira da constituição da democracia rural.
Não há outra solução para o mal crônico e profundo do povo senão uma lei agrária que estabeleça a pequena propriedade.
Que abra um futuro pela posse e pelo cultivo da terra.
Esta congestão de famílias pobres, esta extensão de miséria, porque o povo não vive na pobreza, vive na miséria, estes abismos de sofrimento não têm outro remédio senão a organização da propriedade da pequena lavoura. É preciso que os brasileiros possam ser proprietários de terra, e que o Estado os ajude a sê-lo. Não há empregos públicos que bastem às necessidades de uma população inteira. É desmoralizar o operário acenar-lhe com uma existência de empregado público, porque é prometer-lhe o que não se lhe pode dar e desabituá-lo do trabalho que é a lei da vida.
O que pode salvar a nossa pobreza não é o emprego público, é o cultivo da terra, é a posse da terra que o Estado deve facilitar aos que quiserem adquiri-la, por meio de um imposto, o imposto territorial. É desse imposto que nós precisamos principalmente, e não de impostos de consumo que nos condenam à fome, que recaem sobre as necessidades da vida e sobre o lar doméstico da pobreza.
Ninguém neste país contribui para as despesas do Estado em proporção dos seus haveres. O pobre carregado de filhos paga mais imposto ao Estado do que o rico sem família. É tempo de cessar esse duplo escândalo de um país nas mãos de alguns proprietários que nem cultivam suas terras, nem consentem que os outros cultivem, que esterilizam e inutilizam a extensão e a fertilidade de nosso território; e de uma população inteira reduzida à falta de independência que vemos.
A propriedade não tem somente direitos, tem também deveres, e o estado da pobreza entre nós, a indiferença com que todos olham para a condição do povo, não faz honra à propriedade, como não faz honra aos poderes do Estado.
Bem, eu não poderia escrever isso há 40 anos. Poderia, talvez, mas não teria onde divulgar o escrito. E nem o escrevi neste momento. Se escrevesse, estaria plagiando Joaquim Nabuco. Isso aí, com cortes entre uma ou outra frase, foi falado por ele, em discurso feito no século 19, antes da libertação dos escravos brasileiros.
Mas está extremamente atual, para pesar nosso.