sábado, 31 de maio de 2014

Férias canadenses (3)



Mesmo com horário de verão, nós, brasileiros, ficamos surpresos ao presenciar o por do sol após as 20 horas...

Registrei ontem, das 20:30 às 20:47.



20:30

20:30

20:35

20:40

20:47



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Férias canadenses (2)

Visitamos ontem o centro esportivo da cidade. Enorme e com as mais diversas práticas esportivas oferecidas aos cidadãos, especialmente às crianças.

Três pistas de gelo. A primeira, para crianças aprenderem a patinar

foto: RMF

Foto RMF

Foto: MISF


















A segunda, para quem já sabe e aperfeiçoa a patinação no gelo

Foto MISF

Foto MISF

















A terceira, para quem já sabe e aprende os fundamentos do hóquei

(sem fotos, a bateria da máquina acabou na hora H)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Crítico de cinema aponta quando Ronaldo mudou de opinião sobre a Copa


Jornal GGN – Há poucos dias, o ex-jogador Ronaldo deu uma declaração à agência de notícias Reuters de que estava se sentindo “envergonhado” com a organização e preparação do Brasil para a Copa do Mundo no país. De acordo com o ex-jogador e membro do Comitê Organizador Local (COL), as dificuldades aconteceram por causa da burocracia do país e por culpa do Governo Federal, que teria descumprido os prazos estabelecidos pela Fifa.
As falas do fenômeno foram amplamente repercutidas por todos os jornais do país e imediatamente passaram a ser usadas pelos críticos do Governo Federal e por partidários da oposição. Mas o crítico de cinema Pablo Villaça, que atua no site Cinema em Cena, mostrou em seu blog o que ele chamou de “cronologia de um demagogo”. Villaça resgatou as principais declarações de Ronaldo sobre a realização do evento e o momento exato em que o fenômeno parece mudar de opinião.
No dia 10 de outubro de 2012, por exemplo, quase um ano depois de estar no quadro de membros do COL, Ronaldo garantiu que o Brasil estaria pronto para receber a Copa de 2014. Já em novembro de 2013, meses após as jornadas de junho, o ex-jogador classificou os protestos como “inventados” e enalteceu o progresso dos preparativos, chegando a “minimizar” as desconfianças em dezembro daquele ano.
Em janeiro desse ano, Ronaldo disse que a Copa estava trazendo “grandes benefícios ao país” e, em março se disse “animado” para o evento esportivo. No dia primeiro de maio, o ex-jogador publicou uma fotografia ao lado do senador Aécio Neves (PSDB), candidato à Presidência, e apenas no último dia 23 – quase três anos após aceitar o convite para ser membro do COL – Ronaldo declarou que se sentia envergonhado com os preparativos.
Veja o post completo de Pablo Villaça:
Cronologia de um demagogo
01/12/2011: Ronaldo aceita cargo no Comitê Organizador Local da Copa.
20/10/2011: Ronaldo celebra Copa 2014 no Itaquerão.
20/03/2012: Ronaldo: “A Copa do Mundo da FIFA é de todo o Brasil”.
10/10/2012: Ronaldo garante Brasil pronto pra receber a Copa 2014.
30/01/2013: Ronaldo pede para imprensa abraçar a Copa do Mundo.
05/11/2013: Ronaldo defende Copa de “protestos inventados” e enaltece progresso.
19/12/2013: Ronaldo minimiza desconfianças e vê Brasil acreditar no projeto da Copa 2014.
07/01/2014: Ronaldo diz que Copa está trazendo muitos benefícios ao país.
21/02/2014: “Copa é um grande negócio para o país”, afirma Ronaldo.
30/03/2014: Ronaldo está animado para a Copa de 2014.
01/05/2014Ronaldo posta foto de apoio à candidatura de Aécio Neves.
23/05/2014: Ronaldo se diz envergonhado com preparação da Copa.
A propósito: de acordo com a Ernst & Young e a Fundação Getúlio Vargas, entre 2010 e 2014, o Brasil deverá arrecadar 16 bilhões com impostos deixados pela FIFA no Brasil (entre valores dos ingressos e eventos relacionados) – um valor consideravelmente superior ao que o governo federal gastou na reforma dos estádios. Ou seja, a Copa dará lucro ao país. Que coisa.
Update: Estão tentando vender a ideia mentirosa de que o governo federal isentou a FIFA de impostos sobre os ingressos. Errado. A FIFA ganhou isenção ao IMPORTAR itens para a infra-estrutura dos jogos, como uniformes e ônibus. Mas não foi só ela. As televisões brasileiras também ganharam isenção para importar equipamentos necessários para televisionar o evento. Não caiam nas falácias dos reacionários; eles ganham espalhando inverdades.

(fonte: http://jornalggn.com.br/noticia/critico-de-cinema-aponta-quando-ronaldo-mudou-de-opiniao-sobre-a-copa)

Boff: “Piketty está certo, democracia e capitalismo não convivem”


Para teólogo, “O Capital no Século XXI” acerta quando diz que “a desigualdade não é acidental, mas o traço característico do sistema”

Por Leonardo Boff, no Brasil de Fato

Está causando furor entre os leitores de assuntos econômicos, economistas e principalmente pânico entre os muito ricos um livro de 700 páginas escrito em 2013 e publicado em muitos países em 2014. Tranasformou-se num verdadeiro best-seller. Trata-se de uma obra de investigação, cobrindo 250 anos, de um dos mais jovens (43 anos) e brilhantes economistas franceses, Thomas Piketty. O livro se intitula O capital no século XXI(Seuil, Paris 2013). Aborda fundamentalmente a relação de desigualdade social produzida por heranças, rendas e principalmente pelo processo de acumulação capitalista, tendo como material de análise particularmente a Europa e os EUA.
A tese de base que sustenta é: a desigualdade não é acidental, mas o traço característico do capitalismo. Se a desigualdade persisitir e aumentar, a ordem democrática estará fortemente ameaçada. Desde 1960, o comparecimento dos eleitores nos EUA diminuiu de 64% (1960) para pouco mais de 50% (1996), embora tenha aumentado ultimamente. Tal fato deixa perceceber que é uma democracia mais formal que real.
Esta tese sempre sustentada pelos melhores analistas sociais e repetida muitas vezes pelo autor destas linhas, se confirma: democracia e capitalismo não convivem. E se ela se instaura dentro da ordem capitalista, assume formas distorcidas e até traços de farça. Onde ela entra, estabelece imediatamente relações de desigualdade que, no dialeto da ética, significa relações de exploração e de injustiça. A democracia tem por pressuposto básico a igualdade de direitos dos cidadãos e o combate aos privilégios. Quando a desigualdade é ferida, abre-se espaço para o conflito de classes, a criação de elites privilegiadas, a subordinação de grupos, a corrupção, fenômenos visíveis em nossas democracias de baixíssima intensidade.
Piketty vê nos EUA e na Grã-Bretanha, onde o capitalismo é triunfante, os países mais desiguais, o que é atestado também por um dos maiores especialistas em desiguldade Richard Wilkinson. 
Nos EUA, executivos ganham 331 vezes mais que um trabalhador médio. Eric Hobsbawn, numa de suas últimas intervenções antes de sua morte, diz claramente que a economia política ocidental do neoliberalismo “subordinou propositalmenet o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inequalitário”.
Em termos globais, citemos o corajoso documento da Oxfam intermón, enviado aos opulentos empresários e banqueiros reunidos em Davos nos janeiro deste ano como conclusão de seu “Relatório Governar para as Elites, Sequestro democrático e Desigualdade econômica”: 85 ricos têm dinheiro igual a 3,57 bihões de pobres do mundo.
O discurso ideológico aventado por esses plutocratas é que tal riqueza é fruto de ativos, de heranças e da meritocracia; as fortunas são conquistas merecidas, como recompensa pelos bons serviços prestados. Ofendem-se quando são apontados como o 1% de ricos contra os 99% dos demais cidadãos, pois se imaginam os grandes geradores de emprego.
Os prêmios Nobel, J. Stiglitz e P. Krugman têm mostrado que o dinheiro que receberam do Governo para salvarem seus bancos e empresas mal foram empregados na geração de empregos. Entraram logo na ciranda financeira mundial que rende sempre muito mais sem precisar trabalhar. E ainda há 21 trilhões de dólares nos paraísos fiscais de 91 mil pessoas.
Como é possível estabelecer relações mínimas de equidade, de participação, de cooperação e de real democracia quando se revelam estas excrecências humanas que se fazem surdas aos gritos que sobem da Terra e cegas sobre as chagas de milhões de co-semelhantes?
Voltemos à situação da desigualdade no Brasil. Orienta-nos o nosso melhor especialista na área, Márcio Pochmann (veja também Atlas da exclusão social – os ricos no Brasil, Cortez, 2004): 20 mil famílias vivem da aplicação de suas riquezas no circuito da financeirização, portanto, ganham através da especulação. Continua Poschmann: os 10% mais ricos da população impõem, historicamente, a ditadura da concentração, pois chegam a responder por quase 75% de toda riqueza nacional. Enquanto os 90% mais pobres ficam com apenas 25%”(Le Monde Diplomatique, outubro 2007).
Segundo dados de organismos econômicos da ONU de 2005, o Brasil era o oitavo país mais desigual do mundo. Mas graças às políticas sociais dos últimos dois governos, diga-se honrosamente, o índice de Geni (que mede as desigualdades) passou de 0,58 para 0,52. Em outras palavras, a desigualdade que continua enorme, caiu 17%.
Piketty não vê caminho mais curto para diminuir as desigualdades do que a severa intervenção do Estado e da taxação progressiva da riqueza, até 80%, o que apavora os super-ricos. Sábias são as palavras de Eric Hobsbawn: “O objetivo da economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população; o crescimento econômico não é um fim em si mesmo, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas”.
E como um gran finale a frase de Robert F. Kennedy: ”o PIB inclui tudo; exceto o que faz a vida valer a pena.”

(Fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=17495)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

É prá rir ou prá chorar...

Da coluna de  Carlos Brickman   no Observatorio da Imprensa

Não notícia
Vamos combinar: “suposto” é uma palavra que deveria ser banida do jornalismo. Ou o veículo tem a informação ou não tem. Mascarar a falta de confirmação da notícia é supostamente desleal para com o suposto leitor. Veja:
** “O empresário (...) foi encontrado morto com um tiro na cabeça (...) De acordo com a Polícia Civil, o disparo foi feito de dentro do veículo de Fernandes (...) O projétil, de pistola calibre 380, atravessou o corpo da vítima e perfurou o vidro lateral do veículo. Segundo a polícia, nada foi roubado pelo suposto agressor”
Não é ótimo? O cavalheiro empunha uma pistola calibre 380, dá um tiro que atravessa a cabeça da vítima e a janela do carro e é um “suposto agressor”? Como seria um agressor não suposto: alguém que despedaçasse a vítima e a cozinhasse em molho de tomate com bastante pimenta, antes de devorá-la?

Frases
>> De Marcelo Almeida, herdeiro da empreiteira CR Almeida, que quer ser suplente do candidato ao Senado Roberto Requião, pelo PMDB do Paraná: “Não fumo maconha, não cheiro cocaína, não saio com prostitutas, sou católico, tenho quatro filhos, não estou nos Diários Secretos. Qual é o problema de ser rico?”
>> Do jornalista Palmério Dória: “Sabesp promoverá ampla campanha de vacinação contra o uso de água.”
>> Do escritor Marcelo Rubens Paiva: “Quando for preso, diga que sonhou com um deputado. Como a palavra deputado entrou no inquérito, o processo vai pro STF e você aguarda solto.”
>> Do jornalista Cláudio Humberto: “A turma de Junior Friboi conseguiu convencer Roberto Carlos a comer carne, mas não convenceu Íris Rezende a largar o osso.”
>> Do jornalista Cláudio Tognolli: “No jornalismo sempre tive muitos chefes nervosinhos. Todos eram mais velhos que eu. Hoje são mais jovens.”

E eu com isso?
O jornalismo eletrônico traz imensas vantagens ao planeta. Imagine só que, há poucos anos, as publicações exigiam árvores, cuja madeira era moída e submetida a tratamento que a transformava em celulose, para depois virar papel – e só então eram divulgadas notícias como estas que aqui estão:
** “Rihanna assiste a jogo de basquete de peruca rosa e sem sutiã”
** “Roberto Carlos mostra foto com Pelé”
** “Ao descobrir que são vizinhos, Brad Pitt joga bola para McConaughey”
** “Rafaella, irmã de Neymar, curte festa em São Paulo”
** “Considerada símbolo sexual, Jessica Alba diz ser ‘puritana’”
** “Diogo Nogueira revela que vai se casar”
** “Lea Michele admite affaire com Matthew Morrison”
** “Tainá Müller curte tarde na praia com o marido”
** “Katty Perry está solteira novamente”
** “Eriberto Leão, Malvino Salvador e Luigi Baricello almoçam no mesmo restaurante”
** “Renee Zellweger curte jantar romântico ao lado do namorado”
** “Sabrina Sato se diverte em visita à casa de Geraldo Luiz”
** “Grávida de oito meses, Sandy não escolheu nome do bebê”
** “Nicole Bahls volta a fazer passeios íntimos com Sheik”

O grande título
Coisas boas, coisas boas. E o cardápio é variado. Comecemos com as descobertas sensacionais:
** “Insetos que voam com asas são insetos voadores”
Passemos para as surpresas:
** “Dezessete continuam mortos no necrotério”
E cheguemos às novidades tecnológicas:
** “Pontes ajudam as pessoas a cruzar os rios”

Agora, dois que disputam pau a pau o troféu de melhor título da semana (e não dá para indicar o melhor):
** “Vitimas de homicídio raramente falam à Polícia”
Ou então:
** “Cura milagrosa mata o quinto paciente”
Detalhe importante: nesta semana, todos os títulos são de jornais americanos. Nada de complexos, pois: eles também capricham!
***
Carlos Brickmann é jornalista, diretor da Brickmann&Associados Comunicação




Acumulação de renda e seus efeitos

Recebo mais uma colaboração do prof. Antônio de Paiva Moura



            Nos últimos dez anos tem aumentado o interesse de estudos sobre os efeitos danosos do acúmulo de riquezas pessoais e sua concentração em algumas cidade ou regiões. Sabe-se que a renda pessoal está distribuída de maneira tão desigual no mundo, que os 2% mais ricos da população adulta detém mais da metade das riquezas do planeta. A outra metade das riquezas é dividida com 98% da população adulta, cerca de 5 bilhões de habitantes. Para se incluir entre o 1% de mais ricos do mundo o indivíduo terá que ter tem média, um patrimônio de U$ 500 mil dólares, cerca de um milhão cento e cinquenta mil reais. Dos 5 bilhões de adultos do mundo, apenas 34 milhões de pessoas têm um patrimônio superior a 1 milhão de reais. A América do Norte que tem apenas 6% da população mundial detêm um terço de toda a riqueza do mundo. Segundo a revista Exame (2012) existiam no Brasil somente 130 mil multimilionários e 65% desse
total, (84.500) residiam em São Paulo e Rio de Janeiro.
            A concentração de riquezas em mãos de poucos, em uma região, é um verdadeiro desastre. Começa com o fato consumado do aumento da violência e da degradação do modo de viver a marginalidade. Os mais pobres são os mais atingidos pelas catástrofes naturais provocadas pela ação dos mais ricos sobre a natureza.
            Em 2013 o sociólogo da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, (UFRS), Antônio David Cattani lançou o livro intitulado “A riqueza desmistificada”, pela editora Marca Visual. Segundo Cattani, os detentores de grandes fortunas como Bil Gates, Silvio Berlusconi, Sebastião Piñera, empresários do setor de mídia e também importantes políticos em seus países, têm grande influência cultural, política e econômica. Acabam sendo verdadeiros totens, venerados e reverenciados por seus patrícios e outros fãs da aldeia global.  Quando é conveniente, seus nomes são substituídos por abstrações como bancos, empresas ou paraísos fiscais. Com isso as formas ilícitas de açularem fortunas ficam encobertas. Desta forma, os nomes dos magnatas ficam protegidos contra a infâmia, ratificando seu prestígio e legitimidade de suas posições. Usam sua influência e poder para exercer um tipo de ganância e ambição sem limites, que resulta em um extraordinário processo de transferência de renda.
            O publico manipulado pela mídia e até por algumas religiões, dá legitimidade às grandes fortunas pessoais. No senso comum, os mega-ricos são associados á idéia do esforço e talento, exercidos em uma economia de livre mercado. A filantropia é uma das estratégias adotadas para que pareçam cidadãos bem intencionados. Quando há insolvência nas empresas ou prejuízos nos bancos, os altos executivos nada perdem. Por outro lado, quando há lucro, estes são carreados para as fortunas pessoais de alguns poucos em prejuízo de muitos trabalhadores, pequenos empresários e pequenos acionistas.
            Em 2012 o prêmio Nobel de Economia, o americano Joseph Stiglitz publicou o livro intitulado “O preço da desigualdade”, tendo tido para tal obra, a colaboração do economista italiano Mauro Gallegati. Nessa obra afirma que a classe de 1% mais rica do mundo não é muito afeita ao consumo. Mesmo que o fosse não contribuiria com o desenvolvimento industrial e com o PIB. Somente uma classe média bem-sucedida e favorecida pela distribuição de renda tende a consumir todos ou quase todos os seus recursos, sustentando o PIB do próprio país e a economia de modo geral. O enunciado científico de Stiglitz e Gallegati é o seguinte: Quando o 1% mais rico da população concentra 25% da renda a bomba atômica econômica explode, isto é, o capitalismo entra em crise. Eles demonstram que isso aconteceu em 1929, 1998 e de 2003 a 2008. A descoberta de Stiglitz e Gallegati demonstra que a desigualdade corrói o PIB até matá-lo, não só por causa da queda do consumo, mas também porque o sistema de concentração é ineficiente. Este foi o maior ataque teórico e científico ao Neoliberalismo. Ao invés de compreender e assumir a culpa pelo não crescimento do PIB, a mídia, os donos do capital e os políticos neoliberal põem a culpa nos governantes.
            Está no topo da onda mundial, o livro “O capital no século XXI”, do economista francês Thomas Piketty. Para esse autor não há motivo para acreditar que o capitalismo poderá solucionar o problema da desigualdade que tem piorado e não melhorado. Como a desigualdade tende a aumentar, a discórdia social também vai aumentar.

Belo Horizonte, maio de 2014

Antônio de Paiva Moura

terça-feira, 27 de maio de 2014

Férias canadenses (1)

Dou início, hoje, a uma série de postagens diretamente do Canadá. Mais fotos do que textos, o que vai contribuir para amenizar o blog, que anda muito sério ultimamente!

Paisagem quase rural:


Na frente da escola do neto:



Flores e árvores:





Um novo bairro surgindo:


Estado atual, apenas um mês depois de iniciados os trabalhos de erguimento das casas.
Geralmente, ao fim de um ano 500 casas novas estarão prontas.




E o bairro ficará como este, vizinho:

sábado, 24 de maio de 2014

Na Europa, o passado ressuscita


É lamentável que isto esteja acontecendo, esta degradação regressiva, de ordem política, ética e espiritual, num continente que deu tantas contribuições.


Sabe-se que a mais eficaz estratégia do diabo é convencer-nos de que ele não existe. Porque aí ele reina.

Na Europa, os partidos de extrema-direita vêm repetindo ad nauseam que não são racistas. Que sua ojeriza diante dos imigrantes, por exemplo, se deve unicamente ao fato de que eles procedem de “culturas diferentes”. Parece aquele argumento do “gente diferenciada” para se opor à estação de metrô de Higienópolis em S. Paulo, lembram?

Ao mesmo tempo movimentos neo-fascistas são repintados com as cores de “heróis da democracia”. As cortes europeias  - conservadoras ou social-democratas/socialistas, com muita mídia à frente – prefere seguir demonizando a Rússia, Vladimir Putin, e fazer vista grossa para certos fascismos ambulantes, como o que perambula pela Ucrânia.

Hoje saiu na mídia a notícia de que o governo de Kiev vai enviar 55 mil policiais para o leste do país, a fim de garantir a problemática eleição de domingo, 25.

Assim como se apressou em desqualificar o plebiscito organizado pelos separatistas, o Ocidente realinhado já se prepara para reconhecer a “festa democrática” que será a eleição do dia 25.

Acontece que o governo de Kiev anunciou que irá enviar, junto com os 55 mil policias, mais 20 mil “voluntários”. Quem são estes “voluntários”? São os “heróis da praça Maidan”, isto é, os neofascistas de movimentos como o “Setor da Direita”, “Pravy Sektor”, e de outras partes do país, que já causaram mortes em Mariupol e Odessa, com a complacência das autoridades. Recentemente um governador de província elogiou os “heróicos” nazistas que combatiam o “imperialismo soviético”.

Algo lhe aconteceu, além de uma mulher irada lhe arrancar o microfone e jogá-lo ao chão? Não.

Mas de vez em quando, de surpresa, o velho travo racista ressurge em sua plenitude, embora se disfarce o quanto possa. Nesta quarta-feira, 21, o fundador da Frente Nacional francesa, Jean Marie Le Pen, durante em coquetel em Marselha, deu a espantosa declaração de que o vírus Ebola “poderia resolver o problema da imigração para a Europa em 3 meses”. Pode ser que os coquetéis ou uma forma de demência tenham lhe subido à mente, embora o mais provável seja que ele tenha sido apenas acometido por uma overdose de si mesmo.

O vírus Ebola é um vírus mortífero detectado pela primeira vez lá pelos anos 80, às margens no rio do mesmo nome, no antigo Zaire, hoje República Democrática do Congo, sobre cuja origem há muita controvérsia, indo desde o contato indevido com animais contaminados até conspiraçòes envolvendo agências de espionagem.

O racismo e o wishful thinking de um “genocídio natural” são inquestionáveis.
Entretanto a Frente Nacional está cotada para ser o partido mais votado na França nas eleições do Parlamento Europeu, assim como o xenófobo UKIP no Reino Unido – mas que pesquisas recentes apontam como não sendo reconhecido como “racista” pela maioria da população.

Desculpem o mau jeito, mas isto equivale a dizer que, bom, no fim de contas, o problema europeu nos anos 30 não era o racismo nazista, mas sim a “diferença” dos judeus, ciganos (roma), homossexuais, comunistas, social-democratas, liberais e depois outras gentes “diferenciadas”.

É lamentável que isto esteja acontecendo – esta verdadeira degradação regressiva, de ordem política, ética e espiritual – num continente que deu tantas contribuições para a luta em favor dos direitos humanos.

Mas assim é. Assim como nada acontece com pessoas que jogam bananas para jogadores negros, ou os chamam de "macacos", nada acontecerá, provavelmente, com o cidadão Jean Marie Le Pen. A não ser talvez sua esperada eleição para o Parlamento Europeu, onde, provavelmente, se tornará um dos líderes do promissor bloco de extrema-direita.
(fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Na-Europa-o-passado-ressuscita/30980)

Uma guerra mundial se aproxima


Com os postos avançados da OTAN localizados no Leste Europeu e nos Bálcãs, o último amortecedor que faz fronteira com a Rússia está sendo dividido.

Por John Pilger - CounterPunch

Porque toleramos a ameaça de uma nova Guerra Mundial? Porque permitimos mentiras que justificam esse risco? A escala da nossa doutrinação, escreveu Harold Pinter, é um “brilhante, até espirituoso e altamente bem sucedido ato de hipnose,” como se a verdade “nunca tivesse acontecido mesmo quando está acontecendo.”

Todo ano o historiador americano William Blum publica seu “sumário atualizado do relatório da polícia externa dos EUA” o qual mostra que, desde 1945, os EUA tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos democraticamente eleitos; interferiu grossamente nas eleições de 30 países; bombardeou a civilização de 30 países; usou armas químicas e biológicas; e tentou assassinar líderes internacionais.

Em vários casos a Inglaterra colaborou. O nível do sofrimento humano, não só criminalmente falando, não é muito conhecido no Oeste, mesmo com a presença da comunicação mais avançada do mundo e do jornalismo mais ‘livre.’ Que as maiores vítimas do terrorismo – nosso terrorismo – são muçulmanos, é um fato.

Que o jihadismo extremo, que levou ao 11/9, foi nutrido como uma arma da polícia Anglo-Americana (Operação Ciclone no Afeganistão) é suprimido. Em abril o departamento de Estado dos EUA notou que, seguindo a campanha da OTAN em 2011, “Líbia se tornou um refúgio para os terroristas.”

O nome do “nosso” inimigo mudou com o passar dos anos, de comunismo para Islamismo, mas geralmente é qualquer sociedade independente do poder ocidental e que ocupa estrategicamente território útil ou rico em recursos. Os líderes dessas nações obstrutivas são violentamente postos de lado, como os democratas Muhammad Mossedeq no Irã e Salvador Allende no Chile, ou são mortos como Patrice Lumumba no Congo. Todos estão sujeitos a uma campanha midiática ocidental que os denigre e os caricatura – como Fidel Castro, Hugo Chávez, agora Vladimir Putin.

O papel de Washington na Ucrânia é diferente somente nas suas consequências para o resto de nós. Pela primeira vez desde os anos de Reagan, os EUA estão ameaçando iniciar uma guerra. Com os postos avançados da OTAN no Leste Europeu e nos Bálcãs, o último “amortecedor” que faz fronteira com a Rússia está sendo dividido. Nós do Ocidente estamos apoiando os neonazistas em um país onde os nazistas ucranianos apoiaram Hitler.

Tendo arquitetado o golpe em Fevereiro contra o governo eleito democraticamente em Kiev, o confisco da histórica e legítima base naval de águas mornas Russa na Criméia, falhou. Os Russos se defenderam como fizeram contra qualquer ameaça e invasão vindos do oeste por quase um século.

Mas o cerco militar da OTAN acelerou, junto com os ataques americanos orquestrados aos russos étnicos na Ucrânia. Se Putin pode ser provocado até pedir auxílio, seu papel pré-ordenado de ‘alheio’ vai justificar uma guerrilha coordenada pela OTAN que, provavelmente, vai cair em próprio território russo.

Ao invés, Putin frustrou o partido da guerra quando estava procurando acomodação com Washington e a União Européia, retirando tropas da fronteira ucraniana e insistindo para que os russos étnicos ao Leste da Ucrânia abandonassem o referendo da semana. Essas pessoas que falam russo e os bilíngues – um terço da população ucraniana – tem solicitado há um tempo uma federação democrática que reflita as diversidades étnicas do país e que seja autônoma e independente de Moscou. A maioria não é nem separatista e nem rebelde, somente cidadãos que querem viver seguros em sua pátria.

Como as ruínas do Iraque e do Afeganistão, a Ucrânia se tornou um parque temático da CIA – dirigido pelo diretor da CIA, John Brennan, em Kiev, com ‘unidades especiais’ da CIA e do FBI criando uma ‘estrutura de segurança’ que fiscaliza possíveis ataques aos que se opuseram ao golpe em Fevereiro. Veja os vídeos, leia os relatórios das testemunhas do massacre em Odessa. Bandidos fascistas queimaram a sede do sindicato, matando 41 pessoas que estavam presas dentro. Assista a polícia ficar parada. Um médico disse tentar resgatar as pessoas, “mas fui impedido por pró-Ucrânia Nazistas radicais. Um deles me empurrou e disse que logo todos os judeus em Odessa teriam o mesmo destino. Me pergunto porque o mundo está em silêncio.

Ucranianos que falam Russo estão lutando para sobreviver. Quando Putin anunciou a retirada das tropas russas da fronteira, a secretária de defesa de Kiev – uma das fundadoras do partido fascista Svoboda – alertou que os ataques aos ‘insurgentes’ iriam continuar. De um jeito Orweliano, a propaganda no ocidente inverteu isso para Moscou “tentando orquestrar conflito e provocação,” de acordo com William Hague. Seu cinismo combina com o ‘parabéns’ nojento de Obama à junta do golpe pela sua ‘memorável repressão’ seguindo o massacre em Odessa. Ilegal e fascista, a junta é descrita por Obama como ‘devidamente eleita.’ O que importa não é a verdade, disse Henry Kissinger uma vez, mas sim o que se percebe como verdade.

Na mídia Americana, a atrocidade de Odessa tem sido chamada de ‘sombria’ e ‘tragédia’ na qual ‘nacionalidades’ (neonazistas) atacaram ‘separatistas’ (pessoas que coletavam assinaturas para o referendo na federação Ucraniana). O Wall Street Journal  de Rupert Murdoch condenou as vítimas – “incêndio mortal na Ucrânia foi iniciado por rebeldes, diz Governo.’ As propagando na Alemanha vem sendo como na Guerra Fria, com o Frankfurter Allgemeine ¬Zeitung alertando seus leitores da guerra “não declarada” da Rússia. Para os alemães, é uma ironia Putin ser o único líder a condenar a ascensão do fascismo na Europa do século 21.

Um truísmo popular é que “o mundo mudou depois do 11/9”. Mas o que mudou? De acordo com Daniel Ellsberg, um golpe silencioso aconteceu em Washington e quem comanda agora é o militarismo excessivo. O Pentágono atualmente coordena as ‘operações especiais’ – guerras secretas – em 124 países. Em casa, elevando a pobreza estão os corolários históricos de um estado em guerra perpétua. Adicione o risco de uma guerra nuclear, e a pergunta é: por que toleramos isso?
(Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Uma-guerra-mundial-se-aproxima/6/30994)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Uma baderna organizada

Por Luciano Martins Costa

O leitor que abriu qualquer um dos grandes jornais na quarta-feira (21/5) pode facilmente concluir que o Brasil não chega até o fim do ano. A impressão que passa o noticiário é a de que a anarquia está solta nas ruas, as instituições perderam o sentido e desapareceram os vínculos que mantêm coesa uma sociedade.
O noticiário tem como carro-chefe uma greve-surpresa de motoristas de ônibus em São Paulo, deflagrada logo após o anúncio de um acordo entre o sindicato e as empresas e levada a efeito em uma série de ações claramente planejadas para provocar o caos na maior cidade do país.
Tudo teria começado com uma dissidência do sindicato, conforme afirma a imprensa? Difícil acreditar que uma articulação tão eficiente tenha brotado de maneira espontânea, mobilizando grupos de ativistas para os pontos onde suas ações iriam provocar o maior estrago possível. A paralisação simultânea de mais de uma dezena de terminais, o assédio e bloqueio de centenas de ônibus nas artérias mais importantes, de onde se pode paralisar praticamente todo o trânsito da cidade, não foram iniciativas isoladas.
Os jornais compram a ideia de que tudo se resume a uma disputa entre candidatos a líderes da categoria dos motoristas. Os dissidentes, responsabilizados pelo imenso transtorno que afetou cerca de 300 mil cidadãos, seriam todos empregados de uma mesma empresa e teriam sido derrotados na última eleição para a diretoria do sindicato.
A imprensa não se interessou em saber que grupo político eles representam, uma vez que, como se sabe, as entidades de classe são disputadas por facções ligadas a centrais sindicais, que por sua vez servem de massa de manobra para partidos políticos.
Não há hipótese de que a tática extremamente eficaz, que provocou filas de ônibus em pontos cruciais da cidade, muitos com pneus furados ou com as chaves arrancadas ou quebradas, tenha sido decidida no momento. A baderna foi organizada demais para ser aceita como uma explosão súbita de descontentamento, mas a imprensa comprou essa versão.

Deu a louca no ministro

Também se pode colher nos jornais um punhado de decisões judiciais que transferem a ideia do caos para uma instituição que deveria representar o poder moderador na República: se levar em conta apenas o que diz o noticiário de quarta-feira, o cidadão vai achar que a Justiça entrou em pane.
O rol das trapalhadas começa com o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, ordenando a soltura de todos os indiciados na chamada Operação Lava-Jato e logo em seguida voltando atrás, alertado por um juiz do Paraná de que alguns dos acusados poderiam aproveitar a liberalidade para fugir do país.
Há também uma decisão estabelecendo o sigilo sobre operações da Polícia Federal envolvendo toda a cúpula do governo de Mato Grosso, incluindo o governador, ex-governador, senadores, deputados e empresários, em investigação sobre lavagem de dinheiro. A iniciativa de blindar as informações foi do procurador-geral da República, acatada pelo ministro do STF José Antônio Dias Toffoli.
Entra no pacote das notícias que causam estranhamento a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, que provocou novo ponto de atrito com o Poder Executivo ao atuar em favor de uma Proposta de Emenda Constitucional que transforma em letra morta o limite legal para o teto de vencimentos de servidores públicos. Barbosa quer ver aprovada a criação de um adicional por tempo de serviço de 5%, aplicável a cada cinco anos, sobre os vencimentos de todos o magistrados brasileiros, além dos integrantes do Ministério Público federal e Estadual. Tudo isso, claro, na melhor das intenções corporativistas.
Como o benefício teria efeito retroativo, o aumento pode ser estendido aos servidores aposentados e pensionistas do sistema judiciário, produzindo uma bola de neve capaz de causar imensos transtornos ao Tesouro. Com base na mesma norma, muitas outras categorias profissionais poderiam requerer isonomia, o que tornaria impossível manter o planejamento de gastos públicos já a partir deste ano e levaria riscos à governabilidade.
O leitor que se debruçar sobre as páginas dos jornais vai chegar à conclusão de que deu a louca em sua Excelência, mas sua Excelência é aquilo que é.

(fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/uma_baderna_organizada)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Brasil investiu R$ 850 bilhões em saúde e educação e R$ 25,6 bi em obras da Copa

Desde 2010, o governo federal investiu R$ 850 bilhões em saúde e educação, enquanto os investimentos totais no Mundial atingem R$ 25,6 bilhões.


Najla Passos

Brasil - Apesar dos investimentos para a realização da Copa do Mundo, o Brasil aumentou de R$ 101 bilhões para 107,5 bilhões os investimentos em educação, de 2013 para 2014, e de R$ 83 bilhões para R$ 91 bilhões os em saúde, no mesmo período.

“Essa discussão de que a copa tira recursos da saúde e da educação é falsa”, afirmou o titular da Secretaria Nacional de Relações Político-sociais da Secretaria Geral da Presidência, Wagner Caetano, no debate “A copa será um bom negócio para o Brasil?”, realizado no Teatro dos Bancários, na noite desta terça (20), em Brasília.

Segundo ele, os investimentos nessas diferentes áreas são independentes, mas se somam em benefício da população. “Desde 2010, quando o governo começou a discutir os preparativos para a copa, já foram investidos R$ 850 bilhões em saúde e educação, enquanto os investimentos totais no mundial – incluindo federais, locais e privados – atingem R$ 25,6 bilhões”, acrescentou.

O secretário lembrou que os gastos exclusivos com a copa referem-se apenas aos custos dos estádios – de R$ 8 bilhões – que também servirão também para outros fins. “Os outros investimentos envolvem obras que vão impactar diretamente na melhoria da qualidade de vida da população, como as obras de mobilidade urbana”, ressaltou.

Apesar dos atrasos em algumas obras, ele foi taxativo em avaliar os resultados já conquistados como positivos. Dos doze estádios previstos, nove já estão concluídos e três serão entregues nos próximos dias. “Todos eles estarão em pleno funcionamento durante a copa”, assegurou. Das obras de mobilidade urbana, 42 já estão prontas ou em andamento e 16 voltarão para o PAC e serão concluídas em breve. e as outras serão entregues até o final do ano.

Caetano também citou a realização de 30 intervenções nos aeroportos e reformas de seis portos como legados que o mundial deixará para o país. E, ainda, os R$ 402 milhões de investimentos em telecomunicações e R$ 1,9 bilhão em segurança pública, além dos impactos sociais, como a criação dos 50 mil empregos para construção dos estádios, a abertura de 47,9 mil postos na cadeia do turismo, a inserção social de 840 catadores de lixo e as 16 mil matrículas nos cursos do Pronatec.

Tudo isso se justifica, segundo ele, frente às receitas a serem geradas: a expectativa é que o país receba 600 mil turistas estrangeiros e três milhões brasileiros, que devem gastar até R$ 25 bilhões, três vezes mais do que o que foi investido nos estádios.

Expectativas do DF

Em Brasília, as expectativas com o mundial também são grandiosas e, segundo secretário extraordinário da Copa, Cláudio Monteiro, justificam a prioridade que o governo deu à realização do evento. “Só com um jogo na Copa das Confederações, no ano passado, tivemos um incremento de 14% na receita”, comparou.

Para a copa, ele calcula que os lucros serão muito maiores. “A estimativa é que cada turista gaste R$ 11, 4 mil. E estamos esperando 206 mil estrangeiros e 402 mil brasileiros só em Brasília”, contabilizou.

O secretário também listou os legados que ficarão para a cidade, em qualificação da mão de obra, mobilidade urbana, qualidade de vida. “Para cada R$ 1 que o GDF investiu na copa, o Governo Federal investiu R$ 4 em obras e melhorias para a capital. Há décadas a cidade não recebia tantos investimentos”, afirmou.
(fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Brasil-investiu-R$-850-bilhoes-em-saude-e-educacao-e-R$-25-6-bi-em-obras-da-Copa/4/30979)

A oposição só acredita em desemprego

Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego.

(Wanderley Guilherme dos Santos)



Ciclos de recessão e desemprego fazem parte da dieta normal da tristeza capitalista. Isso é história econômica banal. Mas nada triviais são os esforços para evitar, superar e em último caso amenizar as seqüelas que, como já diagnosticara Alexis de Tocquevile, constituem o outro lado da moeda da expansão do mercado.

Em favor da verdade, a necessidade de intervir nesses maléficos processos não foi desde logo reconhecida nem muito menos, mesmo depois de registrada em cartório, aceita como necessária. Para os que, julgando-se Isaac Newton, acreditavam que as leis dos mercados capitalistas copiavam as leis da física clássica, toda intervenção seria inútil, tentativa de emendar a lei da gravidade universal. Pior, seria desastrosa, desajustando as leis da oferta e demanda. Foram precisos muito desemprego e muitas recessões até que surgissem concepções não mecânicas do mundo humano.

No Brasil criou-se o seguro-desemprego em 1986, embora já previsto na Constituição de 1946. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), instituído em 1990, foi outro grande marco de defesa do trabalho diante da imprevisibilidade capitalista. Finalmente, durante as três administrações petistas estenderam-se amplamente as políticas pró-trabalho. Não é à toa que organismos internacionais proclamam a excelência do programa Bolsa-Família, entre outros, copiada em vários países.

Mas o seguro-desemprego e equivalentes só compensam relativamente a perda de renda quando o trabalhador já está desempregado. Com o fim da estabilidade no emprego, na década de 80 do século passado, estabeleceu-se um buraco legislativo que a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não preencheu. Trata-se de desenhar medidas que evitem ao ciclo de expulsão do mercado de trabalho sem onerar excessivamente a folha de pagamentos das empresas. É neste sentido que os Ministérios da Fazenda e do Trabalho preparam medida provisória regulamentando a flexibilização da jornada laboral. Por ela, as empresas em comprovada dificuldade financeira cortariam temporariamente em até 30% o salário do trabalhador enquanto o governo ficaria responsável por complementar metade da parcela reduzida. Com a dificuldade financeira conjuntural do FAT (com fundos destinados a outras demandas do crescimento econômico e proteção aos trabalhadores), o governo inclina-se para financiar o programa com recursos do FGTS. Na proposta, o empregado beneficiado continuará a descontar para o Fundo de Garantia do Trabalhador. As centrais sindicais estão de acordo com a futura medida provisória.

Sem nenhuma surpresa, já se ouvem vozes críticas ao financiamento do novo programa, disfarce da real oposição que, no fundo, é à própria medida. Não importa que programas semelhantes tenham sido implantados em um punhado de países, desenvolvidos ou não: Bélgica, Alemanha, Itália, Japão, Nova Zelândia, México, Hungria e República Tcheka. O Brasil, para esses arautos, nunca estará pronto para nenhuma iniciativa contrária ao mito do automatismo mercadista. Se o FAT, conjunturalmente, apresenta débitos em suas contas, o excedente real do FGTS não deveria ser utilizado em seu lugar, tendo em vista possíveis despesas futuras de origem sabida ou não sabida. Ou seja, uma possibilidade, que a seu tempo será administrada, como tudo em qualquer governo, seria motivo para abortar um extraordinário benefício atual, considerando as mais do que previsíveis oscilações do mercado.

O terrorismo fiscal sempre fez parte do embornal conservador. De nada valem os fracassos de suas previsões. Mudam de argumento. Os conservadores brasileiros estão, todavia, exagerando. Além de substituírem as verdadeiras estatísticas nacionais pelos sensacionalismos da mídia estrangeira, apelam para um indicador único para avaliar o “sucesso” de um governo: a taxa de desemprego. Quanto maior, melhor o governo. Deles. 

O problema, como se sabe, não faz parte da estratosfera sustentável em que Marina Silva desfila. Eduardo Campos é omisso neste quesito, assim como em vários outros, embora fosse interessante saber como ele faria mais e melhor em matéria de emprego e de proteção ao trabalhador. Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego. Só desemprego estima a saúde de uma economia. Repetindo: para a oposição quanto maior o desemprego, melhor o governo. Cáspite! 
(fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-oposicao-so-acredita-em-desemprego/4/30990)

terça-feira, 20 de maio de 2014

"Dilma Bolada" e o marqueteiro de Aécio

Vale a pena clicar no primeiro link, na primeira linha do artigo para ver o post do Jefferson Monteiro:


Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Num post publicado no final da noite de ontem, Jeferson Monteiro, o jovem e talentoso criador do perfil satírico Dilma Bolada, um grande sucesso da internet, revela as propostas que recebeu de um grupo que tem à testa Pedro Guadalupe, apontado pela Folha como “marqueteiro digital” de Aécio Neves.

Procurado por alguém para conversar sobre uma proposta comercial, Jeferson “deu conversa” e, como ele narra, “o cara me retorna o contato dizendo que falou com o Pedro Guadalupe, membro da equipe digital de Aécio Neves, que por sua vez queria falar comigo.”

Nem deu tempo d’eu responder: o próprio Pedro Guadalupe me enviou um e-mail ansioso se fazendo de amigo, no melhor estilo “lobo em pele de cordeiro” num cinismo sem igual e como se nunca tivesse feito nada pra mim, querendo saber se era mesmo verdade que Dilma Bolada, estava a venda para aproveitar a personagem e usar o seu “capital político/poder para mudar opiniões” dos internautas.

Guadalupe, conta Monteiro, já havia ameaçado tirar o “domínio” Dilma Bolada no Facebook.

A resposta de Jeferson Monteiro é pública, postada em seu Facebook pessoal:

Resolvi expor tudo isso aqui porque eu há mais de 1 ano venho sido constantemente atacado por pessoas dessa corja. Sujos e cínicos que têm a capacidade de inventarem mentiras absurdas que vão desde histórias de que mantenho “ligação direta com a Presidenta” até “de sou pago com o dinheiro público e recebo R$120 mil/mês” como foi dito recentemente num blog de simpatizantes tucanos. Não Pedro Guadalupe, eu não quero o dinheiro sujo de vocês. Diferentemente de você eu tenho caráter. Mas é esse o tipo de gente, que Aécio que diz com a maior cara de pau do mundo que “não vai tolerar campanha suja na internet” mantém na equipe, em contato constante com sua irmã, fazendo o possível e impossível para atacar a honra das pessoas e espalhar todo esse chorume de desinformação na internet.
Guadalupe – que já tentou arranjar encrenca com este Tijolaço quando mostramos que, dois anos antes de se oferecer para a marquetagem de Aécio, escrevia artigos em seu site chamando-o de “O abominável homem dos Neves” e acusando-o de manipular a imprensa – vai ter que carregar as lições de um guri que não confunde ter talento humorístico com ter um caráter que seja uma lastimável piada como o seu:

“(…) eu queria dizer que nem todo mundo tem seu preço. E que eu e nem a minha criação estão a venda, nunca estiveram. Eu esperei ansiosamente pra escrever isso: vocês podem comprar quem quiserem mas a mim não. O que eu faço não há dinheiro no mundo que pague. Vocês deveriam ter sido um pouquinho mais espertos e terem tido o feeling pra saber que eu não sou e nunca vou ser como vocês. Lealdade não se compra e nem se vende".

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Curso de Marketing Político

A pedidos:

Belo Horizonte recebe mais uma edição do Curso Prático de Marketing Político, promovido pela Machado Inteligência Política. O curso acontecerá nos dias 6 e 7 de junho (sexta, das 19h30 às 22h30 - sábado, das 8 às 18 horas), na sede da Faculdade Novos Horizontes, a dois quarteirões da Assembleia Legislativa, no bairro santo Agostinho.

São três palestras dadas por especialistas com experiência no mercado abordando diversos temas de interesse para quem atua com política, como por exemplo, marketing e estratégia política, assessoria de imprensa, gestão de crises, diferenças entre publicidade e propaganda, novidades na legislação eleitoral. Além das palestras, haverá uma parte de prática com o objetivo de aprimorar e avaliar os conteúdos apreendidos.

Uma ótima oportunidade para jornalistas, publicitários, assessores parlamentares, candidatos veteranos e de primeira viagem e estudantes de graduação e pós-graduação que se dedicam a áreas afins.


sexta-feira, 16 de maio de 2014

O fogo eterno


O primeiro-ministro interino da Ucrânia foi obrigado a reconhecer a responsabilidade das forças de segurança de seu governo pela morte de 46 pessoas.




No dia 27 de abril, em Lvov, na Ucrânia, um grupo de centenas de pessoas – a maioria de jovens “arianos” - se reuniu para prestar homenagem à Décima Quarta Divisão Waffen SS Grenadier. A unidade foi criada pelos nazistas em 1943, com “voluntários” ucranianos, que cometeriam depois diversas atrocidades contra seu próprio povo.

Foi nesse país - tomado pela estupidez e a loucura - que, premido pelas circunstâncias, o “primeiro-ministro” “interino”, Arseni Yatseniuk, foi obrigado a reconhecer, há três dias, a responsabilidade das “forças de segurança” de seu “governo” pela morte, em Odessa,  de 46 pessoas.

A maioria delas foi queimada viva, no interior da Casa dos Sindicatos, ocupada por russo-ucranianos e anti-golpistas, e cercada por um bando imberbe e covarde de aprendizes de assassino, e de “unionistas”. Um termo recém-criado pelos jornais ocidentais para designar os neonazistas do Pravy Sektor, o Setor de Direita, da Ucrânia.

As declarações de Yatseniuk - ele próprio já flagrado fazendo a saudação hitlerista - desmentem as primeiras versões, publicadas por meios de comunicação ocidentais. Os sitiados teriam, segundo elas, queimado a si mesmos, incendiando a base do prédio em que se encontravam, ao atirar “coquetéis” Molotov  na rua.

Nos vídeos feitos no local, em nenhum momento se vê alguém jogando algo, ou disparando, das janelas. Mas, por diversas vezes, se pode perceber garrafas cheias de gasolina sendo lançadas por quem estava do lado de fora, explodindo, em labaredas, nas paredes, e homens de colete à prova de balas disparando em direção à fachada.

Os nazistas, como seus infernais rebentos, - e certos animais que o temem - sempre tiveram reverente fascínio pelo fogo. Hitler ascendeu ao poder, e exterminou a oposição de esquerda, colocando nos comunistas e socialistas a culpa pelo incêndio – pessoalmente ordenado por ele mesmo – do Reichstag, a sede do parlamento alemão da época.

Göering mandava queimar, publicamente, em grandes piras, obras de arte e livros considerados subversivos, seqüestrados das residências de opositores – o que daria origem, mais tarde, a obras como Farenheit 451, de Ray Bradbury.

Os assassinos da SS, antes de cercar, incendiar aldeias e matar a população de cidades como Lidíce ou Oradour, cantavam, bêbados, hinos guturais em volta de fogueiras, nas quais esquentavam, à noite,  seus punhais.

E não há como esquecer a luz macabra que saía dos fornos dos crematórios dos campos de extermínio, que se abriam e fechavam sem parar, como a boca insaciável da morte.

Mas o Fogo Eterno não é aquele do Mal, que consumiu o prédio da Casa dos Sindicatos e dezenas de vidas na semana passada, em Odessa.

O Fogo Eterno é aquele que brilha, mas não se apaga, no coração dos heróis.
O Fogo Eterno queima, e não se consome,  no peito dos que morreram na luta contra o nazismo. Da mesma forma como estão morrendo, agora, os russo-ucranianos em defesa de seu solo, de sua língua, da honra de seus antepassados, e do sangue que seus filhos herdarão, para contrabandear, driblando desafios e malefícios, até as manhãs do futuro.

O Fogo Eterno é aquele que guiou os manifestantes que, horas depois, libertariam 67 companheiros que estavam trancados nas celas da sede das forças de segurança, na mesma cidade.

O Fogo Eterno é aquele que brilha na alma dos homens e das mulheres, que, aos milhares, depositaram em homenagem aos mortos, dúzias e dúzias de flores, de todas as cores, diante do prédio incendiado, e em outros altares improvisados, por toda Odessa.

Muitos gostariam que essa chama – aquela que Prometeu roubou aos Deuses – a da Indignação, da Inteligência e da Utopia, se apagasse de uma vez por todas.

Há quem queira que fique, apenas, a iluminar a humanidade, a luz mortiça que tremula aos pés de barro dos ídolos da cobiça e do egoísmo – e a competição estéril de homem contra homem, pelos frutos do hedonismo, no espaço que separa o nascimento e a morte.

No entanto - apesar de seus adversários - o Fogo Eterno, que não é aquele do inferno, mas sim, o da Liberdade, continuará a arder no coração dos homens, a incomodar a paz dos indiferentes, a atrapalhar o ócio dos privilegiados. E a iluminar a caminhada da Humanidade, em sua luta por justiça, pelas sinuosas trilhas da História.
(Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/O-fogo-eterno/30867)

Deixem a ortografia em paz


Com o objetivo de simplificar a ortografia, no ano passado a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) criou o Grupo de Trabalho Técnico (GTT). Seu objetivo é definir – em conjunto – o que eles chamam de um idioma claro e acessível a todos.
Acerca dessa polêmica questão, Jaime Pinsky – historiador, professor titular da Unicamp e diretor da Editora Contexto – escreveu o artigo "Deixem a ortografia em paz", publicado no jornal Correio Braziliense na semana passada.
Gostaríamos de saber sua opinião sobre o assunto. O que você acha?

Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense em 09/05/2014
por Jaime Pinsky

Do Senado, duas notícias, uma boa e outra má. A boa: parece que temos senadores preocupados com o ensino de português. A má: querem alterar outra vez nossa ortografia, agora radicalmente, com a esperança de que, com isso, alunos possam obter melhores resultados na aprendizagem da língua. Criaram até uma comissão, com o objetivo de aplicar o acordo ortográfico (o mesmo que, na prática, já está em vigor), e para fazer com que “se escreva como se fala”. Além de não ser boa, a ideia é impraticável. Fico curioso a respeito de como vai se escrever, por exemplo, aquilo que na ortografia atual é denominada Estação das Barcas (lá na Praça Mauá, no Rio de Janeiro). Para “fazer justiça” à pronúncia, deveríamos grafar “Ijtação daj Barcaj” ou Ixtação dax Barcax”? Fora do Rio, talvez “Istação”, ou ainda “Stação”, como muita gente fala, já que poucos dizem “estação”, além dos curitibanos…

E como redigir o quarto mês do ano? “Abriu”, como dizem muitos brasileiros, “abril”, como diriam alguns gaúchos, ou “abrir”, como parte dos paulistas, mineiros, paranaenses e outros pronunciam? Cabe ao leitor pensar em outros exemplos.

Pesquisas excelentes, feitas por linguistas sérios (Thais Cristófaro, Ataliba Castilho, Stella Maris Bortoni, entre muitos outros) têm mostrado enorme variação linguística até no chamado português culto. Qual seria, pois, o ponto de partida oral, para sua suposta reprodução em texto escrito? Obrigar todos a pronunciar as palavras de uma só maneira, ou ter uma infinidade de representações gráficas para diferentes expressões fonéticas?

Mas isso não é tudo. Como costuma lembrar Carlos Alberto Faraco, a língua escrita não é mero reflexo da língua falada: ambas constituem meios autônomos de manifestação do saber linguístico. A ortografia é uma representação abstrata e convencional da língua. E é fundamental que o sistema ortográfico seja estável e que, independentemente da variação na fala, haja uma única representação gráfica por palavra. Do contrário, não teríamos como reconhecer palavras que fossem escritas em outro tempo (ou até em outro espaço). Seria o caos.

As línguas, patrimônios culturais da humanidade, possuem história. Elas resultam de práticas sociais que as moldaram para que aqui chegassem do jeito que são. São fatores fonológicos, morfológicos, etimológicos e de tradição cultural que fizeram com que nossa língua seja grafada do jeito que é. Línguas também têm parentesco, e nossa origem latina comum permite que possamos ler com relativa facilidade (mesmo que não falemos) outras línguas como o espanhol, o francês e o italiano. Mesmo o inglês, graças ao enorme contingente de palavras de origem latina, fica mais acessível a partir de grafias semelhantes. Arrancar as raízes de nossa ortografia seria romper com importantes aspectos de nossa identidade histórica.

Temos ainda o aspecto prático, talvez o mais relevante de todos. Quando foi imposto o último acordo ortográfico (que, absurdamente, teve sua implantação oficial postergada), toda a indústria editorial movimentou-se para preparar novas edições de todo o seu acervo. Dezenas de milhares de títulos sofreram as mudanças exigidas pelo MEC e outros órgãos governamentais e privados. Gramáticas e dicionários foram refeitos; tratados foram revisados; livros infantis, alterados; manuais, reeditados. Uma nova reforma seria desastrosa, não só para as editoras, mas também para os governos, que teriam que substituir todas as bibliotecas novamente. Trata-se de muito dinheiro jogado fora, possivelmente levando à falência muitas casas editoriais importantes, promovendo gasto desnecessário de verbas públicas, tornando obsoletos bilhões de livros escolares e universitários.

E há, ainda, o aspecto da exclusão social. Quando uma reforma ortográfica é implantada, grande parte dos adultos se torna analfabeta, já que eles nem sempre conseguem reter e utilizar as novas regras inventadas por capricho de meia dúzia de “sábios”, ou de desavisados.

A preocupação é com a qualidade do ensino? Busquem-se soluções adequadas, fazendo com que excelentes pesquisas realizadas por importantes grupos de especialistas possam chegar até as escolas brasileiras, por meio de amplo programa nacional de qualificação de professores do ensino fundamental. Se houver, de fato, intenção de melhorar o ensino no Brasil, está cheio de gente boa pronta para ajudar.

Jaime Pinsky é historiador, professor titular da Unicamp, diretor da Editora Contexto, autor de Por que gostamos de história, entre outros livros

(Fonte: http://www.editoracontexto.com.br/blog/jaime-pinsky-deixem-a-ortografia-em-paz/?utm_source=Editora+Contexto+-+Geral&utm_campaign=8f14bed225-Deixem_a_ortografia_em_paz_Jaime_Pinsky5_15_2014&utm_medium=email&utm_term=0_571fde3813-8f14bed225-286514934)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A eleição de 2014 no Brasil e o reposicionamento geopolítico dos EUA

Os Estados Unidos estão deixando o Iraque e o Afeganistão em segundo plano e se preparando para enquadrar a China e também os BRICs.


Marco Aurélio Weissheimer 

Porto Alegre - Pela primeira vez na história da democracia brasileira temos um governo de centro-esquerda tão longo, construído a partir do centro político e conduzido pelo PT. Agora, o desafio do PT e do governo Dilma é, ao mesmo tempo, manter esse centro político e construir uma nova agenda social para a classe trabalhadora do país. A avaliação é do economista Marcio Pochmann, ex-presidente do IPEA e atual presidente da Fundação Perseu Abramo, que participou de um debate segunda-feira à noite, no Hotel Everest, promovido pelo mandato do deputado federal Pepe Vargas (PT/RS).

Pochmann fez um balanço sobre o período de doze anos dos governos Lula e Dilma, falou sobre os desafios que estão colocados para a continuidade desse projeto nos próximos anos e analisou o cenário internacional no qual se dará essa disputa, em especial no que diz respeito às relações entre Brasil e Estados Unidos.

Para contextualizar a natureza desses desafios, Marcio Pochmann situou a posição do Brasil hoje no mundo. “O Brasil não é um país do centro dinâmico capitalista. Não temos uma moeda forte internacionalmente, não temos uma produção tecnológica de peso, a nossa participação em patentes é muito débil e também não temos forças armadas de grande peso”. Ou seja, apesar de o protagonismo internacional do país ter aumentado significativamente nos últimos anos, o Brasil segue sendo um país da periferia capitalista e é neste contexto que os desafios para o futuro devem ser pensados.

O economista atribuiu o sucesso do projeto atualmente no comando do país ao grande grau de mobilização e enraizamento social do PT e à fragmentação da classe dominante provocada pelas políticas neoliberais. Esse quadro, assinalou Pochmann, permitiu que o PT chegasse ao governo federal com uma maioria política muito fragmentada e tendo que lidar com uma série de contradições geradas pelo neoliberalismo. Isso aconteceu também em virtude de uma nova relação adotada com o centro político. “Nós aprendemos com movimentos políticos anteriores, como o de João Goulart, que tentaram fazer reformas no Brasil, mas foram interrompidos pelas classes dominantes. Essas tentativas nos tornaram mais cuidadosos quanto às fragilidades da democracia no Brasil. A estrutura do nosso Judiciário é praticamente a mesma do tempo da ditadura. O Legislativo hoje, em todas as suas esferas, dá golpes no poder Executivo, caso esse afronte os interesses dominantes”.

Esse aprendizado com derrotas anteriores e a decisão de incorporar o centro político tiveram como uma de suas contrapartidas, assinalou ainda Pochmann, a necessidade de fazer uma série de concessões. “Temos uma democracia com problemas, com uma representação extremamente desigual. Um exemplo disso é o peso dos proprietários de terra no Congresso. Apesar desses limites e problemas, o PT está há 12 anos no governo federal e procurou fazer uma polarização mais avançada, mas sempre preservando o centro”. Para Pochmann, as três principais conquistas desse período foram as seguintes:

1. Reposicionamento do Brasil no mundo. O Brasil é hoje uma referência internacional. O país inventou outra diplomacia que, entre outras coisas, perdoou a dívida de países mais pobres e estabeleceu acordos de cooperação técnica. Nós mudamos o padrão de nossas relações comerciais, fortalecendo o eixo Sul-Sul. Nossas Forças Armadas estão firmando parcerias, como ocorreu agora com a Suécia no caso da compra dos caças, que envolvem transferência de tecnologia. Em parceria com França e Argentina, estamos construindo submarinos nucleares. Na licitação do campo de Libra, firmamos relações com chineses e franceses. Tudo isso expressa uma mudança significativa na política de inserção internacional do Brasil.

2. Construção de uma nova estratificação social. O salário mínimo aumentou mais de 70% em termos reais. Houve uma expansão do trabalho com a criação de 22 milhões de novos empregos, 90% deles com a carteira assinada. A média salarial do país, embora ainda seja baixa, chegou a dois salários mínimos, o que significou uma expressiva mudança na inserção social e econômica de milhões de pessoas.

3. Reinvenção do mercado. Hoje temos de 10 a 12 políticas públicas voltadas para pequenos empreendimentos, cerca de 4 milhões de microempreendedores individuais, que têm acesso a políticas de compras públicas e de microcrédito.

O reposicionamento dos EUA no cenário mundial

Ao contextualiza o cenário internacional no qual se dará a disputa eleitoral este ano Brasil, Pochmann destacou como tema central o reposicionamento dos Estados Unidos. “Desde 2008, os Estados Unidos estão com um problema sério e olham para a China cada vez com mais atenção. Os EUA estão deixando o Iraque e o Afeganistão em segundo plano e se preparando para enquadrar a China  e também os BRICs. Além disso, estão enfrentando a crise energética apostando no xisto e ganharam em competitividade com a redução do custo de sua mão-de-obra nacional. Hoje, os EUA querem se livrar do Iraque e do Afeganistão e se concentrar na China”.

Neste cenário, acrescentou Pochmann, a eleição de 2014 no Brasil é chave para os Estados Unidos. Não é pouca coisa que está em jogo no futuro político do país. “O ataque que a Petrobras vem sofrendo não é só eleitoral, mas tem também um elemento de disputa comercial dramático. O Brasil precisa ter grandes empresas, públicas e privadas, para assumir uma posição menos periférica em um mundo onde as grandes corporações econômicas são responsáveis por dois terços dos investimentos em novas tecnologias. Além isso, precisa também construir um grande bloco de investimentos, como tivemos com Getúlio e JK, com capacidade de coordenar o investimento privado no país”.

Tarefas para o futuro

O economista apontou, por fim, algumas tarefas que o PT e seus aliados têm no próximo período para garantir a continuidade e o avanço do atual projeto. Entre elas, destacou:

Construção de uma nova agenda para a classe trabalhadora: temos um grande crescimento de trabalhadores no setor de serviços, de trabalho imaterial. Cerca de 22 milhões de pessoas entraram no mercado de trabalho e que não foram para os sindicatos. Nós temos um outro tipo de trabalho hoje, com grande expansão do trabalho imaterial, onde as pessoas estão conectadas 24 horas por dia. Não sei se as instituições que temos hoje são portadoras de uma agenda para o futuro. Tivemos cerca de 40 milhões de pessoas que ascenderam socialmente. Esse é um segmento em disputa.

Revolução na Educação: por que o filho do pobre tem que entrar no mercado de trabalho antes de terminar a universidade? O país precisa desenvolver um sistema de educação contínua, uma educação para a vida toda. Todas as grandes empresas brasileiras têm hoje uma universidade corporativa. Elas têm a consciência de que é preciso aprender e capacitar durante toda a vida. As pessoas estão vivendo mais e trabalhando até mais tarde. Cerca de um terço dos aposentados e pensionistas estão trabalhando.

Jornada de Trabalho: é preciso uma CLT de novo tipo para os trabalhadores do setor imaterial (serviços). Cada vez mais as pessoas estão trabalhando muito em casa e estão trabalhando mais. Nada disso está regulamentado.
(Fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-eleicao-de-2014-no-Brasil-e-o-reposicionamento-geopolitico-dos-EUA/4/30924)

Crescem críticas a transgênicos, mas agronegócio resiste


Além da França, até China e EUA começam a estudar proibições ou rotulagem. No Brasil, grandes plantadores e transnacionais ainda bloqueiam debate sobre tema

Por Washington Novaes, na Envolverde

É preciso prestar atenção. Em meio a notícias das últimas semanas sobre a possibilidade de aumentar muito, principalmente para a China, as exportações brasileiras de grãos, especialmente de soja, chegam também informações sobre o recrudescimento das controvérsias e das decisões judiciais sobre transgênicos em muitos países – e que podem afetar mercados.
Pode-se começar pela França, que acaba de proibir ali o cultivo de milho geneticamente modificado, por decisão da mais alta corte de Justiça do país, confirmada também pelo Senado, depois de haver passado pela Câmara Baixa (noticias.br.ms.com/economia, 6/5). Da mesma forma, o Conselho de Estado rejeitou pedido de produtores do milho modificado para que a proibição de plantio fosse revogada. E o Ministério da Agricultura há dois meses já proibira o plantio da única variedade de milho transgênico resistente a insetos liberada na União Europeia (UE). O caso ainda vai ser julgado pela UE, mas os países-membros podem tomar decisões em seus territórios.
Do outro lado do mundo, artigo publicado pela Academia Militar de Ciências da China está causando alvoroço ao dizer que há evidências de danos à saúde de 1,3 bilhão de chineses pela soja importada – e isso pode levar ao banimento total das compras do produto no exterior (www.realfarmacy.com/chinese-ministry-newspaper), “principalmente nos Estados Unidos e no Brasil”. Não por acaso, o país rejeitou há pouco (AS-PTA, 28/3) nada menos do que 887 mil toneladas de sementes transgênicas de uma variedade de milho. E também lá o governo central divulga estudo segundo o qual um quinto das terras agrícolas no país está contaminado – e em processo de degradação – por metais tóxicos que podem provir de produtos químicos e outros insumos usados.
No Sri Lanka foi proibido o uso de glifosato em culturas transgênicas, por estar “relacionado com milhares de mortes de trabalhadores rurais”. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulga (14/3) que encontrou resíduos de transgênicos em 198 casos, principalmente com arroz, milho e mamão.
Até nos Estados Unidos a questão ressurge, em Vermont, Oregon, que pode vir a ser (2/5) o primeiro Estado a exigir rotulagem de transgênicos, com lei já aprovada no Legislativo local e à espera de sanção pelo governador. Em outros 30 Estados há discussões a respeito, inclusive com parlamentares pedindo que a questão da rotulagem seja decidida em nível federal (The Wall Street Journal, 29/4). Mesmo com toda a reação, os transgênicos em cinco países representam 90% da produção, segundo a cientista Mae-Wan Ho (Eco 21, fevereiro de 2014).
É possível que a questão volte a incendiar-se por aqui. Uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) obtida pela Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação impede que entre em vigor – até o julgamento final pelo STF – decisão do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, de agosto de 2012, que exige a rotulagem de transgênicos, seja qual for o porcentual no produto. No Distrito Federal, o Ministério Público pede à Justiça que suspenda o uso de glifosato e de 2,4D e de seus princípios ativos (AS-PTA, 28/3).
São questões que envolvem altos interesses. Apenas nove fabricantes multinacionais de produtos transgênicos tiveram faturamento de US$ 8,9 bilhões em 2011/2012 (eram US$ 2,5 bilhões em 2000). No Brasil, para este ano, está prevista extensão de lavouras transgênicas a vários pontos, inclusive ao Tocantins, autorizado oficialmente ao plantio de algodão, para combater a praga Helicoverpa armigera. No País todo, o algodão geneticamente modificado chegará, na safra 2013/2014, a 710 mil hectares, ou 65% da área total destinada ao cultivo da pluma (O Popular, 2/5). Na safra anterior, foram 49,4% da área total. Razão invocada para a expansão: a variedade modificada sofre menos com a estiagem. E, além disso, o custo é considerado compatível com as possibilidades: R$ 1 mil por hectare. O preço médio do mercado internacional está entre US$ 0,80 e US$ 0,85 por libra-peso.
Embora na área científica pululem controvérsias sobre o tema das culturas geneticamente modificadas, na prática rural estas têm seguido até aqui de vento em popa, com os argumentos de rentabilidade maior, perdas menores e mercado externo em expansão. Internamente, além do questionamento sobre o direito do consumidor de saber o que está comprando – com a rotulagem obrigatória, defendida pelo Ministério Público e pelos órgãos de defesa do consumidor -, avolumam-se as críticas à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que ainda não leva em conta tratados internacionais assinados pelo Brasil que pedem a observância ao princípio da precaução. Da mesma forma, despreza ela as posições dos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente e de seus representantes na comissão, que pedem estudos prévios de impacto em cada caso – seja para proteger os biomas envolvidos na questão, seja por causa da proteção ao consumidor.
Desde o primeiro governo Lula esses temas têm estado em discussão, mas a proteção dos plantios de geneticamente modificados tem vencido sistematicamente – mesmo que à custa de dissensões políticas internas ou da necessidade de reformular a composição da CTNBio.
É preciso considerar, ainda, que a administração federal parece acreditar cada vez mais na possibilidade de enfrentar as questões do déficit comercial na balança com o avanço das exportações de produtos primários. É uma posição que, isolada de outros fatores, ao longo da História, tem nos levado a muitos impasses. Seja como for, é um caminho que não se deve sobrepor aos direitos dos cidadãos.
Não bastasse isso tudo, ainda temos um novo caso de doença da vaca louca em Goiás, gerando embargos a nossas carnes no exterior; e o primeiro caso de cabra clonada, transgênica, no Ceará. Até o velho sanfoneiro Luiz Gonzaga deve estar se revirando no além com tanta preocupação.
Washington Novaes é jornalista.
(Fonte: http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=17415)