terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Frio e neve.... brrrrrr!

Hoje cedo a temperatura estava amena... 6 graus negativos. As árvores já estão quase todas sem folhas...


Agora à tarde, exatamente às 17 horas, a neve começou a cair. A temperatura prevista para amanhã é de 12 graus negativos, com sensação térmica de menos 20... Como diz aquela musiquinha: Hoje eu não saio não!!!






segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

De volta ao Canadá

Lembram desta foto, que postei em maio deste ano?


Pois bem... hoje, 7 meses depois, está assim:


Todas as casas prontas... já habitadas!
Naquela ocasião, também postei uma foto de um por do sol após as 20 horas.
Hoje a situação é diferente, vejam como, no inverno, já é noite às 17 horas!!!


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Usura e espoliação





            É espantosa a ação do setor financeiro no cenário econômico mundial e no Brasil. A intermediação financeira drena os recursos que deveriam servir ao fomento produtivo e ao desenvolvimento econômico. Diz o economista da PUC-SP, Ladislau Dowbor, que as altas taxas de juros cobradas pelo comércio, acabam sendo negócios mais bancários que comercial. Juros acima de 72% significam que esse tipo de comércio, em vez de prestar serviços comerciais, transformou em negócios financeiros. Os preços dos produtos são excessivamente elevados, mas os consumidores não sabem calcular o custo final dos produtos. O consumidor não tem conhecimento de que os bancos são intermediários nas vendas a prazo e que cobram cerca de 230% sobre estas. Se o valor comercial de um produto for de R$ 1.000,00, o comprador a prazo vai ficar devendo R$ 3.300,00. O caráter enganoso das transações é que caracteriza verdadeira extorsão ou espoliação dos clientes.
            Nada escapa a essa brutal taxação: empréstimos, cheques especiais, cartões de crédito. Mesmo sem entrar no crédito do cartão, isto é, compra a vista com cartão, uma loja tem de pagar cerca de 5% do valor das compras ao banco, além do aluguel da máquina. As pessoas, ao fazerem uma compra a crédito, gastam mais com juros do que com o próprio valor do produto adquirido. Os consumidores se endividam muito comprando pouco.
            Esse sistema, mesmo diminuindo o poder de compra do cidadão, acaba projetando a inflação para o alto. Os tributos são bem menores que o lucro comercial e os juros. Mas, para disfarçar essa essas extorsões legais, alegam que a carga tributária é alta. Os tributos são transparentes e visíveis nas compras, mas o lucro e os juros são ocultos. Os benefícios dos tributos são visíveis, mas o lucro e os juros contribuem para acumular fortunas nas mãos de atravessadores financeiros. Grade parte da usura e do super lucro, vai para os paraísos fiscais, em prejuízo dos investimentos nos setores produtivos.
            No início do século XVI, muitos cidadãos perdiam seus bens em pagamento de dívidas geradas por enormes taxas de juros. Daí, muita morte e muito conflito na Europa, empobrecimento e acumulação injusta de riqueza. Foi essa situação que levou Martinho Lutero a reagir contra a usura e contra a vida faustosa de poucos.
            No mundo de hoje, tudo parece se repetir, mas comerciantes e banqueiros aparecem como heróis. As instituições públicas aparecem como vilãs ineficientes e até perversas.

Belo Horizonte, dezembro de 2015

Antônio de Paiva Moura

Época de Natal e de férias!

Leitores e leitoras, é chegado o Natal, e é hora de dar uma paradinha, ainda que pequena, para descanso.
Vamos ficar "de férias" por alguns dias, devemos retomar no início de janeiro.

Agradeço a todos e todas as leituras, os poucos comentários (como podiam ser muitos!!!), o incentivo para continuar.
Desejo um Feliz Natal e ótimas festas de fim de ano.
E deixo um pouco de humor para fechar 2014.


(fonte: Blog do Miro)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Que coisa boa para se fazer!

A Unesp está oferecendo através do site da Univesp TV, um curso gratuito online sobre História da Arte. Ele é voltado a graduandos e pós-graduandos interessados nas áreas de arte, história, pesquisa, cultura e assuntos correlatos. Também é aberto a todos com formação superior em qualquer área do saber.
Este curso de História da Arte é apresentado gratuitamente, em forma de videoaulas online, que você pode assistir a hora que quiser. Há ainda a possibilidade de fazer anotações sobre questionamentos, opiniões e dúvidas enquanto assiste o vídeo, e receberá tudo em seu e-mail.

A Univesp TV é o canal de comunicação da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, a quarta universidade pública paulista e visa ao incentivo à formação integral do cidadão.

O curso

São 09 aulas do curso regular de graduação, ministradas pelo docente José Leonardo do Nascimento do Instituto de Artes da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo).

O objetivo do curso de História da Arte é apresentar movimentos artísticos locais dentro de uma perspectiva mais abrangente da história da arte. As aulas exploram a arte etrusca, o realismo da arte romana antiga e o diálogo com a Grécia, a arte cristã primitiva, a arte bizantina, as expressões artísticas medievais, como as Iluminuras, a arte Românica e o Gótico, até os primeiros momentos do Renascimento italiano. O professor José Leonardo do Nascimento também apresenta e analisa os principais monumentos artísticos de cada período histórico.

O curso não possui certificação. São apenas aulas online para complementação de estudos e pesquisas. É só acessar o site e começar a estudar.

Conteúdo programático
  • Escultura e pintura etruscas: vitalismo e arte tumular.
  • Roma antiga: realismo e diálogo com a Grécia.
  • Arte cristã primitiva: abstração e solenidade.
  • Iluminuras medievais: arte monástica.
  • Arte bizantina: espiritualidade e esplendor celestial.
  • Arte românica: arquitetura e relevo escultórico.
  • Arte gótica: verticalidade e luz.
  • Siena no século XIV: arte republicana e religião.
  • Florença no século XIV: da bidimensionalidade pictórica ao Renascimento.
O curso sobre História da Arte oferecido pela Unesp é mais uma dica gratuita que o Canal do Ensino traz para te ajudar a expandir a mente, pensar diferente e aumentar ainda mais seus conhecimentos.
Boas aulas!

Concurso, concurso, concurso!!!

PBH‬ abre concurso para 490 vagas de professor municipal!

Foi publicado o Edital 06/2014 para o provimento de 450 vagas do cargo público efetivo de professor municipal de 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental, sendo 405 para ampla concorrência e 45 reservadas para pessoas com deficiência. 

Saiba mais: http://ow.ly/FGAOV

Bom artigo para historiadores


Dois colegas publicaram, na Revista Tiempo y Sociedad um bom artigo.
Recomendo a leitura

https://tiemposociedad.files.wordpress.com/2014/10/periodizacion-de-la-historia.pdf

Mosaicos de 2000 anos encontrados na Turquia

 MOSAICOS DE 2000 AÑOS DE ANTIGUEDAD EN TURQUÍA

Dos impresionantes mosaicos datados en el Siglo II A.C. y en perfecto estado de conservación acaban de ser descubiertos en la ciudad turca de Zeugma. La ciudad se encontraba en un punto crucial de la milenaria ruta de la seda que unía Europa con la lejana China, por lo que no tardó en prosperar, convirtiéndose en un importante centro urbano tanto en época griega como tras su caída en manos de Roma.

Más info: http://bit.ly/1wdLqG0

ou aqui: http://www.upsocl.com/cultura-y-entretencion/arqueologos-desentierran-tres-antiguos-mosaicos-griegos-en-excavacion-en-zeugma-turquia/

A tentativa do PSDB de diplomar Aécio e não Dilma

 Por Paulo Nogueira

As pessoas se perguntavam nas redes sociais: é piada?
Mas não. Não era.
Pouco antes da diplomação de Dilma hoje, o PSDB solicitou ao TSE o seguinte. Que, em vez de Dilma, Aécio fosse diplomado.
Quer dizer: o PSDB quer cassar mais de 54 milhões de votos.
Há detalhes até engraçados. Você pode imaginar a cena: um mensageiro do PSDB vai em louca correria ao presidente do TSE para entregar-lhe o pedido e, ao chegar a seu escritório, descobre que ele já está diplomando Dilma.
Em quem teria se inspirado o PSDB? No Fluminense, que escapou da segunda divisão no ano passado graças ao tapetão de última hora?
No grande filme de Dustin Hoffman em que ele salva a amada de um casamento torto em plena igreja, quando ela, belíssima em seu vestido de noiva, estava prestes a dizer sim?
O desfecho seria perfeito, como comédia, se no momento em que Toffoli entregava o diploma a Dilma o presidente do PSDB, Aécio, irrompesse na sala e cantasse: “Por favor, pare agora. Senhor juiz, pare agora.”
O final não foi este, e sim o esperado. Dilma foi diplomada e fez um discurso em que sublinhou seu compromisso com a “justiça social”. Falou também num “grande pacto”, de todos os poderes da República, contra a corrupção.
O tempo dirá quanto ela cumprirá da agenda ampla que anunciou nesta noite da diplomação.
Só se poderá julgar o segundo mandato de Dilma com o correr dos longos dias.
Desde já, no entanto, é legítimo dizer que a tentativa do PSDB de colocar o diploma nas mãos de Aécio, e não de Dilma, é um dos capítulos mais patéticos da história política nacional.
O PSDB já não está mais se comportando como um grupo reacionário e disposto a tudo para chegar ao Planalto por quaisquer meios. Está agindo como um bando de lunáticos.

(fonte: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-tentativa-do-psdb-de-diplomar-aecio-e-nao-dilma/)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Síndrome de Capitu

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais lamenta a saída de João Paulo Cunha do comando da editoria de Cultura do jornal Estado de Minas, mais uma vítima da censura que impera nos grandes meios de comunicação e grassa em Minas Gerais, e repudia o cerceamento à liberdade de expressão.

Reconhecido como um dos mais brilhantes jornalistas e intelectuais mineiros, dono de uma vasta cultura e de um texto brilhante, João Paulo pediu demissão hoje à tarde. A decisão foi tomada depois da comunicação por parte da direção do jornal de que não poderia mais escrever sobre política na coluna que assinava semanalmente no caderno Pensar.

Seu último texto foi publicado no dia 6/12. Intitulado “Síndrome de Capitu”, critica a falta de uma oposição responsável no Brasil. “Há grandes projetos que impulsionam uma vida e moldam expectativas de futuro, algo que ganhou o belo nome de utopia”, diz um trecho do texto. E foi em nome dessa utopia que ele não aceitou mais essa imposição. Uma salva ao João.

Abaixo a íntegra de sua última coluna.


Síndrome de Capitu
Por João Paulo Cunha
 
Existem duas verdades aparentemente óbvias que, no entanto, não têm ficado suficientemente claras para muita gente: o país mudou e a eleição já acabou. A insistência em dar continuidade ao processo que elegeu Dilma Rousseff poderia ser apenas um luto mal vivido, mas tende a se tornar perversa no campo político. Por outro lado, a recusa em enxergar a nova configuração da sociedade, resultado de seguidas políticas de distribuição de renda e inclusão social, pode gerar um impulso no mínimo grotesco em suas alusões reativas e chamamentos à ditadura.

É preciso ir adiante. A oposição, certamente, saiu fortalecida do resultado eleitoral bastante parelho. Mas corre o risco de jogar fora esse crescimento quantitativo em nome de um comportamento pouco produtivo em termos políticos. Em vez de jogar com seu eleitor fiel, interpreta os votos de acordo com suas conveniências e joga para a plateia pelos meios de comunicação, sem perceber que essa falácia já mostrou ser um paradoxo invencível: tem mais brilho que consistência, mais efeito que substância, mais eco que voz.


A oposição de hoje parece viver, no campo da política, o que Bento Santiago, o Bentinho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, viveu em seus tormentos de alma: se perde na fantasia da traição (mesmo que ela tenha sido real). Para lembrar sumariamente o enredo do romance, Bentinho se apaixona por Capitu, desde logo apresentada como portadora de “olhos de ressaca”. São jovens de classes sociais distintas. Um arranjo permite o casamento. Logo Bentinho, já pai e bem posto na vida como advogado, desconfia que está sendo traído pela mulher com o melhor amigo, em quem vê semelhança com o filho. O casal se separa, o filho morre e Bento, sozinho, leva adiante sua sina de ser casmurro e sofrer com a desconfiança até o fim da vida.

Machado de Assis, como sempre, ao falar de seus personagens, está figurando a sociedade de seu tempo. Bentinho não sofre só pela traição, mas porque não entende que o mundo mudou. Não pode aceitar que a sociedade republicana deixou para trás as amarras elitistas do Segundo Reinado e da escravidão. Bento não reconhece a mulher, a sociedade, a história. Não pode aceitar que ela tenha uma vida independente e autônoma. Tudo que ele não compreende o ameaça. Capitu não é apenas a mulher, mas tudo que perdeu em seu mundo de referências que se esvaem. Mais que sexual, a traição é histórica. Homem de outro tempo, só resta a ele tentar convencer ao leitor e a si próprio de seu destino de vítima. E soprar um melancólico saudosismo acerca dos tempos idos, que busca reconstruir em sua casa feita à semelhança do lar da meninice.

O Brasil tem uma recorrente síndrome de Capitu: tudo que a elite não tolera se torna, por meio de um discurso marcado pela força jurídica e da tradição, algo que deve ser rejeitado. Eternos maridos traídos. A tendência de empurrar a política para os tribunais é uma consequência desse descaminho. Assim, tudo que de alguma forma aponta para a mudança e ampliação de direitos é considerado ilegítimo e, em alguns momentos, quase uma afronta que precisa ser questionada e combatida. Foi assim com a visibilidade dada aos novos consumidores populares (que foram criminalizados em rolezinhos ou objeto de ironia em aeroportos), com as cotas raciais para a universidade, com a chegada de médicos estrangeiros para ocupar postos que os brasileiros, psicanaliticamente, denegaram.


O romance de Machado de Assis tem ainda outro personagem curioso para a sociologia e psicologia do brasileiro, o agregado José Dias. Trata-se de um homem que vive às expensas da família de Bento e que, por isso, não cessa de elogiar quem o acolhe. Típico representante de certa classe média, ele é o bastião dos valores da burguesia da época, da qual só participa de esguelha. Mais burguês que os burgueses, em sua subserviência, ele gasta os superlativos e a vida a invejar e defender os “de cima”, com pânico de ser confundido com os “de baixo”. Epígonos de José Dias, hoje, são os que amam Miami, levam os filhos para ver o Pateta e participam de passeatas pedindo a volta dos militares.


Leviandade


Mas o que a síndrome de Capitu tem a ver com a política brasileira de hoje? Em primeiro lugar, ela explica por que, em vez de armar uma oposição de verdade, os partidos derrotados tentam inviabilizar a sequência do processo democrático. Em segundo lugar, pela defesa da dupla moral, que desculpa os erros do passado por causa da dimensão dos desvios de hoje, numa reedição do estilo udenista e despolitizador de analisar a conjuntura. Tudo que pode de alguma forma macular a oposição é considerado “sórdido” e “leviano”, numa substituição da política pela moral de circunstância. A corrupção, com sua espantosa abrangência, precisa ser combatida em toda sua dimensão e arco histórico. Nenhum culpado pode ficar de fora, de empresários a políticos de todos os partidos.

Por fim, a personagem machadiana ajuda a explicar a fixação em torno de determinados temas – no romance, é a traição, na vida política atual, é a inflação –, que são muito mais derivações que propriamente o que de fato interessa. A escolha dos ministros da área econômica mostrou como mesmo um governo popular e eleito democraticamente confirma as intuições de Machado de Assis. A excessiva submissão aos interesses rentistas pode ser um recuo estratégico. Mas é um recuo. Uma capitulação.
 
Economia não é uma ciência exata e, muito menos, isenta de componente ideológico. Um governo de esquerda precisa de uma política econômica de esquerda. Além do equilíbrio macroeconômico, o mais importante é apontar as estratégias de distribuição de renda e de investimento na área social. O deus Mercado não pode falar mais alto que os filhos de Deus. No complexo tecido que sustenta a governança, a presença das forças populares não pode ser colocada em segundo plano, como vem sendo até agora. A excessiva sujeição ao cálculo do apoio político está na base da grande corrupção que hoje enoja a todos. Por isso a reforma política popular se tornou a agenda prioritária da sociedade.
 
A oposição, por sua vez – e o senador Aécio Neves, candidato derrotado como seu nome de maior destaque –, tem uma tarefa a cumprir: dar um passo à frente no jogo político, com a grandeza que o momento requer. O que ainda está devendo.
 
Bentinho perdeu sua vida ao ficar preso a um passado de desconfianças que, de resto, até hoje divide as opiniões. Há grandes projetos que impulsionam uma vida e moldam expectativas de futuro, algo que ganhou o belo nome de utopia. Há, entretanto, obsessões que paralisam pelo rancor e ressentimento. Bentinho, é bom lembrar, nunca mais foi feliz. Foi ele mesmo o criador e a vítima da síndrome que o consumiu.

Obama anuncia um 'novo capítulo' nas relações entre EUA e Cuba

Pelo visto, "alguéns" aqui no Brasil vão ficar com o discurso anti-Cuba entalado na garganta...


O histórico passo anunciado por Washington para normalizar relações com Cuba representa o primeiro movimento para deixar para trás meio século de tensões 

La Jornada


Washington - O presidente americano Barack Obama anunciou nesta quarta-feira o início de um ''novo capítulo'' nas relações de Washington com Cuba e prometeu que examinará, junto do congresso, o fim do embargo à Cuba. Obama declarou que era tempo de acabar com um 'enfoque antiquado' sobre a ilha.

O mandatário ainda anunciou que o governo revisará a permanência de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo. Em um discurso à nação, ele anunciou que os dois países fizeram um acordo para iniciar vínculos econômicos e de viagens.

Durante a terça-feira, Obama teve uma longa conversa telefônica com o líder cubano Raúl Castro, onde ambos fizeram um acordo para a instalação de embaixadas ''nos próximos meses.''

O governo dos Estados Unidos iniciou uma aproximação histórica de Cuba, ao anunciar a normalização das relações diplomáticas plenas e o alívio de diversas sanções vigentes há meio século, informou uma fonte da Casa Branca.

Termina meio século de tensões entre Cuba e Estados Unidos

O histórico passo anunciado por Washington para normalizar as relações com Cuba representa o primeiro movimento para deixar para trás meio século de tensões bilaterais.

Os dois países não possuem relações diplomáticas formais desde 1961, e em 1977 instalaram escritórios de interesses em Washington e em Havana, sob o cuidado da embaixada suíça.

Em 1961 os Estados Unidos ofereceram suporte logístico para uma invasão de milicianos cubanos à Cuba, que terminou sem sucesso, com a captura da maioria deles logo que desembarcaram na região de Playa Girón, ao centro-sul da ilha.

Um ano mais tarde, a relação bilateral alcançou seu ponto mais crítico depois que aviões americanos descobriram que misseis soviéticos haviam sido instalados com ogivas nucleares em várias localidades de Cuba.

A crise dos mísseis dexou o mundo inteiro em suspense diante da possibilidade de um holocausto nuclear, até que a União Soviética desativou os mísseis ao mesmo tempo que os Estados Unidos desativou foguetes que foram instalados na Turquia e se comprometeu a não invadir a pequena ilha comunista, situada a pouco mais de 100 quilômetros de suas fronteiras.

Desde então os Estados Unidos adotou um rígido conjunto de normas que literamente deixaram Cuba ilhada do comércio exterior, com exceção dos países socialistas.
Tradução de Roberto Brilhante(fonte: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Obama-anuncia-um-novo-capitulo-nas-relacoes-entre-EUA-e-Cuba/6/32464)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Para Chomsky, aqui se articula o terror mundial


Intelectual dissidente analisa campanhas de sabotagem deflagradas pelos EUA contra Angola, Cuba e Nicarágua. E alerta: Washington continua a desestabilizar adversários

Por Noam Chomsky | Tradução: Mariana Bercht

“É oficial: os EUA são o maior Estado terrorista do mundo e se orgulham disso”.
Essa deveria ter sido a manchete da notícia principal do New York Times no dia 15 de outubro, que foi polidamente intitulada “Os Estudos da CIA sobre ajuda secreta alimentam ceticismo sobre a ajuda aos rebeldes sírios”. O artigo relata uma revisão da CIA sobre as operações secretas dos EUA para determinar sua efetividade. A Casa Branca concluiu que infelizmente os sucessos foram tão raros que é necessário repensar essa política.
O texto cita o Presidente Barack Obama, dizendo que ele solicitou à CIA que conduzisse a revisão para encontrar casos de “financiamentos e fornecimento de armas para grupos insurgentes em um país que realmente tenham funcionado. E eles não encontraram muitos”. Por isso, Obama reluta em manter tais esforços.
O primeiro parágrafo do artigo do Times cita três grandes exemplos de “ajuda secreta”: Angola, Nicarágua e Cuba. Na verdade, cada um desses casos foi uma grande operação terrorista conduzida pelos EUA. Angola foi invadida pela África do Sul, que, segundo Washington, defendia-se de um dos “maiores grupos terroristas” do mundo – o Congresso Nacional Africano, de Nelson Mandela.

Na época, o governo Reagan estava praticamente sozinho no seu apoio ao regime do apartheid, inclusive violando sanções do congresso para aumentar o comércio com seu aliado sul africano. Washington juntou-se à África do Sul para prover apoio crucial ao exército terrorista da Unita, chefiada por Jonas Savimbi, em Angola. Continuou a fazê-lo mesmo depois de Savimbi ser completamente derrotado em eleições livres cuidadosamente monitoradas, e da África do Sul retirar seu apoio. Savimbi era um “monstro cuja sede de poder trouxe uma miséria apavorante ao seu povo”, nas palavras de Marrack Goulding, embaixador britânico em Angola.
As consequências foram horrendas. Um inquérito de 1989 da ONU estimou que os atos hostis praticados por sul-africanos provocaram 1,5 milhão de mortes nos países vizinhos, sem contar o que estava acontecendo internamente na África do Sul. Ao fim, forças cubanas contra-atacaram os agressores sul-africanos e os compeliram a se retirar da Namíbia, ilegalmente ocupada. Apenas os EUA continuaram a apoiar o monstro Savimbi.
Em Cuba, após a invasão frustrada da Baía dos Porcos em 1961, o Presidente John F. Kennedy lançou uma campanha assassina e destrutiva para levar “os terrores da terra” à ilha – nas palavras de um íntimo aliado de Kennedy, o historiador Arthur Schlesinger, em sua biografia semi-oficial de Robert Kennedy, a quem foi atribuída a responsabilidade pela guerra terrorista.
As atrocidades contra Cuba foram severas. Os planos eram de que o terrorismo culminasse em uma rebelião em outubro de 1962, que levaria a uma invasão estadunidense. Agora, estudos acadêmicos reconhecem que essa foi uma das razões pelas quais o primeiro-ministro russo Nikita Khruschev colocou mísseis em Cuba, iniciando uma crise que ficou perigosamente próxima de uma guerra nuclear. O secretário de Defesa dos EUA, Robert McNamara posteriormente admitiu que, se fosse uma liderança cubana na época, “teria esperado uma invasão dos EUA”.
Os ataques terroristas americanos a Cuba continuaram por mais de 30 anos. O custo disso aos cubanos foi, é claro, muito grave. A contagem de vítimas, dificilmente vista nos EUA, foi relatada em detalhes pela primeira vez em um estudo do canadense Keith Bolender, “Vozes do Outro Lado: Uma História Oral do Terrorismo Contra Cuba”, em 2010.
O preço em vidas de uma longa guerra terrorista foi ampliado por um embargo esmagador, que continua até hoje, a despeito do resto do mundo. Em 28 de outubro, a ONU, pela 23ª vez, endossou a “necessidade de dar um fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba”. A votação foi de 188 a 2 (EUA e Israel) com três abstenções, das dependências dos EUA nas Ilhas do Pacífico.
Existe hoje alguma oposição ao embargo em lugares importantes dos EUA, relata o ABC News, por que ele “não é mais útil” (citando o novo livro de Hillary Clinton, Hard Choices). O estudioso francês Salim Lamrani revisa os amargos custos aos cubanos em seu livro de 2013, A Guerra Econômica Contra Cuba.
Quase não é necessário mencionar Nicarágua. A guerra terrorista do presidente Ronald Reagan foi condenada pela Corte Internacional, que ordenou que os EUA encerrassem seu “uso de força ilícito” e pagassem reparações substantivas.
Washington respondeu aprofundando a guerra e vetando resolução do Conselho de Segurança da ONU de 1986, que chamava todos os Estados – significando os EUA – a observarem a lei internacional.
Outro exemplo de terrorismo foi lembrado em 16 de novembro, data do 25º aniversário do assassinato de seis padres jesuítas em São Salvador por uma unidade terrorista do exército salvadorenho, armada e treinada pelos EUA. Sob as ordens do alto comando militar, os soldados invadiram a Universidade Católica para assassinar os padres e qualquer testemunha – incluindo uma governanta e sua filha.
O evento marcou o fim das guerras terroristas dos EUA na América Central nos anos 80. Mas seus efeitos ainda estão nas primeiras páginas de hoje, nos relatos sobre a fuga de “imigrantes ilegais” — uma medida das consequências dessa carnificina. No entanto, eles são deportados dos EUA para sobreviverem, se puderem, nas ruínas dos seus países de origem.
Washington também emerge como o campeão mundial em gerar terror. O ex-analista da CIA Paul Pillar alerta que “o impacto gerador de ressentimentos dos EUA atinge” a Síria, onde talvez induza, no futuro,  as organizações do Jihad Jabhat al-Nusra e o Estado Islâmico a “reparar suas falhas no ano passado e fazer campanha em conjunto contra a intervenção dos EUA, pintando-a como uma guerra contra o Islã”.
Essa é uma consequência já familiar das operações dos EUA, que ajudaram a espalhar o jihadismo — antes restrito a um reduto do Afeganistão, — para grande parte do mundo.
A manifestação do jihadismo mais alarmante hoje é o Estado Islâmico, ou ISIS, que estabeleceu seu califado assassino em grandes áreas do Iraque e da Síria.
“Penso que os Estados Unidos são um dos criadores chave dessa organização”, relata o ex-analista da CIA, Graham Fuller, comentarista destacado sobre assuntos na região. “Os Estados Unidos não planejaram a formação do ISIS”, acrescenta “mas suas intervenções destrutivas no Oriente Médio e a guerra do Iraque foram as causas básicas do nascimento do ISIS”.
A isso nós podemos incluir a maior campanha terrorista do mundo: o projeto global de assassinato de “terroristas” de Obama. O “impacto gerador de ressentimento” desses drones e ataques de forças especiais deveriam ser conhecidos demais para requerer mais comentários. Esse é um registro a ser contemplado com certo pavor.

(fonte: http://outraspalavras.net/destaques/para-chomsky-aqui-se-articula-o-terror-mundial/)

domingo, 14 de dezembro de 2014

Poesia no concreto

Acabei de receber um email de minha amiga Katia, leitora assídua deste blog. A foto foi tirada no celular de uma sobrinha. O título que ela deu é bem sugestivo, concordam?
E você? Tem alguma foto assim? Mande! Vamos publicar aqui!
 

(foto: Katia Lima)

Avô Tancredo gostaria deste neto?

Por Marcelo Zero, no blog de Paulo Moreira Leite:

Tancredo Neves foi um político conservador. Fez carreira no PSD e, durante a ditadura militar, foi um dos líderes dos moderados do MDB/PMDB. Nunca se aproximou do socialismo e admirava muito mais Max Weber que Karl Marx.

No entanto, não há quem negue que Tancredo, embora limitado pelas circunstâncias de sua época, era um democrata e, em linhas gerais, progressista.

Quando jovem, fez oposição a Arthur Bernardes e simpatizava com a Aliança Liberal de Getúlio Vargas. Mais tarde, fez oposição à UDN direitista de Milton Campos e Carlos Lacerda. Articulou-se com Juscelino e Getúlio, tendo sido ministro da Justiça deste último. Na ditadura, teve papel de destaque como um dos principais líderes da oposição, especialmente durante o período de transição para a democracia, na primeira metade dos anos 1980. Teve papel fundamental para que essa transição ocorresse sem maiores traumas.

Ninguém nega também que Tancredo era um político ponderado, um mestre da articulação e da conciliação. Convivia bem com as diferenças e tinha fácil diálogo com todas as tendências políticas. Homem cartesiano, tinha horror às posições extremadas.

Ao morrer, primeiro presidente civil pós-ditadura, Tancredo apontou o neto, Aécio Neves, como seu herdeiro político.

Pois bem, é muito provável que, lá de São João Del Rey, o avô não esteja mais reconhecendo o neto e seu legado político. Na realidade, ninguém está.

Com efeito, Aécio Neves parece cada vez mais afastado da imagem do seu avô e perigosamente perto de uma imitação barata e artificial de Carlos Lacerda, grande rival de Tancredo e de Getúlio.

A distância é tanto no conteúdo quanto na forma.

No forma, no estilo, vemos um Aécio raivoso, agressivo, desrespeitoso, arrogante e incapaz de aceitar democraticamente as decisões legítimas das urnas. O palanque subiu-lhe à cabeça e a disputa eleitoral incrustou-se no seu fígado.

No conteúdo, na política, o que se vê é uma aposta desesperada e irracional num neoudenismo tardio e caricato. Uma aposta perigosa e antidemocrática na ingovernabilidade, que tem evidentes nuances golpistas.

Tenta-se reviver, com o conluio de um setor da imprensa comprometido historicamente com o autoritarismo, o “mar de lama” que vitimou Getúlio e seu ministro da Justiça. Tenta-se de tudo para deslegitimar as instituições democráticas. Durante as eleições, o próprio FHC questionou a legitimidade dos votos dados ao PT, diminuindo o intelecto de nordestinos e pobres. Após as eleições, questionou-se, sem nenhum motivo real, o nosso sistema de votação, elogiado por sua lisura e eficiência no mundo inteiro. Agora, Aécio questiona a legitimidade do governo recém-eleito, afirmando que perdeu o pleito para uma “organização criminosa”.

Assentada em mentiras, distorções e em vazamentos cuidadosamente seletivos de corruptos em desespero, essa afirmação absurda de Aécio revela total falta de compostura. Falta de compostura ética que se combina com a falta de compostura política revelada com sua crescente proximidade dos setores mais raivosos da extrema direita brasileira, esse amontoado de homofóbicos, racistas e saudosos da ditadura. Ditadura que Tancredo deu a própria vida para encerrar.

A afirmação e o comportamento que a anima revelam, sobretudo, falta de compreensão do seu papel no momento histórico que vive o Brasil. Revela, para usar um eufemismo, uma visão política curta.

As lutas políticas no Brasil sempre foram resolvidas democraticamente, em última instância, pela disputa do centro moderado do espectro político, onde passeava Tancredo. Lula só conseguiu chegar ao poder quando virou o “Lulinha paz e amor”. Será que Aécio, FHC e outros líderes acham que obterão grandes vantagens com essa adesão à direita mais caricata e ao golpismo mais desavergonhado? Será que acham que o Brasil pode se transformar numa grande Venezuela?

Se acham, já se perderam.

Aécio parece cada vez menos com Aécio Neves. Parece uma máscara grotesca de Aécio Lacerda, de Aécio López, ou ainda de Aécio Bolsonaro.

Seu avô dizia que se é radical não é mineiro, se é mineiro não é radical. Talvez por ser mais carioca que mineiro, Aécio esteja abandonando esses ensinamentos. Ninguém sabe.

Intui-se, no entanto, que à noite, lá em São João Del Rey, já se escuta o murmúrio: não faz assim que o vovô não gosta.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Fortaleza e suas praias - Águas Belas

Segundo os guias, esta é a mais nova área aberta ao turismo, fica a pouco mais de 70 km da capital. Um detalhe interessante de quem faz esta excursão é a parada num engenho, onde se pode ver como se faz a rapadura e, claro, onde se pode comprar rapaduras misturadas com tudo que se pode imaginas: coco, maracujá, abacaxi etc.

Na praia, restaurante bom, redes para os cansados, e até música ao vivo. Esta cantora, Betânia, é muito boa, canta MPB.



















sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Fortaleza e suas praias - Cumbuco

Esta foi, de todas as que visitei, a que mais gostei. Uma barraca limpa, grande, dá para atender a muita gente, recepção calorosa aos turistas, área de piscina (se bem que acho estranho alguem ir à praia para nadar em piscina...enfim...), passeios de bug e quadriciclo (não recomendados para quem tem problemas de coluna... é cada pancada!)
As fotos são de minha autoria







 


Boaventura: a Terceira Guerra é contra a Rússia


Washington provoca Moscou em três frentes, atiça possível conflito nuclear e ignora opinião da sociedade norte-americana. Em nome da “democracia”?
Por Boaventura de Sousa Santos

Tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial. É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da UE. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia. Num raro momento de consenso entre os dois partidos, o Congresso dos EUA aprovou no passado dia 4 a Resolução 758, que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia. A escalada da provocação da Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria. Nesta, ao contrário da primeira, assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear. Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear.

Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda. As sanções são conhecidas, sendo a mais insidiosa a redução do preço do petróleo, que afeta de modo decisivo as exportações de petróleo da Rússia, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. Esta redução trará o benefício adicional de criar sérias dificuldades a outros países considerados hostis (Venezuela e Irã). A redução é possível graças ao pacto celebrado entre os EUA e a Arábia Saudita, nos termos do qual os EUA protegem a família real (odiada na região) em troca da manutenção da economia dos petrodólares (transações mundiais de petróleo denominadas em dólares), sem os quais o dólar colapsa enquanto reserva internacional e, com ele, a economia dos EUA, o país com a maior e mais obviamente impagável dívida do mundo.

O segundo componente é controle total do governo da Ucrânia de modo a transformar este país num estado satélite. O respeitado jornalista Robert Parry (que denunciou o escândalo do Irã-contra) informa que a nova ministra das finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, é uma ex-funcionária do Departamento de Estado, cidadã dos EUA, que obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo. Foi até agora presidente de várias empresas financiadas pelo governo norte-americano e criadas para atuar na Ucrânia. Agora compreende-se melhor a explosão, em Fevereiro passado, da secretária de estado norte-americana para os assuntos europeus, Victoria Nulland, “Fuck the EU”. O que ela quis dizer foi: “Raios! A Ucrânia é nossa. Pagámos para isso”.

O terceiro componente é a guerra de propaganda. Os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitima a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia. Peço aos leitores que imaginem o escândalo midiático que ocorreria se se soubesse que o Presidente da Síria acabara de nomear um ministro iraniano a quem dias antes concedera a nacionalidade síria. Ou que comparem o modo como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em Fevereiro passado e os protestos em Hong Kong das últimas semanas. Ou ainda que avaliem o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. Outro grande jornalista, John Pilger, dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos. Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?


Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando uma discrepância semelhante ou maior separa os cidadãos dos seus governos e da Comissão da UE, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?

(fonte: http://outraspalavras.net/capa/boaventura-a-terceira-guerra-e-contra-a-russia/)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

JN não cita conta rejeitada de Alckmin

Por Altamiro Borges

A seletividade da mídia na sua escandalização da política seria cômica, se não fosse trágica. O Jornal Nacional da TV desta quarta-feira (10) deu ampla cobertura para a análise das contas de campanha da presidenta Dilma Rousseff. Ainda sem o resultado final, o telejornal aguardava ansioso o veredito do "insuspeito e imparcial" Gilmar Mendes, o ministro indicado por FHC que já defendeu vários agiotas e até um médico estuprador. No mesmo dia, porém, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo decidiu, por 5 votos a 1, rejeitar as contas do governador reeleito Geraldo Alckmin (PSDB). Willian Bonner simplesmente não deu essa valiosa informação aos seus fiéis telespectadores. 
Segundo a assessoria de imprensa do TRE-SP,  a desaprovação decorreu de várias irregularidades na prestação de contas do tucano - sempre tão blindado pela mídia. No primeiro balanço financeiro da campanha, o PSDB deixou de informar a doação de R$ 900 mil. Já na prestação final, a legenda não comprovou a origem de mais de R$ 8 milhões. A Procuradoria Eleitoral do Estado já havia se manifestado pela desaprovação das contas de Geraldo Alckmin. Apesar disto, o grão-tucano já garantiu que será diplomado para mais quatro anos de "indigestão" em São Paulo. 
O JN da TV Globo - que recebe muita grana em publicidade do governo paulista - preferiu não citar o temporário revés do grão-tucano. A famiglia Marinho, sempre tão paparicada pelas autoridades, está mais preocupada com as contas da presidenta Dilma, que também ajuda a financiar o jornalismo "imparcial" da Rede Globo. Durma-se com este barulho!
(fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/12/jn-nao-cita-conta-rejeitada-de-alckmin.html#more)

O caos sórdido da CIA

Por Flávio Aguiar, na Rede Brasil Atual:

O relatório da Comissão de Inteligência do Senado norte-americano causa espanto e horror, tanto por seu conteúdo quanto por algumas das reações a ele. Divulgado na terça-feira (9), o documento acusa a CIA de práticas (horríveis) de tortura, de humilhação física e psicológica de prisioneiros, de mantê-los em privação de sono, e de fazer ameaças a seus familiares, além de manter cárceres secretos em todos os continentes, com exceção da Antártida.

As descrições das torturas físicas são brutais, fazendo pouco do famoso “waterboarding” e até mesmo do nosso bravo pau-de-arara. Nas humilhações, destaca-se a privação do acesso a WCs, substituídos por fraldas. Ou uma certa “alimentação” e “hidratação” forçadas via anal – o que, além de esquisito, para dizer o mínimo, é uma terrível humilhação (para qualquer ser humano, certamente) sobretudo para muçulmanos. Na privação do sono, dias e dias sem dormir. E quanto às ameaças, coisas como torturar crianças e até mesmo degolar a mãe de um dos prisioneiros.

Um detalhe chama a atenção: tudo fora autorizado pelo governo norte-americano, por gente de alto escalão. Mas como sempre, houve “iniciativas” próprias, torturas praticadas mesmo sem o conhecimento das devidas autoridades. O relatório acusa a CIA de provocar o “caos” no serviço de inteligência norte-americano e de seus aliados.

A CIA manteve – de 2001 a 2009 – nove prisões secretas e/ou centros de tortura fora do território dos Estados Unidos: em Guantánamo, Polônia, Romênia, Afeganistão, Tailândia, Bósnia-Herzegóvina, Lituânia, Iraque e Marrocos. Ao todo, 47 países são acusados de ajudar o programa de torturas americano, 19 na Europa, entre eles, Alemanha, Reino Unido, Itália, Portugal, Espanha e além deles, outros, como Canadá, Austrália e África do Sul.

Um detalhe consolador: não há na relação um único país latino-americano. Quem diria, não?

A agência contratou os serviços de dois psicólogos militares, Bruce Jessen e James Mitchell, para formatar e supervisionar um programa, ao preço de 180 milhões de dólares, que desenvolvesse "técnicas especiais de interrogatório" – e que foi considerado um verdadeiro manual de tortura. Da verba, 81 milhões foram pagos até 2009, quando Barack Obama tomou posse e o programa foi suspenso.

As reações são muitas e variadas. Organismos internacionais, como a Anistia Internacional (inclusive seu braço norte-americano), a Human Rights Watch e a Comissão de Direitos Humanos da ONU, condenaram as práticas da CIA, e exigem que o governo norte-americano indicie os responsáveis, inclusive as altas autoridades que as permitiram e até incentivaram. Isto pode chegar até gente como Condoleezza Rice e George Bush Filho. Até John McCain, senador republicano, condenou as práticas.

Porém, muitos republicanos revoltaram-se, vejam só, com a publicação do relatório (!). Este foi redigido apenas pelos democratas do comitê. Um grupo de senadores republicanos redigiu um relatório alternativo, rebatendo o primeiro. Afirmam que ele é impreciso, incompleto, falso etc.

Mas há mais. Ao contrário dos “negacionistas”, que dizem que tudo é mentira, há os que relatório da Comissão de Inteligência do Senado norte-americano causa espanto e horror, tanto por seu conteúdo quanto por algumas das reações a ele, como o ex-vice-presidente Dick Cheney, que não só tudo é verdade, como foi bom, estava certo, é isto mesmo, a tortura é relevante e benéfica nestes casos, desejável etc.

Last but no least, o relatório acusa a prática de torturas de ser ineficiente: as informações assim obtidas carecem de credibilidade. Como nos tempos da Inquisição, os acusados terminam dizendo o que os torturadores querem ouvir, seja verdade ou não.

O que, para a CIA, talvez seja a acusação mais grave de todas.
(fonte: http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/12/o-caos-sordido-da-cia.html)

Porque o Greenpeace não é valente lá nos EUA?


11 de dezembro de 2014 | 18:09 Autor: Fernando Brito
nazca

O episódio do dano criminoso e imbecil causado por ativistas do Greenpeace (estrangeiros dirigindo e peruanos obedecendo) nas fantásticas  linhas de Nazca, no deserto peruano ultrapassa qualquer simpatia que se possa ter pelas teses preservacionistas que dizem defender.

Porque não pode haver  um grama de preservacionismo na mente de quem se dispõe a aparecer danificando um dos mais antigos e intrigantes monumentos humanos da América do Sul.

Só o que existe é marketing, a busca desesperada por uma notoriedade que rende, aliás, bons fundos para a organização.

Esta operação-imbecil, onde mais de uma dúzia de imbecis, sapatearam e remexeram uma área de acesso estritamente proibido pelo seu interesse arqueológico só produziu menos danos ali do que causou a quem defende com responsabilidade o meio-ambiente.

As desculpas do Greenpeace foram pífias. Dizer que “a atividade pareceu descuidada e ofensiva” é um nada.

Foi ofensiva e criminosa, isso sim.

Por que é que não vão dar o peito a bala e acabar com a caça que é permitida lá no país deles, os EUA? Ou com a mineração no Alasca?

É muito fácil defender cada árvore das florestas dos pobres, enquanto os ricos queimam petróleo e fazem emissões a rodo com hábitos perdulários que, aliás, são os primeiros a introduzir aqui.

Países ricos que se opõem a qualquer iniciativa global que considere que quem já devastou tudo nos últimos séculos não tenha de fazer sacrifícios maiores do que os “jardins do Éden”  que sobraram na Terra. Desde a recusa dos EUA a assinarem o Protocolo de Kyoto até a recusa da proposta brasileira de escalonar as obrigações de redução de gases do efeito estufa para cada país em proporção a  seu nível de desenvolvimento, só há boicote e sabotagem.

Muita gente que, de boa-fé, vibra com a ação de rapazes e moças que agem audaciosamente vai perceber, com esta monstruosidade que fizeram no Peru, o quanto há nisso de cobertura para que os grandes devastadores do planeta continuem a querer dar para os pobres as lições que eles próprios não seguem em casa.
(fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=23670)

Fortaleza e suas praias - Canoa Quebrada

Canoa Quebrada - Penso que a imagem que se tem não corresponde muito à realidade. Das três praias que visitei foi a que menos gostei...

Barracas confortáveis e muita areia para ser pisada (foto RMF)


Acha estranho? É mesmo... um cemitério em plena praia! (fotos RMF)



O humor cearense na praia: Jeg's bar - ainda bem que não dá para ler o nome das bebidas...


















Fora, Bolsonaro!

Ontem, quando eu assistia à sessão para cassação de André Vargas (ex-PT), vi o Jair Bolsonaro tentando se justificar por ter dito, pela segunda vez, que não estupraria Maria do Rosário porque "ela não merece". Depois de sentir vontade de vomitar com a declaração (será que ele não percebe que, ao dizer isso, ele quer dizer que há que MEREÇA ser estuprado?!), pensei: se os deputados fossem sérios (os outros, quero dizer, porque Bolsonaro não é sério mesmo), interromperiam naquele momento o processo de cassação de Vargas e iniciariam imediatamente a cassação de Jair Bolsonaro, por conduta atentatória ou incompatível com o decoro parlamentar, como é previsto na Constituição (artigo 55) e no regimento da Câmara (art. 10). Depois, continuassem com o caso do Vargas, que também foi cassado.
Jair Bolsonaro não é conhecido só por falar asneiras contra gays, contra negros e contra mulheres. Ele também defende veementemente o período da ditadura militar no Brasil, onde o Estado infligiu pelo menos 19 tipos de tortura diferentes, de acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, divulgado nesta quarta. Você pode ler os detalhes sobre cada um desses métodos asquerosos AQUI. Bolsonaro, aliás, defende a prática da tortura mesmo nos dias de hoje, em plena democracia.
Infelizmente, num ano em que a campanha eleitoral foi bastante acirrada, com pessoas de ânimos muito exaltados e o principal candidato da oposição se aproximando cada vez mais da extrema-direita (inclusive depois de sair derrotado nas urnas), tenho visto muita gente apoiando Jair Bolsonaro. Prefiro acreditar que mais por desconhecimento do discurso dele, por ignorância mesmo, do que por uma defesa consciente desse deputado. Também é o que prefiro acreditar quando lembro que ele foi o mais votado do Rio de Janeiro -- assim como já aconteceu no passado com figuras como Tiririca, Garotinho, Ratinho Júnior, Russomano, Pastor Feliciano etc. As pessoas não pesquisam sobre seus candidatos e, não raro, nem mesmo se lembram em quem votaram nas eleições passadas.
Mas não dá, gente. Bolsonaro não dá. Sua mãe merece ser estuprada? Sua filha? Sua mulher ou namorada? Sua irmã? Para Bolsonaro, se "derem um caldo", podem bem merecer, vejam só. Você odeia a Dilma e ficou chateadíssimo/a que ela venceu as eleições por maioria simples, como mandam as regras? Ficou puto que um monte de gente resolveu abdicar de votar (indo pelo branco ou nulo) em vez de sair de cima do muro? Achava que esse povo daria o voto para Aécio e não para Dilma (mas como saber, né?)? Tudo bem, está no seu direito. Faça sua oposição, acompanhe o governo de perto, faça cobranças, como todo cidadão, eleitor de Dilma ou de Aécio, deveria fazer. Mas não pense que, ao apoiar Bolsonaro, você está atacando Dilma. Não, querido: você está atacando as mulheres, os negros, os homossexuais, os que já sofreram as consequências de policiais mal preparados (que existem, como todo profissional), os que querem ver o progresso da democracia no Brasil, seja nas mãos de qual grupo político for. Sacou?
Você já sabe que o Bolsonaro não está à altura do cargo que infelizmente ocupa? Então faça sua parte repudiando as coisas que este senhor diz e defende, sem nem corar as bochechas, dia após dias. Criticar, contestar, cobrar e exigir também são papel de um cidadão, como você.
Algumas coisas podem ser feitas:
  • Você pode assinar a petição online pedindo a cassação de Bolsonaro. É rápido e fácil e, no momento em que escrevo, já ultrapassou as 70 mil assinaturas.
  • Você pode compartilhar essa petição.
  • Você pode enviar um email para todos os deputados -- inclusive aquele em que você já votou -- cobrando um posicionamento.
  • Você pode protestar pelo Facebook e pelo Twitter (o auge da campanha será nesta quinta-feira, às 19h)!
  • Você pode conversar com seus conhecidos e amigos que não sabem bem o que andam defendendo por aí, por serem despolitizados (e são a maioria, viu). Comece entrando na página do deputado e vendo quem, dentre seus amigos, já passou por ali "curtindo" o sujeito. E depois dar um toque para esses curtidores inconsequentes. Vale até enviar este post para eles, hein ;)
É isso, pessoal. Não dá mais pra ter um cara como Bolsonaro no Congresso Nacional. Se nada disso valer, vamos pelo menos trabalhar com a conscientização das pessoas para que a catástrofe não se repita nas eleições de 2018, né?
(fonte: blog da KikaCastro)