quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Chomsky descreve política interna americana em duas palavras: 'Pura Selvageria'



Chomsky descreve política interna americana em duas palavras: 'Pura Selvageria'

o renomado ativista e intelectual Noam Chomsky resumiu, em uma entrevista, a política interna americana com apenas duas palavras: 'pura selvageria.'


 
Jacob Chamberlain, do CommonDreams.com 
Enquanto o Congresso decide, essa semana, se vai reinstituir um auxílio desemprego de emergência para milhões de americanos ou se aprovará as negociações de uma lei agrícola que cortaria bilhões dos programas de vale-refeição, o renomado ativista e intelectual Noam Chomsky resumiu, em uma entrevista, a política interna americana com apenas duas palavras: ‘pura selvageria.’
 
“A recusa de proporcionar um padrão de vida mínimo para as pessoas que encontram-se nessa monstruosidade – isso é pura selvageria.”, disse Chomsky durante uma entrevista com a HuffPost Live. “Não há outro jeito de dizer.”
 
O Washington Post relatou que as atuais negociações da lei agrícola estão pedindo, para a próxima década, a eliminação de $9 bilhões no fundo para o vale-refeição pelo Programa de Assistência Suplementar Nutricional (SNAP), “de acordo com diversos assessores que estão familiarizados com as negociações e que não são autorizados a falar publicamente sobre os detalhes.”
 
As mudanças iriam diminuir as assistências para, no mínimo, 800.000 famílias, com cortes de até $90 por mês. “Essa é a última semana de feira do mês.”, disse a senadora Kirsten Gillibrand para o Washington Post.
 
Os Republicanos haviam, originalmente, pedido cortes de $40 bilhões e Democratas, cortes de $4 bilhões. A negociação, que tem uma conclusão esperada para a próxima semana, só é apresentada dois meses depois que os legisladores americanos permitiram um estímulo separado para que a SNAP chegasse ao fim, cortando uma parcela universal de $5 bilhões no financiamento, que arrancou a assistência alimentícia de $47 milhões de beneficiários do vale-refeição, sendo 49% deles crianças.
 
 
Enquanto isso, mês passado, o Congresso acabou com o auxílio desemprego emergencial de longo prazo para 1.3 milhões de americanos, um “salvador de vidas” para muitos que estavam procurando por empregos por um longo período de tempo e dependiam desses benefícios para sobreviver.
 
 
Na terça, o Senado, sem muito compromisso, passou uma votação para promover a lei que reinstaura os auxílios desemprego. Mas mesmo que essa lei seja aprovada no Senado, irá enfrentar forte oposição quando chegar na casa dos representantes republicanos.
 
“Desigualdade tem sido um sério problema por muito tempo,” disse Chomsky. “A desigualdade, agora, está em um nível nunca antes visto, pelo menos, desde 1920... ou até mais antigamente. Isso é muito grave.”
 
Qualquer crescimento nos últimos anos foi para os 2% mais ricos da população. Disse Chomsky, adicionando que uma grande parte da população está vivendo abaixo da linha da pobreza, enquanto que no topo da sociedade, os lucros estão crescendo para os ricos.
 
 
Contudo, os bloqueios impostos para os programas de serviço público, que muitos dizem ser essenciais para os necessitados nos Estados Unidos, não tem “nada a ver com maçãs podres no Congresso,” disse Chomsky ao HuffPost Live. “São problemas profundamente estruturais que tem conexão com o assalto neoliberal à população, não só americana mas mundial, que tem ocorrido na geração passada. Algumas áreas conseguiram escapar, mas ele se espalhou.”
 
Chomsky disse também:
 
Anos atrás era costume dizer que os Estados Unidos é um país de um partido – o partido do negócio – com duas facções, Democratas e Republicanos. Isso não é mais verdade. Ainda é um país de um partido – o partido do negócio – mas só com uma facção. E não é a Democrata, são os Republicanos moderados. Os chamados Novos Democratas, que são a força dominante no partido Democrático, são o que eram os Republicanos Moderados décadas atrás. E o resto do partido Republicano tem só flutuado para fora espectro.
 
Tradução de Isabela Palhares

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